A medicina baseada em evidências tem o seu pilar na inferência bayesiana e no teorema de Bayes para calcular a probabilidade de eventos e assim poder proporcionar ao paciente um diagnóstico confiável e um tratamento assertivo.
O pequeno exercício a seguir, ilustra esse conceito para responder a pergunta: Dado que um paciente foi diagnosticado com CJD, qual a verdadeira probabilidade de ele ter a doença?
Para calcular as probabilidades, definimos os eventos:
O que queremos calcular é a probabilidade da pessoa ter a doença dado que testou positivo, P(D|T).
Sabemos por [1], que essa doença atinge 0.000001, 1 indivíduo a cada um milhão de pessoas.
Além disso, o RT-QuIC é o padrão ouro para o diagnóstico da doença, tem uma proporção de falsos positivos (pessoas diagnosticadas sem ter a doença) de 0.01 (1%). Adotamos uma taxa de falsos positivos, refletindo a especificidade de 98,5% a 100%, reportada pelo estudo [2].
Para falsos negativos a taxa foi adotada para ser 0.08 (8%), ainda refletindo os números adotados em [2].
Estamos considerando a quota superior de ambos os parâmetros, considerando o pior cenário, que de acordo com o artigo varia.
Assim, se aplicarmos o teste para um indivíduo aleatório da população, a probabilidade de falso positivo é muito alta e dada por:
A segunda igualdade ilustra a fórmula com a probabilidade total, P(T), que pode ser derivada com o diagrama de Venn como ilustra a figura a seguir:
Assim, a probabilidade de ser portador da doença caso teste positivo é dada por:
Logo, a probabilidade de um indivíduo aleatório ser portador da CJD mesmo testando positivo é extremamente baixa. Isso demostra o paradoxo da taxa base (base rate fallacy), onde as pessoas tendem a ignorar a taxa base em favor da informação individualizadora dada.
Considerando agora um cenário em que o paciente apresenta encefalite refratária, a conta e a probabilidade mudam totalmente. Nesse cenário, em que um paciente apresenta encefalopatia rapidamente progressiva refratária a tratamentos padrão ouro, descartando os principais mimetizadores como encefalites autoimunes e infecciosas, a probabilidade à priori (pré-teste) é P(D|S) = 0.3 (30%) (estimativa conservadora), modificando nossos cálculos para
Verificamos que o cenário apresentado mudou drasticamente. Isso atribui um grau de confiança suficiente para o médico poder dar o diagnóstico ao paciente assertivamente com apenas uma taxa de aproximadamente 2% (0.0247) de falsos positivos.





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