Recomeçar na área de tecnologia depois dos 40 costuma vir carregado de expectativas — muitas delas irreais.
Este texto não é um guia rápido, nem uma promessa de sucesso. É um relato técnico-reflexivo sobre processo, base e decisões que realmente importam quando se está migrando para a TI mais tarde.
Meu nome é André Blos Aliatti e comecei essa transição de forma estruturada em 2024, depois de uma ruptura profissional e pessoal. Ao longo desse início de jornada, algumas ideias se mostraram muito diferentes do que normalmente se encontra em conteúdos sobre “entrar na área”.
O mito do mercado aquecido
É comum ouvir que a tecnologia é um setor em constante crescimento, com alta demanda e boas oportunidades. Isso é verdade — mas incompleta.
O ponto que raramente aparece é o nível de complexidade do processo de entrada.
No início, eu acreditava que bastava escolher uma área (backend, frontend, dados, etc.) e estudar com dedicação. Rapidamente ficou claro que o problema não era esforço, mas falta de estrutura.
Algumas dificuldades comuns nesse estágio:
- não saber por onde começar de forma consistente
- confundir ferramentas com fundamentos
- estudar muito e sentir pouco progresso
- não conseguir avaliar a própria evolução
Quando isso acontece, o estudo deixa de ser produtivo e passa a gerar ansiedade.
Faculdade não prepara, mas cria base
Existe uma crítica recorrente à formação acadêmica em tecnologia: “faculdade não ensina o que o mercado pede”.
A crítica tem fundamento — mas perde um ponto essencial.
A faculdade não prepara diretamente para o mercado, mas sustenta o aprendizado ao longo do tempo.
Conceitos como:
- lógica de programação
- algoritmos
- estruturas de dados
- abstração e decomposição de problemas
parecem simples no começo, mas são exatamente eles que permitem evoluir depois, entender sistemas maiores e resolver problemas reais.
Ignorar essa base costuma cobrar um preço mais adiante.
Estudar sem direção é um erro comum
Um dos maiores erros no início da jornada é confundir volume de estudo com progresso.
Durante meses, estudei linguagens, frameworks e conceitos de forma fragmentada. Aprendia partes isoladas, mas não conseguia conectar o todo.
A lição foi clara:
Estudar tecnologia sem objetivo definido não acelera a aprendizagem.
Apenas aumenta a frustração.
Direção importa mais do que quantidade. Um caminho claro reduz ruído, ansiedade e retrabalho.
Idade não é o principal obstáculo
Quem migra para TI depois dos 40 normalmente carrega uma dúvida constante:
“Será que não estou começando tarde demais?”
Na prática, o maior problema não é a idade, mas a estratégia adotada.
O que costuma atrapalhar mais:
- tentar avançar rápido demais
- pular fundamentos para “ganhar tempo”
- comparar o próprio início com profissionais mais experientes
Recomeçar mais tarde exige outro ritmo: mais foco, mais planejamento e menos ilusão de atalhos.
Quando bem usada, a maturidade ajuda a lidar melhor com frustração, disciplina e consistência.
Aprendizados iniciais que fazem diferença
Alguns pontos que teriam ajudado muito no começo:
Faculdade não forma sozinha, mas dá sustentação
Errar de área faz parte do processo
Linguagem não define carreira; entendimento sim
Pressa gera dívida técnica pessoal
Construir devagar costuma ser mais eficiente no longo prazo
Esses aprendizados não eliminam as dificuldades, mas tornam o caminho mais claro.
Conclusão
Este texto não é sobre sucesso rápido.
É sobre construção consciente.
Não sou professor.
Não vendo curso.
Não sou coach.
Sou alguém em formação, compartilhando uma jornada real na tecnologia, com erros, ajustes e aprendizados práticos.
Se você também está recomeçando na TI — especialmente mais tarde — clareza e base tendem a ser mais importantes do que velocidade.
André Blos Aliatti é desenvolvedor em construção, compartilhando sua jornada real na tecnologia, com foco em backend, frontend e projetos práticos.
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