Tarifa Branca vs Mercado Livre: Simulação Matemática Precisa para Consumo até 400 kWh
Você recebe aquela conta de luz no final do mês e fica se perguntando: "Por que está tão cara? Existe uma forma melhor de pagar por energia?"
A resposta é sim — mas não é a mesma para todo mundo.
Se você consome até 400 kWh por mês, provavelmente está entre os milhões de brasileiros que pagam tarifa convencional, sem perceber que existem duas alternativas que podem reduzir significativamente sua conta: a Tarifa Branca e o Mercado Livre de Energia. O problema? Nem sempre as duas são acessíveis — e quando são, nem sempre compensam.
Neste artigo, vou desvendar essas duas opções com simulações matemáticas reais, mostrar exatamente para quem cada uma funciona e ajudar você a descobrir qual é a melhor escolha para sua situação. Vamos lá?
O que é Tarifa Branca e como funciona
A Tarifa Branca é um sistema de preços que varia conforme o horário e o dia da semana. Em vez de pagar o mesmo valor por kWh o tempo todo, você paga tarifas diferentes:
- Horário de ponta (17h às 20h, dias úteis): valor mais alto
- Horário intermediário (16h-17h e 20h-21h, dias úteis): valor médio
- Horário fora de ponta (21h às 16h, dias úteis e finais de semana): valor mais baixo
A lógica por trás disso é simples: a distribuidora quer desestimular o consumo nos horários de maior demanda, quando a energia é mais cara para gerar e distribuir.
Quem pode aderir? Praticamente qualquer consumidor residencial de baixa tensão pode solicitar adesão à Tarifa Branca junto à sua distribuidora — sem necessidade de equipamentos novos. É apenas uma mudança contratual.
Como funciona na prática: Se você conseguir deslocar parte do seu consumo (máquina de lavar, banho quente, uso de chuveiro elétrico) para horários fora de ponta, economiza. Se não conseguir, pode acabar pagando mais.
Mercado Livre de Energia: A realidade para consumo baixo
Aqui começa a complicação.
O Mercado Livre de Energia é um ambiente onde você pode negociar o preço da energia diretamente com fornecedores, sem estar preso à tarifa da distribuidora. Parece ótimo, certo?
Mas existe um detalhe importante: consumidores residenciais com consumo de até 400 kWh/mês não podem acessar o Mercado Livre diretamente.
Por quê? Porque o Mercado Livre é regulado pela ANEEL e CCEE, e historicamente foi desenhado para grandes consumidores (indústrias e grandes comércios). A partir de 2024, a regra se expandiu: agora consumidores do Grupo A (média e alta tensão) com demanda contratada abaixo de 500 kW podem migrar via Comercializador Varejista.
Mas qual é o problema? Residências monofásicas típicas funcionam em baixa tensão (até 2,3 kV) e pertencem ao Grupo B. Você não é elegível para o Mercado Livre a menos que sua conexão seja trifásica em tensão superior.
Se você é MEI, pequeno comério ou tem uma pequena indústria em tensão superior, aí sim você pode entrar. Mas para a maioria dos residenciais? Não é uma opção — pelo menos não ainda.
Simulação Matemática: Tarifa Branca vs Tarifa Convencional
Vamos aos números reais. Usarei dados da Resolução Homologatória Nº 3.477/2025 da ANEEL, que define as tarifas vigentes em 2025.
Cenário: Consumidor residencial em São Paulo (Enel), consumindo 400 kWh/mês.
Tarifa Convencional (valores aproximados 2025):
- Tarifa média: R$ 0,85/kWh (incluso ICMS)
- Consumo: 400 kWh
- Custo mensal: R$ 340
Tarifa Branca (valores aproximados 2025 — Enel SP):
- Fora de ponta: R$ 0,62/kWh
- Intermediário: R$ 0,95/kWh
- Ponta: R$ 1,45/kWh
Agora, o resultado depende completamente de como você distribui seu consumo ao longo do dia.
Cenário A — Consumidor que consegue deslocar 50% do consumo para fora de ponta:
- 200 kWh fora de ponta: 200 × R$ 0,62 = R$ 124
- 150 kWh intermediário: 150 × R$ 0,95 = R$ 142,50
- 50 kWh ponta: 50 × R$ 1,45 = R$ 72,50
- Total: R$ 339 (economia: praticamente nenhuma)
Cenário B — Consumidor que consegue deslocar 70% do consumo para fora de ponta:
- 280 kWh fora de ponta: 280 × R$ 0,62 = R$ 173,60
- 100 kWh intermediário: 100 × R$ 0,95 = R$ 95
- 20 kWh ponta: 20 × R$ 1,45 = R$ 29
- Total: R$ 297,60 (economia: ~12%)
Cenário C — Consumidor que NÃO consegue deslocar consumo (padrão):
- Distribuição normal (mais consumo em horários de pico)
- 100 kWh fora de ponta: 100 × R$ 0,62 = R$ 62
- 150 kWh intermediário: 150 × R$ 0,95 = R$ 142,50
- 150 kWh ponta: 150 × R$ 1,45 = R$ 217,50
- Total: R$ 422 (custo MAIOR que tarifa convencional)
Conclusão da simulação: A Tarifa Branca só compensa se você conseguir deslocar pelo menos 60-70% do seu consumo para fora de ponta. Para a maioria dos residenciais, especialmente aqueles com chuveiro elétrico ou ar-condicionado, isso é praticamente impossível.
