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Lucas Ribeiro
Lucas Ribeiro

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Generalista ou especialista? Nenhum dos dois.

Como desenvolver uma visão periférica pode transformar sua carreira em tecnologia

Por algumas das empresas pelas quais passei, sempre que tive oportunidade de mentorar pessoas, tanto no mesmo momento de carreira que eu quanto pessoas que buscavam evoluir para um nível acima, sempre tinha um questionamento que rondava essas mentorias: devo focar em ser generalista ou me especializar em algum tema?

É um questionamento muito válido. Mas acredito que pode ser bem limitante para a carreira de qualquer pessoa. As justificativas para seguir um caminho mais generalista envolvem poder atuar em várias áreas dentro da tecnologia ou até mesmo alcançar um leque maior de possibilidades.1 Ao mesmo tempo, ser especialista, dependendo da área, pode trazer muitos benefícios: algumas empresas possuem sistemas tão críticos que é necessário contar com profissionais bem especializados em tais tecnologias, profissionais que frequentemente precisam de certificações e pós-graduações.2

Os limites da falsa dicotomia

Antes de apresentar o terceiro caminho, preciso mostrar por que os dois primeiros são mais limitados do que parecem. É aí que a visão periférica começa a fazer sentido.

Ainda assim, na minha opinião, continua sendo uma visão limitante em relação a todas as oportunidades que uma pessoa pode ter, principalmente dentro da área de tecnologia e da longevidade que as carreiras possuem hoje em dia.

Poderíamos expandir para outras profissões, mas como não tenho tanto conhecimento do que seria um especialista ou generalista dentro da advocacia ou da medicina, vou me limitar a falar de tecnologia.

Outro ponto que pode limitar ainda mais essa perspectiva: muitas pessoas acreditam que ser generalista significa estudar várias tecnologias de maneira isolada, aprender 10 linguagens de programação e encher o GitHub com projetos de skills técnicas diferentes. Por outro lado, muitos pensam que ser especialista é estudar uma tecnologia e suas stacks periféricas por anos, tirar todas as certificações e se especializar em frameworks. Dentro do mundo Java, por exemplo, é comum as pessoas tirarem certificações e se tornarem especialistas em frameworks como Spring, Hibernate e por aí vai.

Perceba que, de uma maneira ou de outra, as duas direções te limitam a olhar para dentro. Quando digo "olhar para dentro", quero dizer que você continua restrito ao campo de visão da área de tecnologia. E, definitivamente, não foi isso que me ajudou a evoluir na minha carreira.

Visão periférica: um terceiro caminho

Proponho um conceito que particularmente nunca vi ninguém falando por aí: desenvolva uma carreira com visão periférica.

Não estou falando de ser generalista, que pode ser o que as pessoas interpretem ao ler "visão periférica". O generalista acumula conhecimento em múltiplas áreas técnicas. A visão periférica que proponho é diferente: é se interessar pelo que está além da tecnologia, principalmente por pontos mais estratégicos do negócio.

Existe um limiar que todos, independente do caminho que sigam, vão enfrentar com o mesmo questionamento: o que fazer agora que cheguei nesse ponto da carreira? Tenho um nível técnico bom. Já tirei certificações. Participei de projetos relevantes. Como posso evoluir além disso? Respondo da maneira mais simples possível: agora é a hora de ser estratégico.3

Mas como uma pessoa de tecnologia pode começar a gerar impacto estratégico dentro das empresas? Só tem um caminho: precisa começar a ter mais visão de negócio, desenvolver uma boa comunicação,4 puxar iniciativas que impactam a empresa em diversas áreas, gerenciar pessoas (nesse ponto não estou falando em se tornar um gerente, até porque hoje existem muitas possibilidades de evolução em um caminho altamente técnico) e, por fim, mentorar outros profissionais.5

O caminho mais simples para iniciar essa jornada é começar a se interessar por outras áreas dentro da própria empresa onde você atua. E aqui não estou falando de outras frentes de tecnologia, mas de áreas como produto, negócio, design e suporte ao cliente. Esse último é um caminho excelente para evoluir: ter contato com o cliente fará você desenvolver uma visão da percepção do cliente sobre o negócio e, ao mesmo tempo, desenvolver a comunicação.

