Em 2023, eu arrumei as malas e saí de Recife, minha terra natal, para morar no interior do Mato Grosso. O motivo? Cursar Ciência da Computação.
Eu sabia que enfrentaria um choque cultural, o calor do Centro-Oeste e a saudade de casa. O que eu não imaginei é que o maior desafio seria a sensação constante de que eu era uma fraude no meio da minha própria sala de aula.
Se você estuda ou trabalha com tecnologia, provavelmente já passou por isso. Você senta na primeira semana de aula e parece que metade da turma já programa desde os 12 anos, fala termos técnicos que parecem outra língua e discute sobre ferramentas que você nem sabia que existiam.
Hoje, na reta final da graduação, focando meus estudos em Back-end e Dados, quebrando a cabeça com Go, Python e SQL, eu olho para trás e vejo o quanto essa cobrança silenciosa quase me paralisou.
Se você está sentindo que entrou no curso errado ou que todo mundo corre a 100 km/h enquanto você ainda está engatinhando, pega um café e vem ler este papo reto sobre como lidar com a tal da Síndrome do Impostor.
O "efeito vitrine" e a falsa ilusão de que somos os únicos perdidos
Na faculdade de TI, a comparação é quase inevitável. A gente abre o LinkedIn e vê o colega conseguindo estágio internacional; abre o GitHub e vê códigos impecáveis; na sala de aula, sempre tem quem responda às perguntas do professor antes mesmo dele terminar de falar.
O erro está em achar que o ritmo do outro deve ditar o seu.
Na Computação, as pessoas vêm de bagagens completamente diferentes. Quem já sabia programar antes da faculdade pode ter facilidade em Lógica de Programação, mas talvez sofra tanto quanto você quando chegar a hora de aprender Álgebra Linear ou Teoria da Computação.
Sentir-se perdida não significa incompetência; significa apenas que você está no processo de aprender algo complexo.
E adivinha? Todo mundo ali está tentando descobrir como as coisas funcionam, mesmo quem finge que sabe tudo.
O que me ajudou a virar a chave
Eu não acordei um dia livre da insegurança. Foi um processo. Mas algumas estratégias práticas mudaram a forma como eu encaro o meu aprendizado:
1. Documentar o meu próprio progresso
Quando estamos focados no quanto falta para aprender (e na TI sempre falta muito, já que as coisas mudam o tempo todo), esquecemos de olhar para onde saímos.
Comecei a anotar minhas pequenas vitórias.
Se hoje eu consegui estruturar uma API que ontem estava dando erro, ou se montei uma query sem precisar olhar o ChatGPT a cada linha, isso é evolução.
Comemore as pequenas conexões que o seu cérebro faz.
2. Sair da bolha da sala de aula
Uma das coisas que mais expandiu minha visão foi me envolver com a comunidade de tecnologia fora das paredes da universidade.
Participar de eventos nacionais e internacionais, me inscrever em programas de inovação e estar no Desafio LED me mostrou uma realidade diferente: até mesmo pessoas que representam o Brasil em iniciativas gigantescas ou profissionais seniores sentem frio na barriga e duvidam de si mesmos de vez em quando.
A vulnerabilidade nos conecta.
Você não precisa saber tudo (e spoiler: ninguém sabe)
Se eu pudesse dar um conselho para a Raissa de 2023, recém-chegada no Mato Grosso e assustada com as primeiras linhas de código, seria: respire.
O mercado e a faculdade não esperam que você seja uma enciclopédia viva de sintaxes e frameworks. Eles esperam que você tenha capacidade de resolver problemas, resiliência para lidar com erros e disposição para aprender continuamente.
Hoje, quando me deparo com um conceito complexo ou uma estrutura que me dá nós na cabeça, eu não penso mais:
"Eu não nasci para isso."
Eu penso:
"Eu ainda não aprendi isso."
Esse pequeno ajuste de mentalidade muda tudo.
E você?
Se você também estuda TI ou está no começo da carreira, me conta:
Você já se sentiu um impostor na sua turma ou no seu trabalho? Como você faz para contornar esse sentimento no dia a dia?
Vamos conversar nos comentários!
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