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    <title>DEV Community: Caaddss</title>
    <description>The latest articles on DEV Community by Caaddss (@caaddss).</description>
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      <title>DEV Community: Caaddss</title>
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    <language>en</language>
    <item>
      <title>Meu colega me contou que é TDAH, e agora?</title>
      <dc:creator>Caaddss</dc:creator>
      <pubDate>Mon, 28 Dec 2020 14:13:11 +0000</pubDate>
      <link>https://dev.to/caaddss/meu-colega-me-contou-que-e-tdah-e-agora-1j9d</link>
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      <description>&lt;p&gt;Faz alguns dias que eu postei um texto contando como foi a decisão de expor ainda na fase de entrevistas que sou uma pessoa com Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade. Depois disso recebi algumas perguntas razoáveis sobre o que fazer quando alguém conta que sofre com o transtorno e assim nasce esse texto.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Primeiramente, tudo o que eu vou falar aqui é baseado na minha experiência pessoal como pessoa TDAH e de conversas com outros tdahs, significa que isso é uma verdade absoluta? Não. Significa que todos os tdahs pensam assim? Muito menos. A ideia é dar uma visão de algo que ainda levanta muitas dúvidas.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Vamos lá. O que é o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade?&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;O TDAH é um transtorno neurobiológico crônico, que caracteriza-se por uma trina de sintomas principais: desatenção, hiperatividade e impulsividade. É causado por uma falta de dopamina e noradrenalina na região frontal do cérebro, sendo este responsável pelo controle atencional, organização, memória e autocontrole. Podemos entender essa região como um maestro, mas sem as substâncias necessárias para reger de forma acertada, é como se um maestro bêbado tentasse reger uma orquestra, o resultado sai desastroso. O TDAH, como seu "primo" TEA(Transtorno do Espectro Autista) são caracterizados como transtornos do neurodesenvolvimento, ou seja, a pessoa nasce assim e os sintomas são percebidos desde a infância, mas isso não significa que o diagnóstico virá na infância. É possível conviver com o transtorno até a idade adulta, sendo mascarado por diversos fatores, até que os prejuízos sejam tão intensos que ao investigar, descobre-se que estavam lá desde sempre(ter tido sintomas e comportamentos típicos na infância é um fator obrigatório para o diagnóstico).&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Ser TDAH não significa só ser uma pessoa desatenta, hiperativa e impulsiva. Pessoas TDAHs tem problemas de memória recente, ou seja, tem dificuldade de recuperar informações que acabaram de acontecer. Sabe lembrar o nome que acabaram de falar, um número que passaram, um pedido que acabaram de fazer, é basicamente virar para o lado e esquecer completamente, o que foi dito no minuto anterior. Outra dificuldade é relacionada a organização, em qualquer nível, desde de manter uma agenda de compromissos até se organizar para sair de casa no horário para o trabalho. O Dr. Russel Barkley, um dos maiores especialistas do mundo em TDAH, diz que o portador de TDAH sofre de miopia temporal, até que algo esteja tão próximo, não é possível para a pessoa lidar com aquele evento.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Ok, mas todo mundo é desatento, então todo mundo é TDAH, parece invenção isso ai... Sim, meu anjo. Todo mundo tem um nível de desatenção, isso é verdade, mas nem todo mundo tem todo o resto do pacote que acompanha o tdah. Por isso é perigoso reduzir o transtorno, apenas ao problema com atenção, porque ele é muito mais extenso em prejuízos do que só isso. Trust me, se fosse só a falta de atenção, seria bem fácil ser tdah rs.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Agora que entendemos, vamos voltar ao tema do texto. Uma pessoa te contou que é TDAH, e se você chegou até aqui deve ter entendido que as características do transtorno influenciam diretamente no relacionamentos com os pares e na realização de tarefas cotidianas. O TDAH não vai desaparecer só porque não falamos nele. Então, o que fazer se alguém te diz que é TDAH?