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    <title>DEV Community: Yuri Souza</title>
    <description>The latest articles on DEV Community by Yuri Souza (@yuri_os).</description>
    <link>https://dev.to/yuri_os</link>
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      <url>https://media2.dev.to/dynamic/image/width=90,height=90,fit=cover,gravity=auto,format=auto/https:%2F%2Fdev-to-uploads.s3.us-east-2.amazonaws.com%2Fuploads%2Fuser%2Fprofile_image%2F1505891%2F243deb47-51d3-4a7a-b918-e8892554342d.png</url>
      <title>DEV Community: Yuri Souza</title>
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    <language>en</language>
    <item>
      <title>Pensar demais nem sempre ajuda e o que eu aprendi com isso</title>
      <dc:creator>Yuri Souza</dc:creator>
      <pubDate>Sat, 01 Aug 2026 10:57:53 +0000</pubDate>
      <link>https://dev.to/he4rt/pensar-demais-nem-sempre-ajuda-e-o-que-eu-aprendi-com-isso-49pp</link>
      <guid>https://dev.to/he4rt/pensar-demais-nem-sempre-ajuda-e-o-que-eu-aprendi-com-isso-49pp</guid>
      <description>&lt;p&gt;Às vezes, a maior barreira para começar um projeto não é a complexidade do problema, mas a busca por uma solução perfeita antes mesmo da primeira linha de código.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Na semana passada decidi criar um pacote Laravel para integrar a API do Asaas.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;A ideia parecia simples: construir algo reutilizável para projetos futuros e, de quebra, aprender mais sobre desenvolvimento de pacotes.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Foi então que eu:&lt;/p&gt;

&lt;ol&gt;
&lt;li&gt;Abri a IDE e comecei a criar um cliente HTTP simples para a API da Asaas.&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;15 minutos depois, eu já estava pesquisando sobre arquitetura de pacotes open source.&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;Pensei em DTOs.&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;Pensei em interfaces.&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;Pensei em Services&lt;/li&gt;
&lt;/ol&gt;




&lt;h2&gt;
  
  
  O que eu entendia por "perfeito"?
&lt;/h2&gt;

&lt;p&gt;Na minha cabeça, um projeto bem feito precisava nascer parecido com os grandes projetos open source que eu admirava.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Antes mesmo de validar a ideia, eu já pensava na arquitetura, na escalabilidade e em como aquele pacote pareceria para quem abrisse o repositório. E em outros cenários como:&lt;/p&gt;

&lt;ul&gt;
&lt;li&gt;pensar na mesma arquitetura que grandes projetos usam antes de ter o primeiro caso de uso funcionando;&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;tentar abordar todos os pontos da API da Asaas logo no começo, mesmo sem saber quais eu realmente ia usar;&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;imaginar os atrativos que meu pacote teria para outros quererem usá-lo, antes de ele fazer qualquer coisa útil.&lt;/li&gt;
&lt;/ul&gt;

&lt;p&gt;No papel, parecia que eu estava pensando como alguém mais experiente, mas na prática, eu estava:&lt;/p&gt;

&lt;blockquote&gt;
&lt;p&gt;apenas adiando a parte mais importante que era escrever código que resolvesse um problema real.&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;




&lt;h2&gt;
  
  
  O custo disso na prática
&lt;/h2&gt;

&lt;p&gt;O curioso é que eu terminava o dia com a sensação de que tinha trabalhado bastante. Tinha lido sobre arquitetura, desenhado camadas, esboçado interfaces.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Só que, olhando para o projeto, praticamente nada tinha sido construído:  nenhuma requisição enviada, nenhum teste rodando, nenhuma prova de que qualquer uma daquelas decisões fazia sentido.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Com o tempo, isso começou a gerar um padrão: &lt;/p&gt;

&lt;ul&gt;
&lt;li&gt;Mais tempo buscando a estrutura "perfeita" do que resolvendo o problema real; &lt;/li&gt;
&lt;li&gt;Código difícil de entender por estar "bem arquitetado" demais, cedo demais;&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;Medo de refatorar algo que ainda nem tinha provado valor; &lt;/li&gt;
&lt;li&gt;Uma frustração crescente por sentir que eu não estava evoluindo, só girando em torno da mesma decisão de design.&lt;/li&gt;
&lt;/ul&gt;

