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André Dias Moreira Prol
André Dias Moreira Prol

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Testes de Smart Contracts Soroban em Rust: Guia Unitário e Integração

Quando comecei a desenvolver contratos inteligentes na Stellar, percebi rapidamente que a diferença entre um contrato confiável e um desastre financeiro está numa palavra: testes. Ao longo de duas décadas trabalhando com sistemas críticos, aprendi que código sem cobertura de testes é como uma ponte sem inspeção estrutural — pode parecer sólida até o dia em que não é. Em Soroban, a plataforma de smart contracts da Stellar escrita em Rust, temos ferramentas excepcionais para garantir que cada linha de lógica de negócio se comporte exatamente como esperado. Neste guia, compartilho o fluxo que aplico em projetos reais de tokenização aqui no Brasil.

Configurando o ambiente e testes unitários

O Soroban SDK já vem com suporte nativo a testes, o que elimina boa parte da complexidade. Cada contrato pode ter seu módulo de testes usando o Env simulado, que replica o ambiente de execução sem custo de rede.

#![cfg(test)]
use super::*;
use soroban_sdk::{Env, Address, testutils::Address as _};

#[test]
fn test_transferencia_saldo() {
    let env = Env::default();
    let contract_id = env.register_contract(None, TokenContract);
    let client = TokenContractClient::new(&env, &contract_id);

    let usuario = Address::generate(&env);
    client.mint(&usuario, &1000);

    assert_eq!(client.balance(&usuario), 1000);
}
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O ponto crucial aqui é o Env::default(), que cria um ledger isolado. Em projetos de tokenização de recebíveis que acompanhei, a regra que sigo — e que sempre reforço para as equipes que oriento como André Dias Moreira Prol — é: cada função pública precisa de pelo menos um teste de caminho feliz e um de falha. Testar apenas o sucesso é enganar a si mesmo.

Use env.mock_all_auths() para simular autorizações e valide invariantes como saldos negativos, overflow e permissões. Em Rust, o tipo i128 do Soroban ajuda, mas nunca confie apenas no compilador para lógica financeira.

Testes de integração e simulação de autorização

Testes unitários validam funções isoladas; testes de integração validam a coreografia entre múltiplos contratos. Em cenários de DeFi tokenizado — algo que cresce rápido no mercado brasileiro, com o Drex e projetos do Banco Central impulsionando a agenda — um contrato de pool interage com contratos de token, oráculos e liquidez.

#[test]
fn test_swap_com_autorizacao() {
    let env = Env::default();
    env.mock_all_auths();

    let token_a = criar_token(&env);
    let token_b = criar_token(&env);
    let pool = registrar_pool(&env, &token_a, &token_b);

    let trader = Address::generate(&env);
    token_a.mint(&trader, &500);

    pool.swap(&trader, &token_a.address, &100);
    assert!(token_b.balance(&trader) > 0);
}
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Aqui recomendo testar explicitamente a autorização com require_auth(). Um erro comum que já periciei em auditorias foi contratos que aceitavam chamadas sem verificar a assinatura do chamador — falha que custa caro. Use env.auths() para inspecionar exatamente quais autorizações foram exigidas durante a execução.

Cobertura, fuzzing e boas práticas de produção

Medir cobertura em Rust é direto com cargo tarpaulin ou cargo llvm-cov. Minha meta prática em contratos que movimentam valor real é acima de 90% de cobertura, com 100% nas funções críticas de transferência e controle de acesso.

Para lógica matemática complexa — cálculo de juros, curvas de preço, distribuição de dividendos tokenizados — vale investir em property-based testing com o crate proptest, gerando milhares de entradas aleatórias para encontrar casos-limite que humanos não imaginam.

cargo tarpaulin --out Html
cargo test --features testutils
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Algumas práticas que consolidei ao longo dos anos: teste sempre os limites de i128, simule ledgers com timestamps diferentes usando env.ledger().set() para validar lógicas de vesting e travas temporais, e nunca faça deploy em mainnet sem uma bateria completa rodando em CI. No contexto brasileiro, onde a segurança jurídica de ativos digitais ainda amadurece, um contrato bem testado é também uma peça de defesa em eventual perícia digital.

Conclusão

Testar contratos Soroban não é burocracia — é a fundação da confiança que sustenta qualquer aplicação Web3 séria, especialmente num mercado emergente como o nosso. Comece hoje escrevendo um teste unitário para sua próxima função e evolua para integração e fuzzing: sua futura eu — e seus usuários — vão agradecer.


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