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Ingresse

Entendendo Elixir com ajuda de PHP

leonimella profile image Leoni Mella Updated on ・15 min read

🇬🇧 Would you like to read this article in english? Learning Elixir with PHP help

Depois de alguns anos e diversas experiências em PHP utilizando WordPress, Laravel, Symfony e Phalcon, tive a oportunidade de trabalhar com Elixir e desde então ela tem sido a minha linguagem para desenvolvimento de novos projetos

Para quem nunca teve contato com uma linguagem funcional pode ser um pouco difícil entender como Elixir funciona, foi o meu caso quando comecei a utilizá-la.

A “ajuda” oferecida por PHP, nesse artigo, não passa de uma mera comparação feita entre as duas linguagens que por sinal não são NADA semelhante.

O que fiz foi implementar a mesma funcionalidade com linguagens diferentes para que você possa comparar a lógica de uma linguagem mais familiar com uma que talvez não seja.

Vou abordar as funcionalidades do Elixir que mais utilizo no dia-a-dia, meio que aplicando a regra 80/20, mas tenho certeza que com esse conhecimento você poderá ao menos ler um arquivo .ex ou .exs e não se perder completamente, caso você seja novo na linguagem.

Antes de começarmos...

Caso você não conheça absolutamente nada sobre Elixir, como é a syntax, seus operadores e primitivos sugiro a leitura do Starting Guide na documentação oficial.

Sem mais demoras, vamos ao código!

Pattern Matching

Acho que a melhor definição do conceito de pattern matching é a seguinte:

Pattern matching é uma poderosa parte de Elixir que nos permite procurar padrões simples em valores, estruturas de dados, e até funções - Elixir School

Mas o que exatamente significa? Para entender melhor precisamos falar sobre o match operator =. Além de utilizado para atribuir valores à variáveis, ele também pode ser usado para decompor estruturas mais complexas como tuplas.

# iex

iex(1)> {a, b, c} = {"São Paulo", "Rio de Janeiro", "Fortaleza"}
{"São Paulo", "Rio de Janeiro", "Fortaleza"}

iex(2)> a
"São Paulo"

iex(3)> b
"Rio de Janeiro"

iex(4)> c
"Fortaleza"

# Another example
iex(5)> {_, "Ecuador", country} = {"Brasil", "Ecuador", "Chile"}
{"Brasil", "Ecuador", "Chile"}

iex(6)> country
"Chile"

Ou obter o primeiro valor de uma lista

# iex

iex(1)> [head | tail] = ["Olá", "Hello", "Hola"]
["Olá", "Hello", "Hola"]

iex(2)> head
"Olá"

iex(3)> tail
["Hello", "Hola"]

Caso uma tupla não possa ser equiparada com o lado esquerdo do operador, isso é, caso a tupla tenha número de campos diferente ou algum valor que não condiz com o lado esquerdo do = uma exception acontecerá:

# iex

iex(1)> {a, b} = {"São Paulo", "Rio de Janeiro", "Fortaleza"}
# ** (MatchError) no match of right hand side value: {"São Paulo", "Rio de Janeiro", "Fortaleza"}
#    (stdlib) erl_eval.erl:453: :erl_eval.expr/5
#    ...

iex(1)> {_, "United States", country} = {"Brasil", "Ecuador", "Chile"}
# ** (MatchError) no match of right hand side value: {"Brasil", "Ecuador", "Chile"}
#    (stdlib) erl_eval.erl:453: :erl_eval.expr/5
#    ...

Os exemplos acima exemplificam a primeira parte da definição de pattern matching. E quanto a parte que fala que podemos procurar padrões em funções? Vamos dar uma olhada.

Para ajudar no entendimento dessa vez vou criar uma classe semelhante em PHP.

Classe PHP

<?php
// ./GreetUser.php

class GreetUser
{
    public function hello($userName)
    {
        echo "Hello, " . $userName;
    }
}

$greetUser = new GreetUser;
$greetUser->hello("Joe");

Módulo Elixir

# ./greet_user.exs

defmodule GreetUser do

    def hello(user_name) do
        IO.puts("Hello, #{user_name}")
    end

end

GreetUser.hello("Joe")

Até aqui, sem novidades, certo? Se chamarmos a função hello/1 ela vai exibir na tela a mensagem “Hello, Joe”. Mesma coisa com a função hello() da classe em PHP.

Mas vamos supor que nem sempre eu teria o nome do meu usuário disponível. Em determinadas vezes a variável user_name poderia ser nil (null em PHP). Como podemos ajustar nosso código para esse requisito?

