Quem nunca programou para loja física no Brasil costuma achar que ERP é CRUD com relatório. Não é. Trabalhamos com isso desde 1996, hoje em uma plataforma multi-tenant em Laravel, e estas são as quatro regras de negócio que mais moldaram o nosso código.
1. Fiscal não é um módulo, é o chão
NF-e, NFC-e, NFS-e, CT-e e MDF-e têm regras próprias e dependem de comunicação com a SEFAZ. Tratar fiscal como um módulo plugado no fim do projeto não funciona: ele afeta cadastro de produto, venda, estoque e financeiro.
E o chão está se movendo. A Reforma Tributária traz IBS e CBS, com dezenas de campos novos nos documentos.
2. Crediário próprio ainda existe, e muito
Loja de bairro vende no carnê. Isso pede parcelas, cobrança e histórico do cliente dentro do sistema, não em uma planilha ao lado.
3. Roupa e calçado têm grade
Um produto vira muitos: cor, tamanho, numeração. Se a grade não nasce no modelo de dados, o estoque nunca fecha. Adaptar depois custa muito mais do que modelar no começo.
4. O lojista está no WhatsApp
Nota, orçamento e pedido precisam sair por lá, direto do sistema. Para o lojista, canal que exige abrir outro programa é canal que não existe.
Três lições que valem para qualquer SaaS
- Construa em cima das dores do cliente mais exigente. O que resolve para ele costuma resolver para os outros.
- Não mostre tudo para todo mundo. Campo que o usuário só vai precisar daqui a um ano é ruído hoje.
- Teste no aparelho do cliente. No balcão, o sistema roda em tablet, e não necessariamente no Chrome.
E você?
Qual foi a regra de negócio brasileira mais estranha que já precisou programar? Conta nos comentários.
Este é o nosso primeiro post no DEV. Somos a equipe do ERPPro, sistema de gestão para lojas físicas.
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