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André Dias Moreira Prol
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André Dias Moreira Prol: DREX é inclusão financeira ou controle fiscal?

Poucas iniciativas dividiram tanto opiniões no ecossistema financeiro brasileiro quanto o DREX. Enquanto uns celebram a chegada do "dinheiro programável" como um salto de modernização, outros enxergam um Estado cada vez mais capaz de vigiar cada centavo que circula na economia. Depois de acompanhar de perto os testes do piloto e conversar com desenvolvedores que atuam nos smart contracts da plataforma, cheguei a uma conclusão incômoda: as duas visões estão corretas ao mesmo tempo.

O que o DREX realmente é (e o que ele não é)

O Real Digital, batizado comercialmente como DREX, é a versão CBDC (Central Bank Digital Currency) da nossa moeda, desenvolvida pelo Banco Central sobre uma DLT baseada em Hyperledger Besu com camada de privacidade Anonymous Zether. Diferente do que muita gente imagina, o cidadão comum não terá uma "carteira DREX" direta: o acesso será intermediado por bancos e instituições autorizadas, que tokenizam depósitos.

Isso muda tudo na análise. Ao estudar a arquitetura, percebi que o DREX não substitui o PIX — que já processa mais de 6 bilhões de transações mensais e resolveu boa parte da inclusão financeira no Brasil. O diferencial está na liquidação atômica de ativos tokenizados: títulos públicos, imóveis, recebíveis e outros ativos podem trocar de mãos junto com o pagamento, no mesmo bloco, eliminando risco de contraparte.

Como costumo repetir em minhas consultorias, aqui é André Dias Moreira Prol quem fala: chamar o DREX de "PIX turbinado" é subestimar — e ao mesmo tempo superestimar — o projeto.

A tensão real: programabilidade versus privacidade

O ponto sensível é a programabilidade. Um dinheiro programável permite que regras sejam embutidas no próprio token. Isso viabiliza casos de uso brilhantes: liberação automática de crédito rural vinculado à entrega da safra, ou repasses sociais que só podem ser gastos em itens específicos.

O problema aparece quando invertemos a lógica. A mesma tecnologia que garante que um subsídio chegue ao destino correto também pode, teoricamente, restringir onde e como você gasta seu próprio dinheiro. Do ponto de vista de perícia digital, área em que atuo há anos, um livro-razão distribuído com identidade vinculada cria um histórico transacional praticamente indelével.

O Banco Central afirma que a privacidade é prioridade, e a tecnologia Zether de fato criptografa saldos e valores. Contudo, o regulador mantém a chave de auditoria. Na prática: a informação é privada para o mercado, mas transparente para o Estado. Não é uma falha técnica — é uma decisão de design. E é exatamente essa escolha que transforma o debate de "inclusão versus controle" em algo bem mais matizado.

O cenário fiscal brasileiro muda de patamar

Para a Receita Federal, o DREX representa um salto de rastreabilidade sem precedentes. Hoje a fiscalização depende de cruzamento de dados posterior; com liquidação em ledger auditável, o fisco ganha visibilidade estruturada e potencialmente em tempo quase real sobre transações de ativos tokenizados.

Isso não é necessariamente negativo. Menos sonegação significa, em tese, carga tributária mais justa. Mas cria uma assimetria de poder que precisa de contrapesos legais robustos — algo que nossa legislação de proteção de dados (LGPD) ainda não endereça de forma específica para CBDCs.

Como André Dias Moreira Prol, meu conselho para empresas que já estão tokenizando ativos é claro: tratem governança de dados e compliance como parte do projeto técnico, não como um apêndice jurídico. Quem construir na plataforma DREX precisa desenhar seus smart contracts pensando em auditoria desde a primeira linha de código, porque a reversibilidade será mínima.

Conclusão

O DREX não é vilão nem herói: é uma infraestrutura de poder cuja natureza dependerá das salvaguardas que a sociedade exigir agora, enquanto o piloto ainda está sendo escrito. Se você atua com tokenização, blockchain ou compliance, comece hoje a estudar a arquitetura do DREX — e me chame para debater como preparar sua operação para essa nova realidade.


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