&lt;p&gt;Não era falta de qualidade. Era complexidade antecipada.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;a href="https://media2.dev.to/dynamic/image/width=800%2Cheight=%2Cfit=scale-down%2Cgravity=auto%2Cformat=auto/https%3A%2F%2Fdev-to-uploads.s3.us-east-2.amazonaws.com%2Fuploads%2Farticles%2F7k149dylxa01anrsh8v2.png" class="article-body-image-wrapper"&gt;&lt;img src="https://media2.dev.to/dynamic/image/width=800%2Cheight=%2Cfit=scale-down%2Cgravity=auto%2Cformat=auto/https%3A%2F%2Fdev-to-uploads.s3.us-east-2.amazonaws.com%2Fuploads%2Farticles%2F7k149dylxa01anrsh8v2.png" alt="Infográfico comparando duas abordagens no desenvolvimento de software: planejar abstrações e arquitetura antes da implementação versus resolver primeiro o problema real e deixar a arquitetura evoluir conforme o projeto cresce." width="800" height="533"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;




&lt;h3&gt;
  
  
  O que eu estava realmente evitando?
&lt;/h3&gt;

&lt;p&gt;Foi só depois que comecei a me perguntar outra coisa: por que eu estava tão preso nisso?&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Algumas hipóteses:&lt;/p&gt;

&lt;ul&gt;
&lt;li&gt;  Eu estava evitando escrever código que eu soubesse, de antemão, que ia precisar refatorar depois?&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;  Eu tinha medo de escrever algo "ruim" e isso aparecer publicamente num repositório open source?&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;  Eu queria provar, pra mim mesmo, que conseguia arquitetar "como um sênior" antes mesmo de ter o problema resolvido?&lt;/li&gt;
&lt;/ul&gt;

&lt;p&gt;A resposta provavelmente era um pouco de cada uma. E nenhuma delas tinha relação com o problema que o pacote deveria resolver.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Só bem depois entendi que, no fundo, eu confundia complexidade com maturidade técnica.&lt;/p&gt;




&lt;h2&gt;
  
  
  O aprendizado que começou a aparecer
&lt;/h2&gt;

&lt;p&gt;Enquanto refletia sobre isso, lembrei de uma frase que minha mãe repetia desde que eu era pequeno:&lt;/p&gt;

&lt;blockquote&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;"Antes feito do que perfeito."&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;

&lt;p&gt;Sempre achei que essa frase servia para tarefas do dia a dia, como arrumar o quarto, terminar um trabalho da escola. Nunca imaginei que ela fizesse tanto sentido ao escrever software.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Junto com ela, veio outra ideia:&lt;/p&gt;

&lt;blockquote&gt;
&lt;p&gt;Bons sistemas não nascem perfeitos. Eles evoluem.&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;

&lt;p&gt;Nenhum dos projetos open source que eu admirava nasceu com a arquitetura que tem hoje; todos passaram por versões mais simples, mais cruas, que foram se modificando à medida que o uso real foi aparecendo.&lt;/p&gt;

&lt;blockquote&gt;
&lt;p&gt;Qualidade não está em prever todos os cenários.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Qualidade está em escrever código que consiga mudar quando esses cenários realmente aparecerem.&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;

&lt;p&gt;Foi só quando parei de procurar a arquitetura perfeita que finalmente escrevi minha primeira requisição de verdade para a API.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Antes mesmo de escrever a primeira integração, era assim que eu imaginava o pacote:&lt;br&gt;
&lt;/p&gt;

&lt;div class="highlight js-code-highlight"&gt;
&lt;pre class="highlight php"&gt;&lt;code&gt;&lt;span class="nc"&gt;CustomerService&lt;/span&gt;
        &lt;span class="err"&gt;↓&lt;/span&gt;
&lt;span class="nc"&gt;AsaasClient&lt;/span&gt;
        &lt;span class="err"&gt;↓&lt;/span&gt;
&lt;span class="nc"&gt;CreateCustomerDTO&lt;/span&gt;
        &lt;span class="err"&gt;↓&lt;/span&gt;
&lt;span class="nc"&gt;Response&lt;/span&gt;
&lt;/code&gt;&lt;/pre&gt;

&lt;/div&gt;



&lt;p&gt;Mas não comecei com uma arquitetura cheia de camadas. Comecei com algo assim:&lt;br&gt;
&lt;/p&gt;