Não basta apenas prestar atenção em como esses profissionais agem. O ponto central é entender como eles tomam decisões. Profissionais ligados diretamente ao negócio muitas vezes utilizam dados do cliente ou do projeto para tomada de decisão. Pessoas de design utilizam percepções de psicologia e comportamento do cliente. Pessoas que trabalham com customer success precisam de boa comunicação para lidar com as necessidades mais urgentes dos clientes, além de muitas vezes coordenar diferentes núcleos de atuação para resolver problemas.

A partir do momento em que você começa a entender mais a fundo o motivo de algumas decisões,6 tudo muda. Quando estamos iniciando na área, ficamos muito focados em programar, eliminar tasks do backlog, resolver bugs e refatorar ou migrar projetos. Essa é a diversão para nós, pessoas técnicas. Até certo ponto faz sentido criar uma casca técnica, porque o nosso tempo é limitado e, quando somos iniciantes, pode ser difícil lidar com tudo ao mesmo tempo: evoluir tecnicamente e ainda desenvolver essa visão periférica.

Só que chegará um ponto em que desenvolver essa visão periférica será a sua prioridade. Depois que você consegue consolidar seus conhecimentos técnicos e desenvolver uma boa base teórica, fica mais simples evoluir ainda mais tecnicamente.

O que mudou na prática

Viu como focar em ser generalista ou especialista não te fará dar o próximo passo?

O que virou a minha chavinha foi começar a me interessar por outros perfis dentro, principalmente, das próprias squads pelas quais passei. Até certo ponto, comecei a ler livros, acessar comunidades específicas e, quando disponíveis, até mesmo cursos. Não com o objetivo de migrar de área, mas sim de expandir a minha visão sobre negócio.

Com isso, minha comunicação melhorou bastante. Quando digo comunicação, não é simplesmente perder o medo de se comunicar. É também saber o que não precisa ser comunicado, ser direto e entender que a maneira como você apresenta determinados assuntos exige estratégias diferentes. Com um time técnico, posso fazer um deep dive maior ao apresentar uma solução. Mas com perfis do nível de gerência para cima, preciso decidir o que não é relevante naquele momento e ainda assim conseguir passar uma mensagem relevante para aquela pessoa.

Para onde olhar agora

Deixo essa reflexão para todos que estão em dúvida sobre essas definições. Uma carreira pode ser extremamente impactante e, ao mesmo tempo, você dedicará um tempo importante da sua vida a ela. Não faz sentido ficar preso a terminologias que limitam sua visão sobre o que é possível.

Finalizo com a seguinte pergunta: o que você poderia estar fazendo agora que geraria um impacto maior do ponto de vista estratégico? Você tem se colocado na pele de outros profissionais? Tem procurado entender quais são os pontos importantes para que eles tomem suas decisões?

Compartilhe nos comentários se você já tinha essa perspectiva sobre carreira e se a minha experiência pode ter ajudado de alguma maneira.

Referências

1. Tech Guide — Alura. Projeto open-source de mapeamento de carreiras em tecnologia no modelo T-shaped.

2. Especialista vs Generalista — Oliveira, R. LinkedIn, 8 set. 2023.

3. Como você pode criar impacto em sua carreira? — Comunidade LinkedIn. LinkedIn.

4. Como desenvolver e comunicar uma visão estratégica para sua área ou equipe — Bot, nIA; Moraes, L. Exame, 22 abr. 2025.

5. O Papel do Mentor: Inspirando o Crescimento e a Autonomia — PUCRS. Blog PUCRS Online.

6. Como tomar decisões estratégicas para a sua empresa? — Great Place To Work®. GPTW, 2 jun. 2026.

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