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Regiões e Zonas de Disponibilidade na Magalu Cloud: como pensar resiliência desde o início

Ao criar uma aplicação na nuvem, é comum focar primeiro no código, no sistema operacional ou no tipo de máquina virtual. No entanto, muitas indisponibilidades em produção não estão ligadas à aplicação em si, mas à forma como a infraestrutura foi planejada.

Pensar em resiliência desde o início significa entender onde seus recursos estão rodando fisicamente e como eles se comportam diante de falhas. Na Magalu Cloud, esse planejamento começa com dois conceitos fundamentais: Regiões e Zonas de Disponibilidade (Availability Zones).

Neste artigo, você vai entender como esses conceitos funcionam na prática e, ao final, aplicar esse conhecimento em um hands-on técnico, criando uma VM já preparada para cenários de falha e recuperação.


Conceito

Uma Região é uma área geográfica que concentra um ou mais datacenters. Na Magalu Cloud, as regiões estão localizadas no Brasil, o que garante menor latência, conformidade com a legislação nacional e maior previsibilidade operacional.

Dentro de cada região existem as Zonas de Disponibilidade (AZs). Cada AZ é um ambiente físico independente, com energia, refrigeração e conectividade próprias. Mesmo estando na mesma região, as zonas são isoladas entre si para reduzir o impacto de falhas físicas ou operacionais.

De forma simples, a região define onde sua aplicação está localizada, enquanto as zonas definem como ela pode se manter disponível mesmo quando algo não sai como esperado.


Quando pensar em Zonas de Disponibilidade

A escolha correta de região e zona é especialmente importante quando:

  • Sua aplicação não pode ficar indisponível por longos períodos
  • Você quer reduzir o impacto de falhas de infraestrutura
  • O ambiente tende a crescer com o tempo
  • Existe necessidade de recuperação rápida após erros ou manutenções

Mesmo em projetos pequenos ou ambientes de teste, entender essas decisões desde o início evita retrabalho e limitações futuras.


Como funciona na Magalu Cloud

Na Magalu Cloud, cada recurso é criado dentro de uma Zona de Disponibilidade específica. Máquinas virtuais, por exemplo, pertencem a uma única AZ, assim como seus volumes de Block Storage, que precisam estar obrigatoriamente na mesma zona da VM.

Isso significa que, se uma aplicação estiver concentrada em apenas uma AZ, ela ficará indisponível caso aquela zona enfrente problemas. Por outro lado, serviços como Object Storage já contam com replicação automática entre zonas, oferecendo maior durabilidade sem configuração adicional.

Essa diferença de comportamento entre os serviços é o que orienta as estratégias de resiliência.


Hands-on: criando uma VM resiliente desde o início

Para tornar esse conceito mais prático, vamos construir um cenário simples, mas extremamente comum: uma VM única, criada de forma consciente, com um plano claro de recuperação.

Passo 1: identificar as Zonas de Disponibilidade disponíveis

Antes de criar qualquer recurso, é importante saber quais AZs estão disponíveis para sua conta. Isso pode ser feito via CLI:

mgc profile availability-zones list
Enter fullscreen mode Exit fullscreen mode

O resultado mostrará as zonas disponíveis na região, como br-se1-a, br-se1-b e br-se1-c. Esse passo é essencial, pois nem todos os serviços estão disponíveis em todas as zonas.


Passo 2: criar a VM em uma Zona de Disponibilidade específica

Ao criar a VM pelo Console da Magalu Cloud, selecione explicitamente:

  • A região desejada
  • Uma Zona de Disponibilidade específica
  • Uma imagem Linux oficial
  • Uma chave SSH para acesso

Nesse momento, a VM passa a existir fisicamente dentro daquela AZ. Essa decisão é importante porque define o nível inicial de resiliência da aplicação.


Passo 3: acessar a VM e validar o ambiente

Após a criação, acesse a VM via SSH:

ssh usuario@ip-publico-da-vm
Enter fullscreen mode Exit fullscreen mode

Dentro da VM, crie um arquivo simples para representar o estado da aplicação:

echo "VM criada na AZ br-se1-a" > ambiente.txt
Enter fullscreen mode Exit fullscreen mode

Esse arquivo servirá como referência para validar a recuperação posteriormente.


Passo 4: criar um snapshot como ponto de recuperação

Com a VM funcionando corretamente, crie um snapshot do disco.

Esse snapshot representa um estado conhecido e seguro da aplicação. Mais do que um backup, ele se torna um ponto estratégico de recuperação, permitindo recriar a VM rapidamente em caso de falhas, erros de configuração ou indisponibilidade da zona original.


Passo 5: recriar a VM a partir do snapshot em outra AZ

Agora vem o ponto-chave do hands-on. A partir do snapshot criado, crie uma nova VM escolhendo outra Zona de Disponibilidade da mesma região e utilize o snapshot como base do disco.

Após acessar a nova VM via SSH, valide o conteúdo:

cat ambiente.txt
Enter fullscreen mode Exit fullscreen mode

Se o arquivo estiver presente, você confirmou na prática que o ambiente pôde ser recriado com sucesso em outra AZ, reduzindo a dependência de um único ponto físico.


O que esse hands-on demonstra

Ao final desse exercício, fica claro que:

  • Zonas de Disponibilidade impactam diretamente a arquitetura
  • Uma VM em uma única AZ é funcional, mas vulnerável
  • Snapshots são fundamentais para recuperação e continuidade
  • Resiliência pode ser pensada desde o primeiro recurso criado

Tudo isso sem exigir arquiteturas complexas ou serviços adicionais.


Boas práticas e cuidados

Ao planejar sua infraestrutura, sempre verifique previamente as AZs disponíveis e a compatibilidade dos serviços. Para máquinas virtuais, trate snapshots como parte do desenho da arquitetura, e não como um recurso opcional.

Lembre-se também de que volumes de Block Storage precisam estar na mesma AZ da VM, enquanto dados que exigem maior durabilidade podem se beneficiar do uso de Object Storage, que já possui replicação automática entre zonas.

Essas decisões simples, quando tomadas desde o início, aumentam significativamente a confiabilidade do ambiente.


Conclusão

Regiões e Zonas de Disponibilidade são pilares fundamentais para construir aplicações resilientes na Magalu Cloud. Entender como esses conceitos funcionam e aplicá-los desde o primeiro recurso criado permite reduzir riscos, facilitar a recuperação e preparar o ambiente para crescer com segurança.

Pensar resiliência desde o início não significa complicar a arquitetura, mas sim fazer escolhas conscientes que farão diferença quando sua aplicação realmente precisar.

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