&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Um dos pontos mais importantes é se informar sobre o Transtorno. Ele não é incapacitante mas atrapalha o rendimento quando tentam normalizar o portador, e o que quero dizer por normalizar? Se tentar usar uma régua de um neurotipico para um neurodiverso isso só vai causar frustração de ambos os lados, por isso é importante ter um alinhamento constante das expectativas. Uma pessoa tdah tem dificuldades extremas para permanecer em atividades desinteressantes, então em muitos momentos ela vai precisar de ajudar para quebrar essas atividades em pequenas partes para que possam ser cumpridas de maneira correta e em alto nível. E em contrapartida, ela pode ser completamente ficcionada em atividades motivadoras, a ponto de parecer extremamente acelerada em relação ao tempo dos outros. Como alguém pode parecer em momentos tão desinteressado e em outros tão focado? Pois é meus amigos, essa é a grande sina do TDAH, e se você como pessoa que trabalha com alguém assim não entender esse paradoxo, pode acabar minando as capacidades da pessoa. Ela vai se sentir tão frustrada por não estar conseguindo se manter nessa régua, que até mesmo os picos de foco em atividades de interesse vão acabar sendo perdidas. Auxiliar o tdah a alternar entre atividades chatas e atividades que o agradam é de grande valia para manter a motivação, como também criar reforços positivos para quando ele conseguir cumprir essas etapas mais complexas. Pessoa com o transtorno tendem a ter ouvido criticas duríssimas durante toda a vida, o que cria uma autoimagem negativa muito forte, principalmente os que descobriram tardiamente. O reforço positivo tem esse papel de manutenção da motivação e como forma de criar uma relação mais próxima também.&lt;/p&gt;

&lt;ul&gt;
&lt;li&gt;Não repare se ele tiver sempre um objeto a mão para 'brincar', isso ajuda com a hiperatividade e com a sensação de tédio existente&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;Façam sessões de trabalho junto com essa pessoa, em silêncio. A sensação de companhia é muito agradável e traz segurança de poder ter alguém por perto para auxiliar, se a pessoa confia em você, dê esse espaço para ela poder pedir ajuda sem constrangimentos(sim, sentimos muita vergonha em pedir ajuda). Se ela te escolheu como 'âncora', alguém que confia de se expor assim, considere-se com sorte!!&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;Alinhamentos constantes é essencial, tanto com a liderança, como com a equipe.&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;Se você pedir algo e ela não fez, ou parece que não escutou quando você chamou, tenha paciência em repetir, não é proposital. A cabeça de uma pessoa tdah tem fluxos intensos de pensamentos, como se estivesse acontecendo ao mesmo tempo um show de metal + carnaval de salvador + caras malhando na academia(BIRLLLLLLLLLLLLL)+ DUZENTAS ABAS DO CHROME abertas e ela esta tentando focar só em uma.&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;Pode ser que ela tome muitas notas em reuniões e conversas, é estratégia para lidar com a falta de memória.&lt;/li&gt;
&lt;/ul&gt;

&lt;p&gt;No mais, se informe bastante e deixe a pessoa confortável em saber que você quer aprender e ajuda-la. Evite comentários sobre como todo mundo é desatento, tem dificuldades de memória e de organização. Sério!!! Não diminua assim o que viver com o TDAH, o que vivemos é real, doloroso, longe de ser algo passageiro assim e que só esforço resolveria. Nos esforçamos todos os dias para nos adequar a um mundo que nos vê como preguiçosos, isso doí bastante.&lt;/p&gt;

</description>
    </item>
    <item>
      <title>Por que decidi contar que sou TDAH já na entrevista, e por que não fiz isso em todos os processos seletivos que participei?</title>
      <dc:creator>Caaddss</dc:creator>
      <pubDate>Thu, 03 Dec 2020 18:40:50 +0000</pubDate>
      <link>https://dev.to/caaddss/por-que-decidi-contar-que-sou-tdah-ja-na-entrevista-e-por-que-nao-fiz-isso-em-todos-os-processos-seletivos-que-participei-4ii</link>
      <guid>https://dev.to/caaddss/por-que-decidi-contar-que-sou-tdah-ja-na-entrevista-e-por-que-nao-fiz-isso-em-todos-os-processos-seletivos-que-participei-4ii</guid>
      <description>&lt;p&gt;A decisão de mudar de emprego não é algo tão fácil e simples de se fazer. Por mais que o mercado esteja super aquecido para as pessoas desenvolvedoras, quando se faz parte de alguma minoria você acaba calculando mais seus passos para um tipo de mudança assim. São diversos riscos como: adaptação, respeito à diversidade, a busca por um lugar seguro para ser o que se é, fora todas as outras variáveis como salário e plano de carreira.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Esse ano foi muito conturbado e eu percebi que eu precisava de uma mudança. Comecei a me sentir estagnada, já não me sentia desafiada no dia a dia. Isso começou a se tornar um problema quando avaliando, eu percebi que estava em um platô. Então começa aquela rotina chata de entrevistas, testes, dinâmicas (sim, dinâmicas) e feedbacks (quando temos sorte de receber).&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Se você me acompanha há algum tempo, sabe que eu sou TDAH e que falo sobre isso abertamente, tanto das 'vantagens' como também das dificuldades que tenho diariamente na minha rotina. E é ai que estava a grande questão que me assombrou por meses: "Como vou tratar sobre isso em um novo lugar?"&lt;br&gt;