&lt;div class="highlight js-code-highlight"&gt;
&lt;pre class="highlight php"&gt;&lt;code&gt;&lt;span class="nv"&gt;$asaas&lt;/span&gt;&lt;span class="o"&gt;-&amp;gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="nf"&gt;customers&lt;/span&gt;&lt;span class="p"&gt;()&lt;/span&gt;&lt;span class="o"&gt;-&amp;gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="nf"&gt;create&lt;/span&gt;&lt;span class="p"&gt;([&lt;/span&gt;
    &lt;span class="s1"&gt;'name'&lt;/span&gt; &lt;span class="o"&gt;=&amp;gt;&lt;/span&gt; &lt;span class="s1"&gt;'Yuri Souza'&lt;/span&gt;&lt;span class="p"&gt;,&lt;/span&gt;
    &lt;span class="s1"&gt;'cpfCnpj'&lt;/span&gt; &lt;span class="o"&gt;=&amp;gt;&lt;/span&gt; &lt;span class="s1"&gt;'12345678909'&lt;/span&gt;&lt;span class="p"&gt;,&lt;/span&gt;
&lt;span class="p"&gt;]);&lt;/span&gt;
&lt;/code&gt;&lt;/pre&gt;

&lt;/div&gt;



&lt;p&gt;Desde então, passei a repensar algumas atitudes:&lt;/p&gt;

&lt;ul&gt;
&lt;li&gt;  resolver o problema atual com clareza antes de pensar no próximo;&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;  manter o código simples, legível e testável;&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;  criar abstrações apenas quando um padrão se repete de fato, não quando eu imagino que ele vai se repetir;&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;  aceitar que refatorar faz parte do processo, não uma falha dele.&lt;/li&gt;
&lt;/ul&gt;

&lt;p&gt;Não se trata de abandonar boas práticas, mas de aplicá-las &lt;strong&gt;no momento certo&lt;/strong&gt;.&lt;/p&gt;




&lt;h2&gt;
  
  
  O equilíbrio que estou buscando hoje
&lt;/h2&gt;

&lt;p&gt;Hoje tento encontrar um equilíbrio entre dois extremos: nem escrever código sem critério, nem criar uma arquitetura complexa antes que ela seja necessária.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;No próprio pacote do Asaas isso já mudou a forma como estou trabalhando.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Hoje, a decisão que tomei foi outra: começar pelo caminho mais curto possível.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Primeiro quero que o pacote consiga conversar com a API e validar os casos de uso mais importantes. Só então vou descobrir quais abstrações realmente fazem sentido.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Em vez de tentar prever a arquitetura que o projeto terá daqui a um ano, prefiro deixar que ela se desenvolva à medida que novos problemas surgirem.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Foi aí que entendi uma coisa importante:&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Arquitetura não é algo que eu preciso descobrir antes de começar. É algo que o próprio projeto vai mostrando à medida que cresce.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;




&lt;h2&gt;
  
  
  Conclusão
&lt;/h2&gt;

&lt;p&gt;Ainda estou no começo desse pacote, e ainda estou aprendendo isso na prática, errando e ajustando no caminho.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Mas entender que "perfeição antecipada" pode virar um problema já foi um passo importante na minha evolução como desenvolvedor. O projeto do pacote Asaas não precisa da arquitetura perfeita logo de início; precisa apenas da primeira implementação. O resto vai aparecer conforme o uso real for mostrando o caminho.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Hoje prefiro um código simples que aceite mudanças a uma arquitetura impecável que resista a qualquer alteração.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Se você também já caiu nessa armadilha da arquitetura perfeita antes da hora, quero saber: como você percebeu e o que fez para sair dela?&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;A discussão continua nos comentários. Quero muito conhecer outras experiências e perspectivas sobre esse tema.&lt;/p&gt;




&lt;p&gt;Agradecimentos: obrigado a &lt;a class="mentioned-user" href="https://dev.to/vitoriazzp"&gt;@vitoriazzp&lt;/a&gt; pelo feedback sincero e pelas sugestões que ajudaram a tornar este artigo mais claro e útil.&lt;/p&gt;

