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Desvendando os Micro-frontends: Escalando o Desenvolvimento Web com Agilidade

O desenvolvimento de software evoluiu rapidamente, mas, enquanto os microsserviços trouxeram modularidade ao backend, muitos frontends continuam enfrentando os desafios de arquiteturas monolíticas,. À medida que as aplicações crescem, esses monólitos tornam-se difíceis de escalar, gerando redundância de código e dificultando a coordenação entre equipes. É aqui que surge o micro-frontend, um estilo arquitetural onde aplicações independentes são compostas para formar um todo maior,.

O que são Micro-frontends?

Em essência, micro-frontends são como microsserviços que vivem no navegador. Em vez de uma única base de código gigante, o sistema é dividido em partes menores, onde cada uma representa um conceito de domínio autocontido, desenvolvido e entregue por equipes independentes,.

Por que adotar essa arquitetura?

A transição para micro-frontends oferece benefícios que impactam tanto a tecnologia quanto os negócios:

  • Atualizações Incrementais: Você não precisa reescrever o monólito inteiro de uma vez; pode "estrangular" partes antigas e substituí-las gradualmente por novas tecnologias,.
  • Independência de Deploy: Cada micro-frontend possui seu próprio pipeline de entrega contínua, permitindo que uma equipe lance funcionalidades sem depender do estado das outras aplicações,.
  • Autonomia de Times: As equipes são organizadas em torno de fatias verticais de funcionalidades de negócio (como "checkout" ou "perfil"), possuindo total domínio do código, do teste ao deploy,.
  • Flexibilidade Tecnológica: É possível utilizar diferentes frameworks ou versões de bibliotecas (como React em uma parte e Vue em outra) conforme a necessidade de cada módulo,.

Estratégias de Integração: Como unir as peças?

Existem diversas formas de compor esses módulos em uma única experiência para o usuário. Geralmente, utiliza-se uma aplicação container que renderiza elementos comuns (como cabeçalhos) e gerencia quando e onde cada micro-frontend deve aparecer.

  1. Integração em Tempo de Execução via JavaScript: É a abordagem mais flexível e comum,. Cada módulo é incluído via tag <script> e expõe uma função global que o container chama para montar a aplicação no DOM,.
  2. Module Federation (Webpack 5): Uma solução moderna que permite que uma aplicação carregue dinamicamente pedaços de código de outra aplicação em tempo de execução, gerenciando dependências de forma eficiente.
  3. Web Components: Utiliza padrões nativos do navegador (Shadow DOM) para encapsular estilos e comportamentos, garantindo que o CSS de um módulo não "vaze" para os outros,.
  4. Iframes: A técnica mais antiga, que oferece isolamento total, mas apresenta dificuldades na comunicação entre apps e na responsividade,,.

Importante: Deve-se evitar a integração em tempo de compilação (publicar módulos como pacotes NPM), pois isso força um processo de lançamento sincronizado, reintroduzindo o acoplamento que os micro-frontends tentam eliminar,.

Desafios e Cuidados

Nem tudo são flores. A arquitetura distribuída traz complexidades:

  • Tamanho do Payload: Se cada micro-frontend baixar sua própria cópia do React, o usuário final terá que baixar muitos bytes repetidos,. Uma solução é externalizar dependências comuns, embora isso crie um contrato de versão entre os times.
  • Complexidade Operacional: Gerenciar mais repositórios, pipelines e domínios exige maturidade em automação e governança,.
  • Consistência Visual: Para garantir uma experiência coesa, é recomendado o uso de bibliotecas de componentes compartilhadas, mas elas devem conter apenas lógica de UI, nunca lógica de negócio,.

Comunicação entre Aplicações

A recomendação de ouro é que os micro-frontends se comuniquem o mínimo possível para evitar acoplamento. Uma técnica poderosa é usar a URL como contrato. Por exemplo, ao clicar em um link de restaurante em um módulo de "busca", a URL muda para /restaurant/123, e o módulo de "detalhes" lê esse ID e renderiza a informação correta, sem que as aplicações precisem se conhecer diretamente,.

Conclusão e Adoção Estruturada

Para empresas que buscam modernizar seus frontends, estudos propõem guias como o GAM (Guide for Adoption of Micro-Frontends), que fornece diretrizes estruturadas para avaliar a viabilidade e os impactos em performance e escalabilidade.

Adotar micro-frontends é, no fundo, sobre escalar a interação humana e a colaboração. Ao dividir problemas grandes e assustadores em peças menores e gerenciáveis, as organizações conseguem entregar valor de forma mais rápida e sustentável,.


Analogia para entender o contrato de comunicação:
Imagine que os micro-frontends são diferentes lojas em um shopping. O shopping (container) fornece a infraestrutura e a segurança. As lojas não precisam saber como o estoque da vizinha funciona. Se um cliente quer ir da "Loja de Roupas" para a "Praça de Alimentação", ele usa os corredores (a URL). O cliente leva consigo apenas o necessário (como o número do pedido), e a praça de alimentação sabe exatamente o que fazer com essa informação, sem nunca ter entrado nos provadores da loja de roupas.


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