Classe PHP

<?php
// ./GreetUser.php

class GreetUser
{
    public function hello($userName = null)
    {
        if(is_null($userName)) {
            echo "Hello world!";
            return;
        }
        echo "Hello, " . $userName;
    }
}

$greetUser = new GreetUser;
$greetUser->hello("Joe");
$greetUser->hello(null);

Em PHP poderíamos adicionar um valor default para o parâmetro $userName e tratar esse caso com um if dentro da nossa função exibindo uma mensagem diferente caso o argumento seja null.

Executando GreetUser.php obteríamos o resultado:

"Hello, Joe"
"Hello world!"

Embora a mesma solução seja possível, em Elixir podemos utilizar o pattern matching ao nosso favor para simplificar o nosso código sem a necessidade do if.

Módulo Elixir

# ./greet_user.exs

defmodule GreetUser do

    def hello(nil) do
        IO.puts("Hello world!")
    end
    def hello(user_name) do
        IO.puts("Hello, #{user_name}")
    end

end

GreetUser.hello("Joe")
GreetUser.hello(nil)

Como existem duas funções com o mesmo nome a escolhida será aquela que possuir o parâmetro correto.

Isso quer dizer que somente quando user_name = nil é que a primeira função será executada, caso contrário ele “pula” essa função e vai para a próxima hello/1 declarada neste módulo.

Importante dizer que devido à aridade da função, GreetUser.hello(nil) é diferente de GreetUser.hello(). Em uma expressão invocamos hello/1 e na outra hello/0, que não existe e portanto nos retornaria um erro, fique atento a aridade!

Qualquer tipo primitivo da linguagem pode ser utilizado para pattern matching. Se o módulo GreetUser agora tem que enviar uma mensagem específica para usuários que tenham o nome "Jane”, poderíamos fazer da seguinte forma

Classe em PHP

<?php
// ./GreetUser.php

class GreetUser
{
    public function hello($userName)
    {
        if($userName === "Jane") {
            echo "Nice to see you, Jane!";
            return;
        }
        echo "Hello, " . $userName;
    }
}

$greetUser = new GreetUser;
$greetUser->hello("Joe");
$greetUser->hello("Jane");

Módulo Elixir

# ./greet_user.exs

defmodule GreetUser do

    def hello("Jane" = user_name) do
        IO.puts("Nice to see you, #{user_name}!")
    end
    def hello(user_name) do
        IO.puts("Hello, #{user_name}")
    end

end

GreetUser.hello("Joe")
GreetUser.hello("Jane")

Dessa vez além de especificarmos qual seria o valor de user_name nós também adicionamos o match operator no parâmetro da função: ("Jane" = user_name). Fizemos isso para que possamos utilizar o valor dentro da função. Caso não quiséssemos utilizar o parâmetro podemos omiti-lo ("Jane") ou adicionar um _ underscore na frente dele ("Jane" = _user_name). Com isso o Elixir entende que você está desprezando esse valor e que ele não será utilizado.

Variáveis declaradas, mas não utilizadas recebem um warning no momento da compilação do seu código, fique atento!

Aqui já é possível enxergar um pouco melhor como esse conceito reduz a complexidade em nossas funções. Agora que você entende pattern matching não fica melhor ler a função em Elixir do que em PHP? Não precisamos mais ficar “calculando” ifs para saber qual o resultado esperado, uma bela vantagem, não?

Guards

Se você gostou do conceito de pattern matching você pode ir além utilizando guards. Eles permitem verificações mais completas dos parâmetros que sua função está recebendo.

Guards são definidos com um when após a declaração da função. Enquanto o pattern matching é útil para valores explícitos, com guards podemos criar diversas condições para serem checadas. Podemos checar o tipo de um parâmetro, o tamanho dele se ele é ou não nil, se ele é maior ou menor que determinado valor entre outras.

Voltando ao nosso exemplo GreetUser, podemos utilizar um guard para verificar se user_name é uma string.

Módulo Elixir

# ./greet_user.exs

defmodule GreetUser do

    def hello(user_name) when is_binary(user_name) do
        IO.puts("Hello, #{user_name}")
    end

end

GreetUser.hello("Joe")

A função utilizada no guard is_binary/1 retorna um booleano e com esse resultado (true ou false) hello/1 é invocada ou não. Elixir possui diversas funções “type-checks” como essa que usamos para checar tipos.

