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Rafael Cavalcante
Rafael Cavalcante

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As quatro áreas que considero quando monto uma trilha de carreira para engenharia de software

Quando atuei como Engineering Manager na Doris – hoje sou líder técnico – sempre que fazia um one-on-one com alguém eu percebia que as anotações de feedback resolviam o problema na hora mas no fim de toda reunião parecia que algo estava faltando ou que não estava certo.

A partir desse momento comecei a pressionar a balança do que eu fazia no dia-a-dia para deixar mais espaço para começar a de fato atuar como gestor e programar menos – já que dependendo do tamanho da empresa muitos cargos de gestão e direção como CTOs, CIOs e EMs acabam colocando muito tempo executando uma função de engenharia, deixando de pavimentar um caminho futuro para se apoiar no presente – e comecei a pesquisar mais sobre a posição que ocupava, quais eram as responsabilidades, etc.

Após pesquisar conteúdo em blogs, newsletters, livros e canais – você pode conferir algumas na minha página de sugestões – eu entendi que o primeiro passo para organizar a equipe era montar a trilha de carreira e entendi que a melhor opção era começar pelas características de um cargo que na maior parte dos anúncios de vagas são meramente hard skills.

Depois de caminhar com a pesquisa consegui chegar em quarto diferentes áreas:

  • Responsabilidade/Capacidade
  • Hard Skills
  • Soft Skills
  • Cultura

Dentro dessas áreas eu consigo distribuir todos os requisitos que uma pessoa precisa ter para migrar de nível, de área ou como se encaixa durante o recrutamento. Para ajudar o entendimento, vou aprofundar melhor cada um desses itens com algumas perguntas já com a intenção pavimentar caminho para meu próximo texto que abordará uma proposta de trilha para uma pessoa engenheira de software

Responsabilidade e capacidade

O que essa pessoa pode esperar do seu dia-a-dia e como deve se posicionar ativamente com outros colegas de equipe.

  • Que tipo de trabalho essa pessoa vai executar? Ela vai trabalhar em pequenas funcionalidades e alterações ou será referência e supervisão técnica de um projeto ou produto grande?
  • Ela trabalha sozinha? É supervisionada por alguém com mais experiência/contexto? Atua como terceiro e quarto braço de alguma liderança? Ela lidera ou supervisiona projetos, produtos, funcionalidades ou equipes?
  • Essa pessoa tem o dever de organizar alguma coisa que normalmente fica de fora do escopo da área, como por exemplo um líder técnico acompanhar se as estimativas de entrega estão de acordo com o andamento atual?
  • Essa pessoa deve conseguir se aprofundar em escopos muito abertos ou trabalhará somente com escopos mais fechados e bem definidos?
  • Como ela trabalha com conhecimento e contexto? Ela deve mais aprender ou ensinar? Ou talvez ambos?

Hard skills

Conhecimentos técnicos gerais ou experiências com cenários de uso comum em projetos e produtos da empresa.

  • Experiência com micro frontends
  • Experiência com APIs de câmera, áudio e vídeo
  • Experiência com sistemas multi-tenant
  • Experiência com sistemas de filas
  • Experiência com CI/CD
  • Experiência com testes
  • Experiência com linguagens de programação e frameworks específicos

Soft skills

  • Se comunicar de forma clara, objetiva e assíncrona – como exemplificado no nohello.net
  • Manter documentos, pesquisas e documentações vivas sempre atualizadas
  • Fazer perguntas até entender que tem todas as informações necessárias para atuar
  • Dá visibilidade para o restante da equipe de como seu trabalho está ou até o trabalho da equipe
  • Busca e dá feeedbacks constantes tanto verticalmente quanto horizontalmente

Cultura

Tudo que é parte da cultura da empresa e faz com que a pessoa se encaixe. Normalmente são pontos que são de fatos cultura da empresa mas não se encaixam na parte de soft skills e que complementam os itens em responsabilidade e capacidade.

  • Se colocar no lugar do usuário final em tudo que faz
  • Mentalidade de escoteiro: deixa tudo sempre melhor do que encontrou
  • Busca sempre ajudar outras pessoas da equipe
  • Ser capaz de aprender com erros alheios e também errors próprios
  • Busca e propõe soluções que atacam o problema pela raiz e não os sintomas

Esse conteúdo é parte de uma série de textos que vou escrever abordando trilhas para engenharia de software, de estágio até ICs e gestão sênior. Esse conteúdo também ficará disponível no meu futuro Zettelkasten .

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Das quatro áreas, responsabilidade/capacidade é a única que muda de forma quando a pessoa vai para gestão. Hard skill, soft skill e cultura você descreve de um jeito que serve para os dois lados. Escopo e autonomia não: o que é escopo grande para um staff é outra coisa para um EM.

Ficou uma dúvida prática. Quando você monta a trilha, esse eixo vira duas réguas a partir de um certo nível, ou continua uma régua só com exemplos diferentes?

Pergunto porque você escreveu isso tendo feito o caminho de EM para líder técnico. Esse trecho é o que eu mais queria ler na série. Chegou a sair em algum lugar?