Atualmente, diante dos inúmeros avanços tecnológicos, um dos fenômenos mais marcantes são as redes sociais, que se apresentam como algo ao mesmo tempo fascinante e perigoso. Observadas de fora as redes podem ser comparadas a um tormento constante na mente daqueles que já sucumbiram ao vício e ao descontrole emocional que essas plataformas provocam. Embora eu as utilize diariamente, logo no início do meu contato com esse “mundo social” percebi algo no mínimo estranho: pessoas discutindo assuntos que dificilmente seriam debatidos fora das redes. Presenciei pessoas escrevendo declarações absurdas e disseminando preconceito e ódio, amparados pela sensação de anonimato e, consequentemente, pela falsa ideia de impunidade (algo que infelizmente acontece muito nas redes). Além disso, notei que muitas pessoas fazem críticas a questões fúteis e sem relevância alguma, feitas apenas com o intuito de transmitir uma imagem de diferenciação (querer a todo momento ser diferente) em relação aos demais. Com base nessa vivência, percebi desde cedo os perigos associados às redes sociais, seja pela forma como fui criado, seja pelo meu próprio modo de ser. Desde muito jovem, sempre considerei absurdo o ódio, as reclamações constantes e a violência verbal gratuita existente nas redes sociais.
Contudo, também acabei sendo atingido por um “agente passivo”, um verdadeiro “ladrão imperceptível”, capaz de capturar a atenção de maneira tão sutil que, em pouco tempo, o usuário se vê envolvido sem sequer perceber. Independentemente do tipo de conteúdo consumido, as redes sociais se infiltram na mente de uma pessoa de tal forma que assistir a vídeos curtos ou publicar algo passa a ser quase tão essencial quanto comer ou beber água. Quando me dei conta dessa influência, ainda não era tarde, mas já percebia que passava horas diante da tela, acompanhando vídeos, discussões e conflitos sobre temas irrelevantes, além de consumir conteúdos pelos quais não tinha real interesse. Ainda assim, algo me mantinha preso naquele ciclo: mais curtidas, mais recomendações e, consequentemente, mais tempo dedicado aos aplicativos.
Diante disso, decidi não apenas por um fim a esse comportamento, mas promover um recomeço. Até então, havia apresentado apenas uma visão negativa das redes sociais e assim, tentei buscar aspectos positivos em meio a esse cenário caótico e também tentar não dedicar tantas horas do meu dia a algo que me oferecia pouco conhecimento, emoções negativas e discussões desnecessárias. Entendi então que deveria existir uma luz nesse quarto escuro, e ela de fato existia. Percebi que o algoritmo, responsável por recomendar conteúdos alinhados exatamente aos interesses do usuário, também pode ser utilizado para beneficio próprio. Entendi que existe sim conteúdos construtivos, capazes de contribuir tanto para o crescimento profissional quanto pessoal, assim como pessoas que não propagam ódio ou preconceito apenas por discordarem de diferentes pontos de vista. Com isso, passei a compreender por que tantos buscam um vilão nas narrativas apresentadas pelas redes. A partir desse ponto entendi finamente que, na sociedade atual, torna-se cada vez mais necessário desenvolver o autocontrole e a capacidade de compreender as próprias emoções de forma consciente. Não faz sentido despejar ódio sobre alguém que você sequer conhece simplesmente porque aquela pessoa discorda de coisas como, preferências culturais, religiosas ou pessoais. Ao reconhecer que cada ser humano possui sentimentos semelhantes como raiva, frustração, felicidade, amor, tristeza, inveja, medo e surpresa, é possível se libertar desse ciclo e compreender o quão fúteis e desnecessários são muitos desses conflitos.
Eu acredito que dentro de cada indivíduo, exista uma mente brilhante, livre de preconceitos, que anseia por adquirir muito conhecimento, evoluir e ser melhor a cada dia. Trata-se de uma consciência que erra, aprende com os próprios equívocos e, ainda assim, volta a errar, em um processo continuo de evolução. Porém eu também acredito que essa capacidade vem sendo gradualmente deixada de lado e esquecida, seja por influências negativas, diretas ou indiretas, seja por interpretações erradas ou frustrações acumuladas. Infelizmente, em algumas pessoas, essa chama foi apagada por elas mesmas, contudo, em algum momento ela existiu de forma livre e ainda que brevemente, conseguiu saciar, ao menos em parte, sua sede por conhecimento.
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