Lembrando, que usando guard ou pattern matching você precisa pensar em uma alternativa para o caso em que um parâmetro não se enquadre em nenhuma validação caso contrário um runtime error será lançado

** (FunctionClauseError) no function clause matching in GreetUser.hello/1

O Erro acima aconteceria se nós invocarmos com um inteiro, por exemplo:GreetUser.hello(1).

Como alternativa podemos adicionar mais uma declaração de hello/1 desprezando o parâmetro user_name. Como vimos antes, basta adicionarmos o undersocre na frente do nome do parâmetro: _user_name. Ou simplesmente substituirmos pelo _.

# ./greet_user.exs

defmodule GreetUser do

    def hello(user_name) when is_binary(user_name) do
        IO.puts("Hello, #{user_name}")
    end
    def hello(_) do
        IO.puts("Only string is allowed in this function")
    end

end

GreetUser.hello("Joe")
GreetUser.hello(1)
Importante!

A ordem de declaração das funções em linguagens funcionais é de extrema importância!
No exemplo acima o uso de hello/1 ficou restrita à parâmetros do tipo string. Como alternativa declaramos novamente hello/1 desprezando o parâmetro user_name. Até ai tudo legal, mas e se tivéssemos invertido as ordens de declaração das funções colocando hello(_) antes da hello/1 que possui guard?

# ./greet_user.exs

defmodule GreetUser do

    def hello(_) do
        IO.puts("Only string is allowed in this function")
    end
    def hello(user_name) when is_binary(user_name) do
        IO.puts("Hello, #{user_name}")
    end

end

GreetUser.hello("Joe")
GreetUser.hello(1)

Executando o código acima teríamos o seguinte aviso:

warning: this clause cannot match because a previous clause at line 5 always matches

Nosso código rodaria sem problemas, mas a função hello/1 com o guard when is_binary/1 nunca seria executada porque a hello/1 sem guard é sempre validada antes. Por isso preste sempre atenção à ordem de declaração de suas funções!

Pipe Operator

Esse pode ser um pouco mais complicado para entender, mas em resumo o pipe operator é representado por esse símbolo |> e o trabalho dele é passar o resultado de uma expressão como primeiro parâmetro de outra expressão.

Com isso você pode criar pipelines (sacou o nome?) de execução dada determinada expressão (variável ou função).

Para exemplificar, agora nosso módulo GreetUser deve ser capaz de cumprimentar diversas pessoas cujo os nomes serão enviados em forma de uma lista. Para fazer isso vamos criar uma função hello_group/1 que recebe como argumento users_name que nada mais é do que uma lista contendo o nome dos usuários em string.

Além disso precisamos também tratar os nomes dos usuários para que eles fiquem capitalizados, isso é, somente a primeira letra do seu nome em maiúsculo.

# ./greet_user.exs

defmodule GreetUser do
    def hello_group(users_name) when is_list(users_name) do
        # code
    end
    def hello_group(_) do
        IO.puts("Only lists are allowed")
    end
end

Aproveitamos para adicionar um guard na nossa função para nos certificar de que o parâmetro é mesmo uma lista e também definimos uma hello_group/1 default para ser utilizada caso users_name não seja uma lista.

O próximo passo é manipular a lista aplicando os requisitos acima utilizando o pipe operator. Como primeiro passo, vamos percorrer a lista e normalizar os nomes. Faremos isso com a ajuda do módulo Enum que é um módulo nativo do Elixir para trabalhar com elementos enumeráveis, o que é o caso da nossa lista de nomes

# ./greet_user.exs

defmodule GreetUser do
    def hello_group(users_name) when is_list(users_name) do
        users_name
        |> Enum.map(fn user_name -> String.capitalize(user_name) end)
    end
    def hello_group(_) do
        IO.puts("Only lists are allowed")
    end
end

Vamos quebrar o código acima em pontos chaves:

  • Invocamos users_name dentro da nossa função
  • Invocamos |> (pipe operator) abaixo de users_name poderia ser do lado direito também.
  • Invocamos map/2 do módulo Enum para percorrer a lista de nomes e nos retornar uma lista
  • Passamos como segundo parâmetro de map/2 uma função anônima fn user_name -> end que será executada para cada nome da lista
  • Dentro da função anônima utilizamos a função capitalize/2 do módulo String também nativo do Elixir para capitalizar os nomes.

O que precisa ser entendido desse código é que só passamos o segundo argumento para a função map/2 porque o primeiro argumento que deve ser uma lista (no nosso caso a lista com os nomes dos usuários) já foi passada à essa função pelo |>.