</description>
      <category>braziliandevs</category>
      <category>productivity</category>
      <category>career</category>
      <category>discuss</category>
    </item>
    <item>
      <title>Por que eu começo 10 projetos e não termino nenhum?</title>
      <dc:creator>Yuri Souza</dc:creator>
      <pubDate>Sun, 05 Apr 2026 23:48:52 +0000</pubDate>
      <link>https://dev.to/he4rt/por-que-eu-comeco-10-projetos-e-nao-termino-nenhum-1139</link>
      <guid>https://dev.to/he4rt/por-que-eu-comeco-10-projetos-e-nao-termino-nenhum-1139</guid>
      <description>&lt;p&gt;Você já passou uma tarde inteira configurando um projeto novo, escolhendo a stack, criando o repositório, estruturando as pastas e sentiu que estava &lt;em&gt;voando&lt;/em&gt;? Aquela sensação de que dessa vez vai ser diferente, que essa ideia é boa demais pra morrer na gaveta? Eu também. O problema é que dois dias depois eu estava fazendo exatamente a mesma coisa, só que com outra ideia.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Se você se identificou, esse artigo é pra você. Não porque eu tenho a solução mágica, mas porque finalmente entendi o mecanismo por trás disso. E entender já muda muita coisa.&lt;/p&gt;

&lt;h2&gt;
  
  
  Table of contents
&lt;/h2&gt;

&lt;ul&gt;
&lt;li&gt;O prazer de começar&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;O momento em que tudo desmorona&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;O objeto brilhante&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;A culpa que ninguém fala&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;Não é preguiça. É neurologia.&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;Conclusão&lt;/li&gt;
&lt;/ul&gt;




&lt;h2&gt;
  
  
  O prazer de começar
&lt;/h2&gt;

&lt;p&gt;Tem algo muito específico que acontece quando você começa um projeto novo.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;O problema ainda não existe de verdade. Tudo é possibilidade. Você ainda não encontrou o bug impossível de reproduzir, ainda não percebeu que a arquitetura que escolheu não escala, ainda não chegou na parte chata de fazer o CRUD de usuário pela décima vez na vida.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Nessa fase, o cérebro libera dopamina. Bastante. A antecipação de uma recompensa futura ativa os mesmos circuitos que uma conquista real. Ou seja: &lt;strong&gt;só de imaginar o projeto funcionando, você já sente parte da recompensa.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Isso explica o prazer visceral do setup. Escolher o nome do repositório, montar a estrutura de pastas, escrever o README antes de ter uma linha de código que funciona... tudo isso alimenta aquela sensação.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;O problema? É que ela passa.&lt;/p&gt;




&lt;h2&gt;
  
  
  O momento em que tudo desmorona
&lt;/h2&gt;

&lt;p&gt;Existe um ponto específico em todo projeto onde a magia some. Eu chamo de &lt;strong&gt;o vale do tédio&lt;/strong&gt;.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;É quando você já sabe o que precisa fazer, mas o trabalho deixou de ser estimulante. As decisões arquiteturais foram tomadas. O setup tá pronto. Agora é só... executar. Implementar a feature chata. Escrever o teste. Lidar com o caso que você não previu.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Para a maioria das pessoas, esse momento é desconfortável mas passável. Você empurra, entrega, segue.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Para alguns cérebros, incluindo o meu, esse momento é quase fisicamente doloroso. Não é falta de vontade. É que o sistema de recompensa do cérebro simplesmente não libera o combustível necessário pra continuar uma tarefa que deixou de ser nova.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;E aí começa o ciclo de autos sabotagem mais clássico do mundo do dev:&lt;/p&gt;

&lt;blockquote&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;"Antes de continuar, vou refatorar essa parte aqui."&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;em&gt;"Preciso repensar a arquitetura antes de avançar."&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;em&gt;"Deixa eu criar um boilerplate melhor pra usar nos próximos projetos."&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;

&lt;p&gt;Você não está sendo preguiçoso. Você está inconscientemente procurando a dopamina do recomeço dentro do próprio projeto.&lt;/p&gt;




&lt;h2&gt;
  
  
  O objeto brilhante
&lt;/h2&gt;

&lt;p&gt;E então aparece. Uma ideia nova.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Pode ser um problema que você viu no trabalho, uma conversa no Twitter, um repositório no GitHub que te inspirou. De repente, aquela ideia nova parece &lt;strong&gt;muito mais interessante&lt;/strong&gt; do que o projeto que você abandonou no vale do tédio.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;E ela realmente é, pelo mesmo motivo que o projeto anterior era interessante no início. Ela ainda não tem o peso da implementação. Ainda não tem os bugs, as decisões difíceis, o trabalho repetitivo.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Esse fenômeno tem um nome informal: &lt;strong&gt;Síndrome do Objeto Brilhante&lt;/strong&gt;. E ele é mais intenso em cérebros que têm dificuldade de regular dopamina naturalmente.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;O que acontece na prática? O projeto antigo não morre oficialmente. Ele só vai pra uma pasta chamada &lt;code&gt;projetos/&lt;/code&gt; e fica lá, acumulando poeira junto com outros oito projetos que passaram pelo mesmo ciclo.&lt;/p&gt;




