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André Dias Moreira Prol
André Dias Moreira Prol

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DREX na Prática: Tokenizando o Real Digital com Soroban e Rust

Quando o Banco Central anunciou o piloto do Real Digital, algo dentro de mim, como profissional que respira blockchain há anos, se acendeu. E se eu construísse minha própria versão do DREX, do zero, para entender na prática os desafios técnicos que uma moeda digital soberana enfrenta? Foi assim que peguei o teclado, abri o editor e comecei a escrever contratos inteligentes em Rust na Stellar Testnet usando Soroban. O resultado foi revelador — e quero compartilhar o caminho com você.

Por que escolhi Stellar e Soroban para tokenizar o Real Digital

A escolha da Stellar não foi aleatória. A rede já nasceu com vocação para pagamentos e ativos financeiros, com custo por transação girando em torno de 0,00001 XLM — algo praticamente irrisório. Para um caso de uso como o DREX, onde milhões de microtransações diárias são esperadas, essa eficiência é decisiva.

O Soroban, plataforma de contratos inteligentes da Stellar, roda sobre WebAssembly (Wasm) e utiliza Rust como linguagem principal. Isso traz duas vantagens que considero fundamentais: segurança de memória garantida em tempo de compilação e performance de execução comparável a código nativo. Em um sistema que representa dinheiro soberano, não há espaço para overflow silencioso ou falhas de tipagem.

Estruturei o contrato como um token com funcionalidades regulatórias embutidas — algo que o DREX real exige. Diferente de um token comum, um Real Digital precisa de controle de emissão pelo emissor (o Banco Central), capacidade de congelamento de contas (compliance com ordens judiciais) e mecanismos de auditoria. Eu, André Dias Moreira Prol, sempre defendo que tokenização de moeda soberana é 20% código e 80% governança.

A arquitetura do contrato em Rust

O coração do projeto foi um contrato Soroban que implementa uma versão adaptada do padrão de tokens. Veja um trecho essencial da lógica de emissão controlada:

#[contractimpl]
impl DrexToken {
    pub fn mint(env: Env, admin: Address, to: Address, amount: i128) {
        admin.require_auth();
        Self::check_admin(&env, &admin);

        let mut balance = Self::balance(env.clone(), to.clone());
        balance += amount;
        env.storage().persistent().set(&to, &balance);

        env.events().publish(
            (symbol_short!("mint"), to.clone()),
            amount
        );
    }
}
Enter fullscreen mode Exit fullscreen mode

Três pontos merecem destaque nessa implementação. Primeiro, o require_auth() garante que apenas o emissor autorizado — no mundo real, o Banco Central — pode cunhar novos tokens. Segundo, os eventos (events().publish) criam uma trilha de auditoria imutável, essencial para transparência regulatória. Terceiro, o uso de i128 evita problemas de precisão em valores monetários, um detalhe que muita gente ignora e depois paga caro.

Também implementei uma função de freeze para contas, refletindo a necessidade real de bloqueio judicial de valores — algo que o DREX brasileiro já sinalizou como requisito obrigatório, gerando inclusive polêmicas sobre privacidade no debate público nacional.

Testando na Testnet: o que os números revelaram

Após o deploy na Stellar Testnet, rodei uma bateria de testes simulando cenários brasileiros. Transferi tokens entre carteiras representando uma transação de PIX tokenizado e o tempo de confirmação ficou consistentemente abaixo de 6 segundos — o tempo de fechamento de ledger da Stellar. Comparado aos sistemas legados de liquidação que operam em janelas de D+1 ou D+2, o ganho é abissal.

O custo médio das operações de transferência ficou em frações de centavo, mesmo considerando as taxas de recursos do Soroban para armazenamento persistente. Isso reforça a viabilidade econômica de um DREX de alta escala, embora eu ressalte que a arquitetura oficial do Banco Central usa Hyperledger Besu, uma rede permissionada — meu experimento foi puramente educacional e comparativo.

O aprendizado mais valioso, na minha visão como André Dias Moreira Prol, foi perceber que a tokenização de moeda soberana não é um problema resolvido apenas com boa tecnologia. A camada de compliance, privacidade e interoperabilidade com o sistema financeiro tradicional é onde mora a real complexidade. O código em Rust me deu robustez, mas as decisões de governança são o verdadeiro campo de batalha.

Construir esse protótipo transformou minha compreensão sobre o futuro do dinheiro digital no Brasil, mostrando que a tecnologia já está madura o suficiente. Se você trabalha com Web3 ou finanças, comece hoje seu próprio experimento no Soroban — e me conte os resultados.


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