Lembre que: “O pipe operator é responsável por passar o valor de uma expressão como o primeiro parâmetro da próxima expressão” No caso nossa primeira expressão é a variável users_name que ao ser processada retorna nossa lista de nomes e uma lista é justamente o que map/2 recebe no primeiro parâmetro, por isso nossa pipeline funciona!

E o segundo parâmetro passado ao map/2 foi uma função anônima (requerida por map/2) que recebe como argumento o elemento da lista que está sendo percorrida para que possamos manipulá-lo.

Em PHP podemos obter o mesmo resultado até aqui dessa forma:

<?php
// ./GreetUser.php

class GreetUser
{
    public function helloGroup($usersName)
    {
        if(!is_array($usersName)) {
            echo "Only arrays are allowed";
            return;
        }

        $usersNameNormalized = array_map(function ($name) {
            return ucfirst($name);
        }, $usersName);
    }
}

O próximo passo nessa função é juntarmos todos os nomes em uma única string. Para isso utilizaremos outra função nativa do Elixir, a join/2 do módulo Enum. Ela recebe como primeiro parâmetro uma lista e como segundo parâmetro um elemento de junção, no nosso caso utilizaremos uma vírgula seguida de espaço em branco, para separar os nomes dentro da string.

Módulo Elixir

# ./greet_user.exs

defmodule GreetUser do
    def hello_group(users_name) when is_list(users_name) do
        users_name
        |> Enum.map(fn user_name -> String.capitalize(user_name) end)
        |> Enum.join(", ")
    end
    def hello_group(_) do
        IO.puts("Only lists are allowed")
    end
end

Classe PHP

<?php
// ./GreetUser.php

class GreetUser
{
    public function helloGroup($usersName)
    {
        if(!is_array($usersName)) {
            echo "Only arrays are allowed";
            return;
        }

        $usersNameNormalized = array_map(function ($name) {
            return ucfirst($name);
        }, $usersName);

        $usersNameString = implode(", ", $usersNameNormalized);
    }
}

Nossa pipeline continua funcionando porque map/2, após ser executada, retorna uma lista e o |> passa essa lista como primeiro parâmetro para a próxima função join/2.

Ótimo! hello_group/1 já consegue normalizar e juntar os nomes enviados como lista em uma única string! Agora só nos resta imprimir nossa mensagem para o usuário.

Até agora o retorno de hello_group/1 seria uma string contendo os nomes de usuários que foi passado à ela. Podemos utilizar hello/1, que recebe como primeiro parâmetro uma string, para exibir a mensagem padrão

# ./greet_user.exs

defmodule GreetUser do

    def hello(user_name) when is_binary(user_name) do
        IO.puts("Hello, #{user_name}")
    end
    def hello(_) do
        IO.puts("Only strings are allowed")
    end

    def hello_group(users_name) when is_list(users_name) do
        users_name
        |> Enum.map(fn user_name -> String.capitalize(user_name) end)
        |> Enum.join(", ")
        |> hello
    end
    def hello_group(_) do
        IO.puts("Only lists are allowed")
    end
end

GreetUser.hello_group(["joe", "jane", "jim"])

Adicionamos hello/1 no final de nossa pipeline concluindo os requisitos exigidos para hello_group/1.

Veja como ficaria o mesmo código em PHP

<?php
// ./GreetUser.php

class GreetUser
{
    public function hello($userName)
    {
        echo "Hello, " . $userName;
    }

    public function helloGroup($usersName)
    {
        if(!is_array($usersName)) {
            echo "Only arrays are allowed";
            return;
        }

        $usersNameNormalized = array_map(
            function ($name) { return ucfirst($name); },
            $usersName
        );

        $usersNameString = implode(", ", $usersNameNormalized);

        return $this->hello($usersNameString);
    }
}

$greetUser = new GreetUser;
$greetUser->helloGroup(["joe", "jane", "jim"]);

Poderíamos melhorar o código PHP quebrando-o em diferentes funções, mas repare que mesmo dessa forma em Elixir temos um código MUITO mais limpo e legível.

