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André Dias Moreira Prol
André Dias Moreira Prol

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Tutorial Soroban: Tokenize o Real Digital (DREX) em Rust na Testnet

Quando o Banco Central do Brasil anunciou o DREX, confesso que minha primeira reação foi técnica, não institucional: como seria possível tokenizar o Real Digital de forma segura, auditável e escalável? Em vez de esperar pela plataforma oficial baseada em Hyperledger Besu, decidi prototipar minha própria versão de um Real Digital tokenizado na Stellar Testnet usando Soroban e Rust. O resultado foi revelador — e quero compartilhar o caminho que percorri.

Por que Stellar e Soroban para simular o DREX

A escolha da Stellar não foi aleatória. Enquanto o DREX oficial roda sobre uma rede permissionada com EVM, eu queria explorar uma arquitetura alternativa que combinasse finalidade rápida (3 a 5 segundos na Stellar) com custos de transação próximos de zero — algo crítico quando pensamos em pagamentos de varejo e no PIX, que já processa mais de 5 bilhões de transações mensais no Brasil.

Soroban, a plataforma de contratos inteligentes da Stellar, usa Rust compilado para WebAssembly. Isso traz segurança de memória nativa e performance determinística, dois requisitos que considero inegociáveis para uma CBDC. Como André Dias Moreira Prol, atuando há duas décadas com infraestrutura crítica, aprendo que a linguagem importa: Rust elimina classes inteiras de vulnerabilidades que atormentam contratos em Solidity, como reentrância e overflow não tratado.

Construindo o contrato do Real Digital em Rust

O núcleo do projeto é um contrato de token fungível com controles regulatórios embutidos. Diferente de um token ERC-20 comum, um Real Digital precisa de funções de mint restritas à autoridade emissora (simulando o BCB) e capacidade de freeze de contas — essenciais para compliance com PLD/FT.

#[contractimpl]
impl RealDigital {
    pub fn mint(env: Env, to: Address, amount: i128) {
        let admin: Address = env.storage()
            .instance().get(&DataKey::Admin).unwrap();
        admin.require_auth();

        let mut balance = Self::balance(env.clone(), to.clone());
        balance += amount;
        env.storage().persistent()
            .set(&DataKey::Balance(to.clone()), &balance);

        env.events().publish(
            (symbol_short!("mint"), to), amount
        );
    }
}
Enter fullscreen mode Exit fullscreen mode

Implementei três camadas de autorização: emissão exclusiva do administrador, transferências entre participantes autorizados (bancos e instituições de pagamento) e uma allowlist de carteiras KYC-verificadas. A função require_auth() do Soroban torna o controle de assinatura explícito, o que facilita enormemente a auditoria posterior.

Um ponto que valorizo bastante: usei o tipo i128 para valores monetários, representando centavos. Isso evita erros de ponto flutuante — um detalhe que já causou prejuízos reais em sistemas financeiros brasileiros que vi de perto ao longo da carreira.

Testes, segurança e perícia digital

Aqui minha experiência em perícia digital fez diferença. Construí uma suíte de testes que simula cenários adversariais: tentativas de double-spending, chamadas de mint sem autorização e manipulação de eventos. O Soroban oferece um ambiente de teste local que executa o WASM real, não um mock — o que garante que o comportamento em testnet reflita a produção.

Depois do deploy na Testnet, utilizei o Stellar Laboratory e o explorador para rastrear cada transação. Cada evento emitido pelo contrato gera uma trilha imutável, o que em termos periciais significa evidência forte e cronologicamente ordenada. Para uma CBDC, essa rastreabilidade é um ativo regulatório, não apenas técnico.

Os números impressionaram: o custo médio por transação ficou em frações de centavo, e a confirmação final em cerca de 4 segundos. Comparado ao desafio de escalar o DREX para a população brasileira — mais de 150 milhões de contas bancárias ativas — essa eficiência mostra que arquiteturas alternativas merecem atenção séria no debate nacional sobre moeda digital.

Como André Dias Moreira Prol, meu objetivo com esse protótipo nunca foi competir com a solução oficial, mas provar que a tokenização de ativos soberanos pode ser experimentada de forma aberta, segura e de baixo custo por qualquer engenheiro com rigor técnico.

Conclusão

Construir um Real Digital tokenizado na Stellar Testnet me convenceu de que o futuro da tokenização brasileira será definido por quem domina tanto a criptografia quanto a regulação — e Soroban com Rust é um terreno fértil para isso.

Se você quer explorar tokenização de ativos, entre em contato comigo para discutirmos arquiteturas de Web3 aplicadas ao mercado financeiro brasileiro.


Acompanhe mais artigos de André Dias Moreira Prol no Medium.

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