Por que o Mercado Livre não é opção para você (ainda)
Dados de 2025 mostram que o Mercado Livre representa 40% do consumo total do Brasil, mas a distribuição é desequilibrada:
- Indústria: 92% dos consumidores industriais estão no Mercado Livre
- Comércio: 39% dos consumidores comerciais estão no Mercado Livre
- Residencial: menos de 1% (praticamente nenhum)
A razão? Além da restrição regulatória, existe uma barreira econômica: o PLD (Preço de Liquidação das Diferenças) — o preço da energia no mercado — disparou em 2025. Isso significa que as margens de economia encolheram drasticamente.
Historicamente, consumidores do Mercado Livre conseguiam economias de 20% a 40% em relação à tarifa convencional. Em 2025, com a mudança nos modelos computacionais e a elevação do PLD, essas margens caíram significativamente.
Além disso, a Lei 15.269/2025 limitou descontos em TUSD (Tarifa de Uso do Sistema de Distribuição) para energia incentivada, reduzindo ainda mais a atratividade para novos consumidores.
Existe uma alternativa melhor? Portabilidade de Energia
Enquanto você não pode acessar o Mercado Livre tradicional como residencial, existe uma terceira via que está crescendo: a portabilidade de energia através de comercializadoras de energia limpa.
Diferente do Mercado Livre, a portabilidade permite que residenciais migrem para fornecedores de energia 100% renovável (solar e eólica) sem trocar de distribuidora, sem obras e sem equipamentos novos. O processo é 100% digital e gratuito.
Plataformas como energialex.app tornaram esse processo simples. Você envia uma foto da sua conta de luz, assina digitalmente e a empresa cuida de toda a papelada. A ativação leva 60 a 90 dias, e você passa a receber energia limpa com preço único o dia todo — sem horário de ponta, sem bandeiras tarifárias.
Para consumidores do Grupo B (residências, pequenos comércios, escolas), a economia pode chegar a 20%, e você ainda ajuda o planeta. Melhor ainda: não há fidelidade nem multa — você pode migrar para outra empresa quando quiser.
FAQ: Dúvidas Frequentes
P: Posso escolher Tarifa Branca e depois voltar para convencional?
R: Sim. Você pode solicitar à distribuidora para retornar à tarifa convencional a qualquer momento. Verifique os prazos específicos no site da sua distribuidora.
P: A Tarifa Branca é obrigatória?
R: Não. É totalmente opcional. Você precisa solicitar formalmente à distribuidora. Se não solicitar, permanece na tarifa convencional.
P: Meu consumo é 300 kWh/mês. Consigo acessar Mercado Livre?
R: Apenas se sua conexão for trifásica em tensão superior a 2,3 kV (Grupo A). Se for residencial monofásico em baixa tensão (Grupo B), não. Mas você pode considerar portabilidade de energia.
P: Qual é mais seguro: Tarifa Branca ou Mercado Livre?
R: Ambos são regulados pela ANEEL. A distribuidora continua sendo responsável pela entrega física da energia em qualquer caso — não há risco de falta de energia.
P: Preciso comprar equipamentos para adesão à Tarifa Branca?
R: Não. É apenas uma mudança contratual. Alguns medidores antigos podem precisar de atualização, mas a distribuidora comunica isso.
Checklist: Qual opção é para você?
Escolha Tarifa Branca se:
- ✅ Você consegue deslocar 60%+ do consumo para fora de ponta
- ✅ Tem flexibilidade para usar chuveiro, máquina de lavar e ar-condicionado fora do horário de pico
- ✅ Quer economizar 10-15% (realista)
- ✅ Não quer mudar de fornecedor
Escolha Portabilidade de Energia se:
- ✅ Quer economia maior (até 20%) sem mudar hábitos
- ✅ Valoriza energia 100% limpa
- ✅ Prefere processo 100% digital e sem burocracia
- ✅ Quer preço único o dia todo (sem horário de ponta)
Mercado Livre é para você apenas se:
- ✅ Sua conexão é Grupo A (média/alta tensão)
- ✅ Demanda contratada é inferior a 500 kW
- ✅ Você é pequeno comércio ou pequena indústria
- ✅ Está disposto a negociar contrato específico
Conclusão: Sua Melhor Opção
A realidade é que para a maioria dos consumidores residenciais com até 400 kWh/mês, a Tarifa Branca promete mais do que entrega. A menos que você tenha uma rotina muito flexível, as economias serão mínimas — e você pode acabar pagando mais.
O Mercado Livre tradicional não é acessível para residenciais de baixa tensão, e as mudanças regulatórias de 2025 tornaram menos atrativo até para quem pode acessar.
A melhor alternativa que surgiu nos últimos anos é a portabilidade de energia. Sem trocar distribuidora, sem obras, sem equipamentos novos, você migra para energia 100% renovável com economia real e preço único o dia todo.
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Sobre a autora
Ava Mendes é especialista em energia renovável e economia doméstica. Ajuda consumidores residenciais e empresariais a reduzirem custos com eletricidade através de portabilidade de energia. Conheça soluções gratuitas em energialex.app
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