Eu descobri sobre o TDAH no meu antigo trabalho, meus colegas não só sabiam disso como também me ajudaram com adaptações para uma rotina que fosse produtiva para todos nós. Isso nunca foi um problema para o time, e eles acompanharam antes de começar o tratamento e depois, ou seja, eles puderam observar o aumento da produtividade com as novas medidas.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Como então chegar em um lugar novo e falar isso? O medo me paralisou por meses antes de realmente me engajar em buscar um novo lugar. Meu primeiro pensamento foi: "Darei meu jeito sem falar nada, e depois eu conto quando passar um tempo"&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;De entrevista em entrevista, de teste em teste, alguns extremamente chatos que já me deram desgosto só de tentar. Se meu dia a dia seria daquele jeito era melhor nem entrar. Claro que eu já estou aqui falando só de empresas comprometidas com diversidade, e que não acham que é nivelar por baixo.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Em todas as entrevistas, eu nunca senti abertura para falar sobre as minhas expectativas, ou até mesmo um certo conforto em estar no ambiente. O que eu quero dizer com isso? Na maioria parecia que as pessoas estavam só escutando para dar respostas padrão, mas não ouvindo para entender e continuar a conversa. Isso já acaba causando um desconforto, principalmente se você é hiperativo e fica com certo receio que percebam isso por causa da sua tendência a interromper pessoas e/ou ter brancos gigantescos. Fora que você percebe porque as respostas não soam coerentes ao que você disse.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Agora vou contar sobre o meu processo seletivo no Pagar-me:&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Antes algumas considerações:&lt;br&gt;
1) Sim, eu vou trabalhar lá.&lt;br&gt;
2) Estou escrevendo ANTES de começar lá pra ninguém falar que houve influência.&lt;br&gt;
3) Sim, eu tive a opção de escolher ir pra outro lugar mas não fui então não é pra puxar saco.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Voltando ao que eu estava falando, em quase todas as etapas tinha ao menos uma mulher participando da conversa, o que é muito legal e acaba te deixando mais confortável. Outra coisa muito bacana é o fato de não rolar aquilo que eu falei lá em cima. Já na primeira entrevista técnica houve uma interação muito legal, eu pude explicar a vivência em um case que eu tive, dificuldades, aprendizados. Tudo virou uma conversa muito espontânea. Parecia que eu estava conversando em um evento com pessoas da área, sabe? Tirou toda aquela pressão de ser entrevista e tal.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Vamos falar sobre o teste:&lt;br&gt;
Bem documentado, bem escrito, e que não deixava margens para interpretações dúbias. Informações importantes destacadas com outra cor, uma maravilha pra todo TDAH, pois já chama a sua atenção pro ponto certo.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Agora, a apresentação do case, que foi efetivamente onde eu contei que sou TDAH.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Com certeza uma das coisas que eu mais tenho dificuldade na vida é colocar meu pensamento difuso em uma formato que faça sentido para outras pessoas, especialmente sabendo que estou sendo avaliada. É muito diferente, por exemplo, de uma palestra ou uma live. Era uma dificuldade a mais.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Obs: Estávamos perto da BF, e essa etapa era a mais longa do processo.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Em nenhum momento me apressaram, mesmo quando eu tive um branco monstro (aqui eu já tinha contado que sou TDAH). A primeira coisa que falaram foi para que ficasse calma, e mesmo quando faziam perguntas elas vinham acompanhadas de uma explicação, então eu conseguia entender a linha de raciocínio por trás e me posicionar ficava mais fácil.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Ai eu disse:&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Olha, estou me sentindo em um ambiente seguro, então eu vou falar, eu tenho déficit de atenção, posso pedir só pra vocês não encadearem mais de uma pergunta na mesma fala, para que eu não me perca?&lt;br&gt;
E NÃO MUDOU A EXPRESSÃO DELES, sim. Foi como se eu tivesse falado que iria beber água.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Mas a postura sim. Imediatamente, começaram a quebrar os blocos de perguntas e falas mais longas, e isso me ajudou demais. Não me aceleravam nos brancos que tive, assim eu pude demonstrar meu conhecimento com mais calma.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Já na outra etapa, eu pude também comentar sobre adaptações na rotina. Foi super aceito de braços abertos e, principalmente abraçado da seguinte forma: Eu não sei muito bem o que é, mas eu quero aprender, e vamos nos ajudando. (confesso que eu fiquei com vontade de chorar nessa hora porque foi muito fofo)&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Então, quando eu tive que escolher pelas ofertas semelhantes, esse foi o grande critério de desempate. Eu ainda não iniciei minha rotina com eles, mas eu sei que vou ser acolhida, que vou ser bem tratada, e que vou poder construir uma história muito bonita com esse time, e sabe por quê? Pois isso começou já no primeiro contato.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Então aqui vão algumas dicas e pensamentos:&lt;br&gt;