Caso você ainda esteja um pouco confuso em como o pipe operator funciona, aqui está uma outra forma de visualizar o mesmo código:

# ./greet_user.exs

defmodule GreetUser do

    def hello(user_name)do
        IO.puts("Hello, #{user_name}")
    end

    def hello_group(users_name) do
        users_name
        |> Enum.map(fn user_name -> String.capitalize(user_name) end)
        |> Enum.join(", ")
        |> hello
    end

    def hello_group(users_name, :notpiped) do
        hello(
            Enum.join(
                Enum.map(
                    users_name,
                    fn user_name -> String.capitalize(user_name) end),
                ", "
            )
        )
    end
end

GreetUser.hello_group(["joe", "jane", "jim"])
GreetUser.hello_group(["joe", "jane", "jim"], :notpiped)

Definimos duas funções hello_group(). Uma com aridade hello_group/1 e outra com hello_group/2. Apesar da aridade diferente, as duas executam o mesmo papel, mas a hello_group/1 cria uma pipeline enquanto a hello_group/2 não, mas as duas chegam no mesmo resultado.

Porém hello_group/1 é bem mais legível e de fácil entendimento se comparada a hello_group/2, concordam? Esse é o propósito do pipe operator, deixar nosso código mais legível.

Para concluir aqui vai uma observação muito importante! Em linguagens funcionais nós não temos a opção de utilizar returns dentro das funções. As funções retornarão o resultado da última expressão executada, vamos explorar mais sobre isso no próximo tópico.

Estruturas de Controle

Vimos que em Elixir é possível simplificar muito nossas funções removendo condicionais através do pattern matching e guards. Mas as vezes não temos outra alternativa a não ser utilizar um if ou switch.

As estruturas de controles presentes em Elixir são: if, unless, case, cond e with.

Como esse é um overview da linguagem, não vou me aprofundar em todas elas com exceção do with, talvez ele cause mais estranheza enquanto as outras são mais familiares.

É importante notar que essas estruturas de controles se comportam como funções e por isso alguns hábitos de outras linguagens devem ser evitados em Elixir. Um exemplo disso é quando você define um valor default para uma variável e dentro de um if você troca esse valor. Algo parecido com isso:

public function anotherFunction() {
    $param = null;

    if ($condition) {
        $param = "PHP";
    }

    return $param;
}

Esse código não funciona do jeito que você espera em Elixir, como if se comporta como uma função ela vai retornar o resultado que foi executado dentro do seu body. Sendo assim o valor que você atribuiu dentro dele para a sua variável não será aplicado pois não faz parte do escopo da função.

Para que isso funcionasse você teria que fazer algo desse gênero:

def another_function do
    param = if condition do
        "Elixir"
    else
        nil
    end
end

Dessa forma o retorno de if seria atribuído à nossa variável.

With

Você pode pensar nele como uma pipeline que checa o resultado de cada expressão e caso o resultado dessa expressão não foi o que você havia descrito ela não executa o código dentro dela. Ou você também pode validar o erro gerado pela expressão para tratá-lo de uma forma mais coerente.

Para ilustrar melhor, vamos adicionar essa estrutura na nossa função hello/1. Criaremos também uma dummy_function/0 que a única coisa que ela faz é retornar o atom :ok, e em hello/1 verificamos se dummy_function/0 realmente volta :ok

# ./greet_user.exs

defmodule GreetUser do

    def dummy_function, do: :ok

    def hello(user_name)do
        with :ok <- dummy_function() do
            IO.puts("Hello, #{user_name}")
        end
    end

end

GreetUser.hello("Joe")

No código acima, a mensagem só será exibida caso dummy_function/0 retornar :ok. Se o retorno for outro a mensagem não será exibida.

Se dummy_function/0 não retornar o esperado, podemos adicionar uma cláusula para tratar o resultado.

# ./greet_user.exs

defmodule GreetUser do

    def dummy_function, do: :error

    def hello(user_name)do
        with :ok <- dummy_function() do
            IO.puts("Hello, #{user_name}")
        else
            _ ->
                IO.puts("dummy_functtion didn't return an :ok atom")
        end
    end

end

GreetUser.hello("Joe")

Podemos também atribuir variáveis do lado esquerdo do <- ou -> que nem fizemos quando vimos sobre pattern matching. Com isso é possível verificar o retorno da função e já atribuir uma variável

# ./greet_user.exs

defmodule GreetUser do

    def dummy_function, do: {:ok, "dummy function"}

    def hello(user_name)do
        with {:ok, _response} <- dummy_function() do
            IO.puts("Hello, #{user_name}")
        else
            {:error, message} ->
                IO.puts("dummy_functtion return an error: #{message}")
            _ ->
                IO.puts("I can't figure what dummy_function has returned")
        end
    end

end

GreetUser.hello("Joe")

No código acima checamos se dummy_function/0 retorna {:ok, _response} Caso um erro ocorra e dummy_function/0 retornar {:error, "dummy function"} nós vamos exibir "dummy function", que foi o erro retornado. E ainda adicionamos uma cláusula default se dummy_function/0 retornar algo totalmente inesperado.

