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    <title>DEV Community: Izaias Miguel</title>
    <description>The latest articles on DEV Community by Izaias Miguel (@izaias_miguel).</description>
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      <title>Resumo: Creative Selection</title>
      <dc:creator>Izaias Miguel</dc:creator>
      <pubDate>Mon, 21 Mar 2022 13:27:06 +0000</pubDate>
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      <description>&lt;p&gt;Esse livro estava em minha estante há uns 2 anos e ainda não tinha conseguido priorizar. Finalmente consegui ler e achei bem interessante, com alguns pontos a compartilhar.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;O livro basicamente conta algumas estórias bem bacanas dos bastidores da criação de novos produtos pela Apple. O autor foi engenheiro de software lá entre 2001 e 2017, passando ainda pelo AirBnB depois disso. &lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Por ter sido escrito por alguém que trabalhou no código de alguns dos principais produtos da Apple no período, o livro traz uma visão mais técnica que me chamou bastante atenção (dada minha formação em Ciência da Computação). Tem até um trecho de código em C++, rs.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;O autor, Ken Kocienda, foi um dos responsáveis pela criação do Safari, do envio e visualização de e-mails em HTML pelo Mail, e pela criação do teclado do iPhone (e mais tarde do iPad). Portanto, produtos essenciais no ecossistema da Apple. &lt;/p&gt;

&lt;p&gt;O Safari foi lançado em 2003 apenas - antes dele, poucas pessoas se lembram, mas o browser do Mac era o Internet Explorer da Microsoft. O teclado era um dos principais riscos para o lançamento do iPhone, pois uma das principais inovações à época era justamente ser um telefone sem teclado, concorrendo com o famoso teclado do Blackberry (além do fato de que o input de dados era um dos principais traumas da Apple em dispositivos móveis, dado que tinha sido um dos principais fatores de insucesso do Newton na década de 90).&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Em resumo, o autor cita como principais fatores de sucesso na criação dos produtos da Apple: a cultura da empresa, a estrutura dos times e o processo de inovação.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Sobre a cultura, ele cita sete elementos essenciais para o sucesso dos softwares da Apple, dando exemplos desses pontos ao longo das estórias, que conta:&lt;/p&gt;

&lt;ul&gt;
&lt;li&gt;Inspiração: pensar em grandes ideias e imaginar o que poderia ser possível&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;Colaboração: trabalhar em conjunto com outras pessoas e buscar combinar suas forças complementares&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;Habilidades (craft): aplicar habilidades para atingir resultados de alta qualidade e sempre tentar fazer melhor&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;Diligência: fazer o trabalho chato necessário e nunca recorrer a atalhos ou meias medidas&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;Agilidade na tomada e decisão (decisiveness): fazer escolhas difíceis e se recusar a atrasar ou procrastinar&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;Gosto (taste): desenvolver um senso refinado de julgamento e achar o equilíbrio que produz um todo prazeroso e integrado&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;Empatia: tentar ver o mundo na perspectiva de outras pessoas e criar um trabalho que se encaixe em suas vidas e se adapte à suas necessidades&lt;/li&gt;
&lt;/ul&gt;

&lt;p&gt;Esses princípios não estavam escritos em lugar nenhum, nem eram passados aos recém-contratados. Mas, fluíam do trabalho tanto top down, a partir da liderança do Steve Jobs, quanto bottom-up, a partir dos engenheiros.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Sobre a estrutura dos times, o autor reforça que sempre eram times muito pequenos, onde os próprios engenheiros eram responsáveis pelo produto, da ideação à codificação - não havia um “product manager”. &lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Apenas 10 pessoas trabalharam no Safari e apenas 25 foram responsáveis por todas as patentes do iPhone. Eles quebravam o software em diversas pequenas partes que se falavam muito pouco. Por exemplo, o Ken como responsável pelo teclado do iPhone, não sabia absolutamente nada sobre o que estava sendo feito em termos de hardware, só trabalhava com um protótipo da tela conectado a um computador. &lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Em relação aos demais softwares do iPhone, a interação de Ken era basicamente fazer com que as pessoas que criavam aplicativos, como Notas e E-mail, usassem o teclado e dessem feedbacks ao longo do uso. Além da compartimentalização em pequenos times, a Apple ainda tinha uma preocupação muito grande com o sigilo, de forma que poucas pessoas tinham acesso ao todo.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;O processo de desenvolvimento é a principal ênfase do livro. O autor cita o processo que ele denominou de “Seleção Criativa”, é basicamente a criação rápida de protótipos que são validados pela alta liderança da empresa, e em alguns momentos pelo próprio Steve Jobs. Esses protótipos são sempre funcionais - eles não “perdem tempo” criando documentos ou protótipos não funcionais, pois segundo ele é muito difícil provar a viabilidade e usabilidade de algo que as pessoas não estão usando. &lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Esse ciclo de criação rápida de protótipos funcionais, feedback pela alta liderança e ajustes no protótipo com base nos feedbacks, permite que o time fique focado em entregar código tendo retornos muito rápidos e foque no que é importante para o usuário, o que casa muito com os princípios de agilidade. &lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Ken cita ainda a diferença dessa abordagem para a de empresas como o Google, que foca muito em fazer testes A/B para tudo e em lançar produtos não tão maduros ainda para receber feedback dos usuários. Na Apple, os próprios times são responsáveis pela tomada de decisão, dado que a cultura é de lançar produtos já maduros e que praticamente não foram testados com usuários “reais” pelo sigilo que a empresa impõe. Essa diferença é muito ressaltada pelos aspectos culturais de decisiveness e taste, onde os próprios engenheiros tomam decisões o tempo todo pelos usuários da Apple.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;O autor ainda dá ênfase às demonstrações de produtos para Steve Jobs. Nessas demonstrações ele sempre estava com a atenção totalmente focada e pedia a opinião do apresentador sobre o que ele achava de algo (ex: retirar um dos dois templates de teclado do iPad). Steve sempre prezava pela simplicidade que ajudava o usuário a usar e retirava toneladas de complexidade do desenvolvimento. Quando pedia a opinião, era para ensinar as pessoas a pensarem sobre o produto com a mesma cabeça que ele, em vez de só dizer como deveria ser. &lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Eram muitas demos, então ele prezava por comunicação direta e concisa, sem rodeios. Além disso, ele sempre dava um foco único para o time - no caso do Safari por exemplo, ele queria que o browser fosse muito mais rápido que os demais, o que fez com que o time focasse totalmente em não adicionar nada que aumentasse o tempo de resposta e trabalhasse arduamente para remover todos os gargalos. &lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Em qualquer atividade complexa, comunicar uma visão bem articulada para o que você está tentando fazer é o ponto inicial para descobrir como fazer. Embora criar essa visão seja difícil, é muito mais difícil completar todo o circuito: ter uma ideia, um plano para realizá-la e executar o plano com altos padrões, tudo sem se atolar ou mudar a direção. &lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Ter um único objetivo para ser excelente é muito importante para atingir a excelência. Quando foi lançado, o Safari era 3x mais rápido que os demais browsers.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;*&lt;em&gt;Conclusão *&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Achei muito legal tanto para conhecer mais a estória de alguns dos produtos mais icônicos da Apple (depois disso não consigo mais digitar no teclado do iPhone sem pensar de forma um pouco mais profunda sobre o que está por trás) quanto por conhecer o interior da Apple. Para mim, ela sempre foi uma das maiores caixas pretas em termos de estrutura e processo de inovação. Vale muito a leitura para quem se interessa pelo tema.&lt;/p&gt;

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