Hoje eu recebi o meu certificado de conclusão do curso de DevOps do Instituto Atlântico (Avanti) e comecei a matutar sobre algumas coisas que aconteceram comigo nessa jornada e que eu gostaria de compartilhar.
É muito doido pensar que quando me inscrevi no bootcamp, eu literalmente não sabia quase nada sobre DevOps, e saí de lá fazendo o deploy de um projeto pessoal que estou desenvolvendo há mais de 6 meses.
O nascimento do LasanhaSpec
Para quem não sabe, estive desenvolvendo um projeto pessoal chamado LasanhaSpec. Ele foca em resolver um problema real que praticamente todo brasileiro jovem adulto enfrenta: a escolha do primeiro carro.
A justificativa é simples: os carros zero km estão cada vez mais caros e menos carros do segmento "popular" são comercializados. Isso resulta no envelhecimento da nossa frota e empurra as pessoas com menos poder aquisitivo a escolherem carros mais velhos, simples e problemáticos. É aí que entra o LasanhaSpec.
O intuito do projeto é documentar, organizar, metrificar e normalizar informações sobre esses carros e disponibilizar para o público de forma intuitiva. A ideia aborda dois públicos:
O usuário leigo: que não sabe muito sobre carros e quer pesquisar de forma profunda para comprar algo confiável, barato e acessível.
O entusiasta: que já tem conhecimento prévio, quer compartilhar detalhes específicos e encontrar outras pessoas para debater assuntos que só quem entende do assunto sabe (como problemas crônicos). É a pessoa que, assim como eu, vê o carro além de um mero transporte do ponto A ao ponto B.
O laboratório perfeito e a barreira do Deploy
Estive levantando este projeto do zero desde dezembro do ano passado. Tem sido uma experiência fantástica usando Java, Spring Boot, Docker Compose e React no front-end. Usei o LasanhaSpec como um laboratório real para aprender sobre o ecossistema Spring, System Design, segurança e boas práticas. Toda vez que estudo algo novo na universidade, penso: "Por que não aplicar isso no Lasanha?"
Tudo ia muito bem até eu pensar: "Ok, ainda não está pronto, mas eu quero fazer o deploy para aprender essa parte também". Decidi usar o Railway. Foi aí que comecei a passar uma raiva absurda. Tudo que eu fazia, cada ajuste commitado, cada configuração alterada... nada dava certo.
A real é que eu nem sabia direito o que estava fazendo. Eu precisava parar para realmente estudar como se fazia o deploy de uma aplicação da forma correta.
A entrada no Bootcamp e a formação do Squad
Foi quando surgiu a oportunidade de participar do bootcamp de DevOps na Avanti. Caiu como uma luva. Me inscrevi e, de primeira, fui rejeitado! (Olha como são as coisas). Mas acabei entrando na repescagem, umas duas semanas atrasado e com várias aulas gravadas para colocar em dia.
Foi nesse bootcamp que eu tive a oportunidade de entender o que um profissional de DevOps realmente faz, como ele facilita a vida dos desenvolvedores, o motivo de existir e as ferramentas que usa.
Caí em um squad que já estava em desvantagem. Eram para ser 5 pessoas, mas só duas estavam engajando de fato: eu e o Ramon. Foi aí que conheci meu parceiro de bootcamp, que já trabalhava na área como profissional DevOps. Começamos a nos ajudar muito. Quando ele tinha dúvidas sobre desenvolvimento, eu explicava; quando eu tinha dúvidas sobre DevOps, ele me guiava. Houve troca real e trabalho em equipe.
O Demo Day e o conselho do Orientador
Ao final do bootcamp, teríamos o Demo Day: a apresentação de um projeto final aplicando ferramentas de DevOps para resolver um problema. Tivemos a ideia de usar o meu projeto pessoal como base.
Estávamos com o tempo curto devido à universidade e ao trabalho, mas tentávamos nos reunir pelo menos uma hora por dia no Discord. O Ramon estava tão focado que, no dia de folga dele, passou umas 4 horas em call comigo tentando resolver bugs na infraestrutura do Lasanha.
Na véspera da apresentação, as coisas ainda não tinham dado certo. Eu estava enfrentando problemas no CI/CD. No auge do cansaço, combinamos um Plano B: uma automação de deploy estático com AWS S3, Terraform e GitHub Actions. O Ramon foi fera, fez de última hora e disponibilizou no repositório.
Vou admitir: eu estava exausto e só queria o caminho mais fácil para largar o osso. Mas a minha cabeça ficava martelando uma coisa que meu orientador do TCC me disse uma vez sobre resiliência, quando pedi para ele aumentar o prazo da minha apresentação:
"Emende os dias, você é jovem, aguenta. Eu que não aguento mais!"
Dito e feito. Eu estava tão obcecado em fazer a arquitetura principal do Lasanha funcionar que decidi virar a madrugada batendo cabeça com o deploy.
A vitória das 5 da manhã
Até que, lá pelas 5 horas da manhã, eu consegui subir o LasanhaSpec na nuvem. A stack de infraestrutura ficou assim:
Instância AWS EC2
Armazenamento de imagens em Bucket S3
Infraestrutura como Código (IaC) com Terraform e Ansible
Conteinerização com Docker Compose
Duck DNS
Pipeline de CI/CD no GitHub Actions
Foi tanta coisa que aprendi naqueles meses que fiquei besta. Criei os slides para a apresentação e fui dormir.
Algumas horas depois, eu apresentei. Juro para vocês, fazia tempo que eu não me sentia tão bem comigo mesmo. Todo o esforço, o foco para correr atrás do prejuízo, a ansiedade... tudo foi embora. Me senti eufórico. Acho que é por isso que dizem que vencer é a pior droga que tem: depois que você pega o gosto, não quer parar mais.
Conclusão
Não se enganem: acabei subindo uma build cheia de problemas. A parte mais interessante (discussão de problemas crônicos e garagem pessoal) ainda não estava funcionando. Somente o login e partes visuais estavam 100%. Mas, mesmo assim, o processo foi extremamente gratificante.
Sinto que saí de lá um desenvolvedor mais completo, consciente e afiado do que entrei. Tudo que tenho a fazer é agradecer aos professores e ao Instituto Atlântico por me proporcionar esse conhecimento que não tem preço.
E um agradecimento especial ao Ramon, minha dupla nessa jornada. Se continuar sendo o profissional e a pessoa que é, você vai conquistar muita coisa nessa vida. Valeu, mano, você é fera!
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