Agora que já temos um bom entendimento sobre o with podemos criar uma pipeline de funções cujo os retornos são verificados pelo with e podemos também tratar individualmente cada etapa:

def hello(user_name)do
    with {:ok, response1} <- dummy_function(),
         {:ok, _response2} <- dummy_function_2(reponse1) do
            IO.puts("Hello, #{user_name}")
    else
        {:error, message} ->
            IO.puts("dummy_functtion return an error: #{message}")
        _ ->
            IO.puts("I can't figure what dummy_function has returned")
    end
end

O código acima cria uma pipeline que checa passo a passo o retorno das funções possibilitando o tratamento personalizado para cada erro que possa acontecer.

And there you have it!

Embora Elixir seja um mundo de funcionalidades e paradigmas diferentes se você possuir um bom entendimento dos tópicos acima você conseguirá se localizar muito bem no código escrito nessa linguagem.

Estes são alguns tópicos importantes para você que deseja continuar interagindo com a linguagem:

Mix

Task runner da linguagem (equivalente ao composer em PHP), link para o guia e documentação

Phoenix

Web framework (equivalente ao Symfony, Laravel, etc... em PHP), link para o site e documentação

Ecto

ORM (equivalente ao Doctrine em php), link para o guia e documentação

Hex

Package repository (equivalente ao Packgist do Composer), link para o site

Referências

Abaixo uma lista de sites, vídeos e outros materiais para você ler e que foram utilizados para compor esse artigo:

Espero que esse artigo tenha sido útil para você. Caso tenha alguma sugestão e/ou feedback deixe nos comentários, esse é um dos meus primeiros artigos e gostaria de saber como estou me saindo 😁

Obrigado pelo seu tempo e até a próxima 🖖

Posted on Feb 18 by:

leonimella profile

Leoni Mella

@leonimella

Developer, husband and Factorio player!

Ingresse

Construindo tecnologia para modernizar e melhorar o mercado de eventos

Discussion

markdown guide
 

Ficou muito bom, estou estudando Elixir e algumas coisas ainda são confusas pra mim, essa explicação do |> (pipe, pipeline) foi muito boa.
Gostei das referências, muito obrigado.

Venho do Ruby, porem já programei em PHP, ficou bem didático os exemplos.

Parabéns!

Feedback para melhorias:
Percebi que tem dois lugares que você escreveu o código "captalize" e senti falta do retorno do que o código faz, acho que seria legal adicionar.

Sugestão:
Escreva mais posts!! hehe

 

O pipe operator foi difícil pra mim também!! É um conceito bem diferente do que estamos acostumado.

Eu editei o artigo e coloquei o link para a doc do capitalize/2, mas o que ela faz é basicamente deixar a primeira letra de uma string maiúscula, nada de mais.

Abraços, e happy coding!!
😁

 

Sim, sobre o "capitalize" é que tem dois lugares que faltou o i no código e ta "captalize", desculpe, não expliquei direito.

Abrações e happy coding too!

 

muito bom, deu pra matar a curiosidade sobre o Elixir 😊, só faltou colocar algum exemplo de pattern matching em php.

tenho uma pergunta sobre esse exemplo aqui: a função do underline neste caso é apenas mover o ponteiro interno para o elemento seguinte ou ele tem alguma outra função?

# Another example
iex(5)> {_, "Ecuador", country} = {"Brasil", "Ecuador", "Chile"}
{"Brasil", "Ecuador", "Chile"}
 

Oi, Anderson! Que bom que o post foi útil pra você!

Quanto a sua dúvida, é basicamente isso mesmo. Ele move para o próximo elemento e também despreza seu valor. Se você não utiliza uma variável, quando seu código for compilado ele vai disparar um warning a respeito dessa variável não utilizada, pra isso não acontecer, adicionamos o underline, nada de mais.

O pattern matching que você mencionou é uma lib para PHP e não faz parte do core da linguagem, na verdade eu nem conhecia ela. No artigo eu utilizei apenas o core de ambas as linguagens e no PHP não podemos fazer Pattern Matching 😁

Abraços!

 

Parabéns Leoni, ótimo post pra que está iniciando no Elixir vindo de outras linguagens.