A evolução das APIs parece ter estagnado nos últimos anos. Enquanto as ferramentas de inteligência artificial e os agentes autônomos evoluem a uma velocidade absurda, a forma como nossas APIs entregam dados continua rígida e engessada.
Se você trabalha com desenvolvimento, já deve ter percebido: estamos tentando conectar máquinas a sistemas que ainda dependem de manuais feitos para humanos. E é aqui que o problema começa.
O gargalo: APIs feitas para humanos, usadas por agentes
Quando criamos uma API tradicional, projetamos tudo esperando que um humano esteja no controle. Partimos do princípio que o desenvolvedor do outro lado vai ler a documentação, compreender as nuances de funcionamento do sistema e ter o bom senso de respeitar os limites para não quebrar nada, por exemplo.
O problema é que as LLMs (modelos de linguagem) não possuem essa intuição. Elas são literais. Se você der um endpoint para um agente de IA e pedir uma tarefa em massa, ele vai executar da forma mais rápida e bruta possível, sem saber que aquela "pancada" de requisições pode derrubar o seu servidor por falta de um direcionamento claro sobre o comportamento esperado.
O perigo da falta de contexto: O script "destruidor"
Imagine o seguinte cenário: você pede para uma IA ler 1.000 objetos de uma API e clonar esses dados em outro endpoint. É algo trivial.
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Sem contexto: A IA gera um loop
forsimples e dispara os 1.000 pedidos em milissegundos. - O resultado: Para muitos sistemas, isso é um ataque DoS involuntário. A IA entregou o que você pediu, mas o sistema caiu porque ela não sabia que precisava "segurar a onda".
A Ideia: O Verbo CONTEXT
Inspirado no método OPTIONS (que os navegadores já usam para entender permissões), por que não criar um padrão voltado especificamente para agentes de IA? A ideia é explorar um conceito de um método chamado CONTEXT.
O fluxo funcionaria assim: antes de o agente fazer qualquer GET, POST ou DELETE, ele faria uma consulta rápida ao endpoint usando esse "verbo" de contexto.
Como isso muda o jogo na prática
Ao consultar esse metadado, a API retornaria um JSON com as "regras de etiqueta" do sistema. Exemplo:
{
"endpoint": "/v1/clonar-objetos",
"rules": {
"rate_limit_advice": "Nunca faça mais de 5 requisições por segundo",
"criticality": "high",
"side_effects": "Este comando gera carga pesada no banco de dados"
}
}
Com essa informação em mãos, a IA muda o comportamento na hora. Em vez de um script agressivo, ela gera um código com um sleep (pausa) entre as chamadas, respeitando a saúde da infraestrutura sem que você precise dizer isso explicitamente no prompt inicial.
O futuro é padronizar o contexto
Precisamos parar de criar scripts e "peripécias" por fora para tentar controlar as IAs. O ideal é que as APIs forneçam, de forma padronizada e natural, o contexto necessário para que os agentes trabalhem com segurança.
Fornecer contexto deveria ser o padrão, não a exceção. Assim como verificamos permissões de CORS, deveríamos verificar o "comportamento esperado" de uma API antes de qualquer interação.
Quer ver a explicação completa e como essa ideia foi testada na prática? Assista ao vídeo: REST Não Basta Mais: O Problema do Contexto nas APIs
O que você acha dessa abordagem? Acredita que um padrão de metadados para agentes facilitaria o desenvolvimento de integrações mais seguras ou prefere controlar tudo no prompt?
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