1) O nosso TDAH não some só porque não falamos nele. Então, é importante estar em um lugar que saiba aceitar que você tem uma dificuldade a mais, e está tudo bem!!!&lt;br&gt;
2) Observe a postura das pessoas, a atenção que ela está dando para você, seja criterioso quanto a isso. Até porque seus dias serão mais compartilhados com eles do que com a sua própria família.&lt;br&gt;
3) O medo de não ser aceito é paralisante, eu sei. MAS as vezes é melhor já cortar o mal pela raiz. Se você ser TDAH já é um problema na entrevista, o que garante que a sua vida não vai ser um inferno no dia a dia? E isso vale para qualquer coisa que afete o tua rotina: Depressão, Border, Ansiedade, e etc. Se você não sente seguro só vai piorar as suas características que já te causam dificuldades.&lt;br&gt;
4) Somos incríveis e competentes apesar das nossas características.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Bom, por hoje é isso, espero que te ajude de alguma forma. Pode deixar que vou contando aqui como estiver sendo a minha jornada!!&lt;/p&gt;

</description>
    </item>
    <item>
      <title>Consciência Negra</title>
      <dc:creator>Caaddss</dc:creator>
      <pubDate>Fri, 20 Nov 2020 13:03:47 +0000</pubDate>
      <link>https://dev.to/caaddss/consciencia-negra-4ef1</link>
      <guid>https://dev.to/caaddss/consciencia-negra-4ef1</guid>
      <description>&lt;p&gt;Por diversas vezes a vida nos ensina de maneira sutil, mas por outras ela precisa ser mais enérgica para que possamos entender o que realmente importa, sem perder tempo com detalhes que mais distorcem a verdade, e posso dizer que foi isso que ocorreu comigo nos últimos anos.&lt;br&gt;
Se você me acompanha há algum tempo, deve ter percebido que meu posicionamento mudou drasticamente em 2019, e esse texto vai falar sobre isso, então pega seu café, porque hoje precisamos conversar.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Em 2018, dois eventos foram igualmente marcantes, mas de formas opostas. No mesmo ano que falei sobre como é ser mulher negra em TI, com diversos dados da inexistência de uma real igualdade, eu também disse: "Eu sou privilegiada pelo posição que estou hoje, e pelas oportunidades que tive na vida", nunca me arrependi tanto de uma frase proferida por mim, isso ocorreu em julho de 2018. Uma amiga que se importa muito comigo, me disse: "Não se permita ser token, você não está entendendo o quão problemático é isso, mas eu estou aqui para te ajudar. Se cerque de conhecimento sobre suas origens, sobre suas oportunidades, você pode estar onde está, mas ainda vão te lembrar que você é NEGRA e vão tentar te tratar como inferior por isso, e você precisa estar pronta pra isso". Confesso que na época eu achei fatalístico demais, a comunidade me amava, eu já tinha conquistado respeito dos meus pares, eu só precisava agora lutar contra o machismo, avante sempre.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Dia 20 de novembro de 2018, Consciência Negra, foi um dia  em que vi o racismo de uma forma escancarada ser justificado em grupo que deveria se preocupar e proteger minorias. Eu achava que estava protegida ali por ser mulher, mas vi que não era bem vinda por ser negra. Tornou-se tão violento como qualquer outro ambiente que já estive. Nesse dia eu jurei que eu nunca mais me enganaria com discursos de igualdade vazios.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Me debrucei a estudar sobre raça como nunca antes, me alimentei com conhecimento sobre racismo estrutural, arma de domínio, construções sociais que perpetuam essas instituições, estudei autores negros, como também autores brancos(e nesses percebi que o esforço não era tão sincero quanto parecia a um olhar mais desatento)&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Dia 27 de outubro de 2019, um grupo com caso de racismo abafado recebeu um prêmio por 'grandes feitos a comunidade', foi ali que eu tive a minha resposta e entendi que a promessa que eu tinha feito era mais importante que tudo. A mesma amiga que naquela palestra me disse que daria apoio, me deu realmente, e conversou comigo, me deu a mão para que eu não sentisse culpa por me ter acreditado, mas um trabalho interno era preciso.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Um trabalho interno assim só seria mais eficiente se eu soubesse minhas origens, usei todo o meu talento para análise de dados, unido ao hiperfoco do TDAH e tracei os caminhos da minha família até aqui.