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João Oliveira
João Oliveira

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Cloudflare vs DNS do provedor de domínio

Por que usar o Cloudflare em vez do DNS padrão do seu registrador

Escrevi esse texto depois de um perrengue aqui na empresa onde trabalho. Precisei registrar uns subdomínios, entrei no painel da Cloudflare esperando achar os registros lá e não tinha nada, fui atrás do time para entender onde aquilo estava apontando e a resposta foi que tudo passava direto pelo provedor de domínio.

Quando você registra um domínio na GoDaddy, Namecheap, Registro.br ou qualquer outro provedor de domínio, ele já vem com um par de nameservers configurados por padrão. Funciona, mas "funcionar" e "ser a melhor opção para produção" são coisas diferentes, e trocar esses nameservers pelos da Cloudflare é uma das mudanças de maior custo-benefício que dá para fazer em um projeto.

O que muda ao trocar os nameservers

Um provedor de domínio só precisa resolver DNS: publicar seus registros A, CNAME, MX e afins, e responder consultas. A infraestrutura por trás disso varia muito de provedor para provedor e raramente é otimizada para latência global ou resiliência a ataques, porque não é o produto principal deles.

A Cloudflare constrói a rede em torno de DNS, CDN e mitigação de DDoS como núcleo do negócio, e isso aparece em números concretos: a rede anycast cobre mais de 330 cidades, então uma consulta DNS ou uma requisição HTTP é respondida pelo ponto de presença fisicamente mais próximo do usuário, não por um servidor central do outro lado do mundo. Hoje a Cloudflare responde por algo em torno de 23% de todos os sites da internet.

Vantagens técnicas

O anycast é a base de tudo. Não existe "o servidor DNS" que pode cair: se um ponto de presença fica indisponível, o tráfego é roteado automaticamente para o mais próximo, o que reduz latência de resolução e risco de indisponibilidade. A mesma arquitetura, combinada a TTLs baixos, também acelera a propagação de mudanças: um registro DNS alterado costuma valer em minutos, enquanto em boa parte dos provedores de domínio tradicionais não é incomum esperar horas.

A segurança é onde a diferença fica mais clara. O plano gratuito já inclui mitigação de DDoS ilimitada e não medida para o tráfego que passa pela rede proxied, cobrindo tanto ataques de camada de rede quanto ataques volumétricos na camada de aplicação. Um provedor de domínio tradicional não tem essa camada: ele resolve o nome e para por aí, sem ficar na frente do seu tráfego para absorver um ataque. Em cima disso vem um WAF com regras gerenciadas contra ataques comuns como SQL injection e XSS (regras customizadas e ajuste fino por rota ficam nos planos pagos, mas a proteção básica já está incluída de graça).

Ativar o modo proxy (a nuvem laranja) também transforma a Cloudflare em CDN: conteúdo estático passa a ser servido pela borda, mais perto do visitante, em vez de bater direto no servidor de origem toda vez. Isso tira carga do backend e melhora o tempo de carregamento, principalmente para quem acessa de longe do datacenter onde o site está hospedado.

Do lado de integridade, o DNSSEC é simples de ativar e adiciona assinatura criptográfica às respostas DNS, dificultando spoofing e cache poisoning. Muitos provedores de domínio também oferecem DNSSEC, mas nem todos, e a configuração costuma ser mais burocrática. O Universal SSL resolve outro problema clássico: emite e renova certificados automaticamente para o domínio proxied sem precisar tocar no servidor de origem, então certificado expirado deixa de ser motivo de susto.

O painel ainda mostra volume de tráfego, origem geográfica, ameaças bloqueadas e performance, tudo em um lugar só, algo que a maioria dos provedores de domínio não oferece (no máximo um log básico de consultas DNS). E se você já usa Cloudflare para CDN, WAF ou Zero Trust, ter o DNS ali junto elimina a necessidade de alternar entre dois provedores para qualquer mudança.

Quando faz mais sentido manter o DNS no provedor de domínio

Nem todo caso pede Cloudflare. Se o domínio não aponta para um serviço público com tráfego relevante (por exemplo, é usado só para e-mail interno ou um sistema acessado por VPN), a camada extra de proxy e CDN não agrega muito. Alguns provedores de hospedagem também exigem o uso do próprio DNS para funcionalidades específicas de auto-configuração, e nesses casos manter tudo no mesmo lugar simplifica a operação. Mas isso são exceções: para a grande maioria dos sites com tráfego público, migrar os nameservers para a Cloudflare traz ganho de performance, segurança e visibilidade sem custo no plano gratuito, e é uma mudança reversível a qualquer momento.

Vale a pena trocar?

Usar o DNS do próprio provedor de domínio não é errado, só deixa sobre a mesa uma rede anycast global, proteção contra DDoS, CDN, WAF e SSL gratuitos que já vêm publicados por padrão em um provedor especializado exatamente nisso. Para a maioria dos projetos que dependem de disponibilidade e performance, essa troca custa uma tarde de trabalho e paga dividendos todos os dias depois.

Já aconteceu de você configurar algo achando que estava em um lugar e descobrir que estava em outro?

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