&lt;h2&gt;
  
  
  A culpa que ninguém fala
&lt;/h2&gt;

&lt;p&gt;Aqui está a parte que eu não via ninguém discutir: &lt;strong&gt;a culpa.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Porque quando você abandona um projeto, você não apenas perde o projeto. Você coleciona evidência contra si mesmo.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;em&gt;"Eu nunca termino nada."&lt;/em&gt;&lt;br&gt;
&lt;em&gt;"Eu começo cheio de energia e nunca entrego."&lt;/em&gt;&lt;br&gt;
&lt;em&gt;"Por que eu deveria começar esse projeto se vou abandonar igual aos outros?"&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;E essa narrativa é perigosa por dois motivos.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Primeiro, porque ela não é completamente verdadeira. Você provavelmente termina muita coisa, no trabalho, em tarefas com prazo real, em situações onde tem alguém esperando. O problema não é terminar em si. É terminar coisas que dependem 100% da sua motivação interna, sem deadline, sem stakeholder, sem pressão externa.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Segundo, você começa a acreditar que não é capaz de terminar, então para de tentar de verdade, e aí realmente não termina. O ciclo se fecha.&lt;/p&gt;




&lt;h2&gt;
  
  
  Não é preguiça. É neurologia.
&lt;/h2&gt;

&lt;p&gt;Vou ser direto: se você se reconheceu em tudo que eu escrevi acima, há uma chance real de que seu cérebro simplesmente funciona de um jeito diferente da média.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Tem um tipo de cérebro que odeia repetição mas ama coisa nova. Não é fraqueza, é como ele funciona. O problema é que todo projeto tem uma fase nova e uma fase chata — e esse cérebro simplesmente apaga na segunda.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Não é falta de disciplina. É que o combustível que o seu cérebro usa pra manter o foco não funciona igual ao de todo mundo.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;A diferença entre entender isso e não entender é enorme. Quando você não entende, você passa anos se achando preguiçoso, incompetente, incapaz de terminar o que começa e quando entende você começa a fazer perguntas diferentes:&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;em&gt;"Como eu estruturo esse projeto pra ter recompensas menores e mais frequentes?"&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;em&gt;"Como eu crio pressão externa pra compensar a falta de pressão interna?"&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;em&gt;"Qual é o menor projeto possível que ainda entrega valor?"&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Não são perguntas fáceis de responder. Mas são as perguntas certas.&lt;/p&gt;




&lt;h2&gt;
  
  
  Conclusão
&lt;/h2&gt;

&lt;p&gt;Eu ainda começo projetos demais. Provavelmente sempre vou começar. Mas aprendi a parar de tratar isso como um defeito de caráter e passei a tratar como uma característica que precisa de estratégia.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;O problema nunca foi a quantidade de projetos que eu começo. Foi a narrativa que eu construí em volta dos que eu não terminei.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Se você chegou até aqui e se reconheceu em alguma parte desse texto: você não está sozinho. E você provavelmente é melhor em começar coisas do que 90% das pessoas. Isso não é pouco, é uma habilidade real, que só precisa de direção.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;O próximo projeto vai começar. A questão é o que você vai fazer diferente dessa vez.&lt;/p&gt;




&lt;p&gt;&lt;em&gt;Escrito por alguém que tem pelo menos dez pastas &lt;code&gt;projetos/&lt;/code&gt; abertas no VS Code agora mesmo.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;

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      <category>beginners</category>
      <category>braziliandevs</category>
      <category>productivity</category>
      <category>writing</category>
    </item>
    <item>
      <title>[Boost]</title>
      <dc:creator>Yuri Souza</dc:creator>
      <pubDate>Tue, 24 Mar 2026 02:07:01 +0000</pubDate>
      <link>https://dev.to/yuri_os/-3fcf</link>
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            Construí um gerador de playlists no Spotify com Claude - DEV Community
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        &lt;/h2&gt;
          &lt;p class="truncate-at-3"&gt;
            Eu queria digitar “noite chuvosa, meio melancólica” e receber uma playlist perfeita. Então eu...
          &lt;/p&gt;
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