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Ouvi um dia de minha mãe: "A decisão mais difícil da minha vida foi saber que eu colocaria uma criança de 6 anos em um lugar que ela sofreria racismo diário, mas ao mesmo tempo eu deveria dar uma boa educação para ela ter um futuro"&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Nesse dia eu percebi que não era privilégio, como eu pensava até um certo tempo atrás, nunca foi, sempre custou um preço muito alto. Minha postura mudou, meus estudos mudaram, o que eu aceitei fazer depois disso também, onde frequentar, quem ouvir, quem estaria ao meu lado, tudo muda quando você entende que são os seus contra tudo, que é nós por nós.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;E tudo isso se materializou no que eu disse na BrazilJS OTR Salvador: "A gente PRECISA se fortalecer para estar nesses lugares, a gente precisa se afastar de lugares que não nos respeitam, que não dão o devido valor as nossas dores..."&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;E se você chegou até esse ponto, permita-me lhe dar alguns conselhos:&lt;/p&gt;

&lt;ul&gt;
&lt;li&gt;Esteja entre os seus, pessoas que entendem o que você passa&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;Não se permita ser silenciado, nem que pra isso você precise se afastar, e entenda, isso não é fugir, é se preservar&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;Faça terapia, e de preferência com quem entende que o racismo é real, fere, mata e destrói, você vai precisar disso pra sobreviver nessa selva&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;Não despreze conselhos daqueles que já caminharam em estradas que você ainda vai passar, pode ter certeza, é para o seu bem!!
Não tenha medo de assumir o seu lugar ao sol, não é fácil, mas você vai estar onde precisa estar, mesmo que você não acredite nisso&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;Se uma comunidade se preocupa mais com uma logomarca do que com impactos e feridas que podem causar, não é um lugar saudável. Proteja-se desse tipo de discurso
Dia da consciência negra é um dia para lembrarmos que não podemos desistir, nada mais do que isso.&lt;/li&gt;
&lt;/ul&gt;

</description>
    </item>
    <item>
      <title>Um mar de tecnologias, como aprenderei tudo?</title>
      <dc:creator>Caaddss</dc:creator>
      <pubDate>Mon, 18 May 2020 11:19:34 +0000</pubDate>
      <link>https://dev.to/caaddss/um-mar-de-tecnologias-como-aprenderei-tudo-35io</link>
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      <description>&lt;p&gt;Desde que comecei a estudar programação, eu tive uma certa pressão interna que precisava aprender tudo sobre tudo senão eu nunca seria uma boa programadora e ao observar quem já estava a um tempo inserido na carreira parecia que elas sabiam tantas coisas que não tinha a menor ideia, o que causava a impressão que elas tinham sim estudado tudo sobre tudo.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Com o passar do tempo percebi algumas coisas que foram valiosas para mim e resolvi compartilhar com vocês:&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Entender o nosso foco desde o início é essencial para conseguir organizar os estudos de uma eficaz, sem ficar desesperado e com qualidade.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Muito mais importante do que a quantidade é a qualidade do seu aprendizado, veja bem o que adianta conhecer diversas bibliotecas e linguagens se você não consegue se virar bem em nenhuma? Claro a ideia aqui não é te desmotivar a não estudar outras coisas, mas ter as ferramentas corretas para assim aprender o ‘todo’.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;As linguagens de programação da mesma forma que as línguas de comunicação utilizam de uma característica nossa muito interessante: aprender uma segunda habilidade será baseada no conhecimento da primeira. Quando aprendemos inglês (depois de adultos, nesse caso específico) é muito assertivo quando trabalhamos em entender como é a pronúncia de uma sílaba/letra/fonema na segunda língua, com base na língua nativa, lembra do ‘r’ de porteira/porta/portão puxado que geralmente é usado de exemplo para entender a pronúncia de algumas palavras. Em linguagens de programação isso não é diferente, aprender por similaridades e diferenças é de grande valia, mas para isso é preciso conhecer bem pelo menos uma das ferramentas.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Quando você está trabalhando em um projeto, seja profissional ou para estudar percebemos como as ferramentas se relacionam, então de uma maneira ou de outra você vai acabar entrando em contato com diversas tecnologias no decorrer do seus estudos, não se desespere. Foque em qualidade e não quantidade!!!&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;E por fim, porém não menos importante: Não se compare a ninguém, cada um tem uma jornada, uma história e um foco diferente. Foque no que você quer ser e como quer ser!!!&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Até mais :)&lt;/p&gt;

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      <category>productivity</category>
      <category>braziliandev</category>
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