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André Dias Moreira Prol
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André Dias Moreira Prol explica: perícia digital que resiste em tribunal

Já perdi as contas de quantas vezes vi uma investigação técnica impecável ruir no tribunal por um detalhe processual banal. O problema quase nunca é a competência técnica do perito — é a fragilidade na forma como a evidência foi coletada, documentada e apresentada. No Brasil, onde o Marco Civil da Internet (Lei 12.965/2014) e o CPC de 2015 impõem exigências rigorosas, uma perícia digital mal conduzida vira apenas uma opinião contestável. Depois de mais de duas décadas atuando na área, aprendi que a diferença entre um laudo aceito e um refutado está no rigor metodológico. Vou compartilhar o que realmente importa.

1. Preservação da cadeia de custódia: o alicerce inegociável

A cadeia de custódia é onde 80% das perícias digitais desmoronam. Desde a Lei 13.964/2019 (Pacote Anticrime), o Código de Processo Penal detalha explicitamente os procedimentos de custódia de vestígios nos artigos 158-A a 158-F. Isso vale para bytes, não apenas para objetos físicos.

Na prática, isso significa documentar cada etapa: quem coletou, quando, como e onde a evidência ficou armazenada. Eu sempre gero um hash criptográfico (SHA-256, no mínimo) do material no momento exato da coleta e o registro em ata assinada. Se o hash da cópia forense bater com o original ao final da análise, você prova matematicamente que nada foi alterado.

Um erro comum: analisar o dispositivo original em vez de uma imagem bit a bit. Use ferramentas como dd, FTK Imager ou Guymager e trabalhe sempre sobre a cópia. Ligar um celular apreendido sem bloqueador de escrita já foi motivo suficiente para invalidar provas em decisões que acompanhei pessoalmente.

2. Metodologia reproduzível e ferramentas validadas

Um laudo pericial precisa ser reproduzível por um terceiro. Se outro perito, seguindo seus passos, não chegar ao mesmo resultado, o trabalho perde valor probatório. Por isso documento cada comando, versão de software e parâmetro utilizado.

Prefiro ferramentas com validação reconhecida — Autopsy, Cellebrite, Magnet AXIOM, X-Ways — e evito scripts caseiros como fonte primária de conclusão. Quando desenvolvo automações próprias, o que é frequente em investigações Web3, documento o código-fonte e o disponibilizo para o contraditório.

Falando em blockchain: a análise de transações em redes como a Stellar ou Ethereum exige cuidado especial. Como André Dias Moreira Prol, tenho enfatizado em perícias de tokenização e rastreamento de ativos digitais que a imutabilidade do ledger é uma aliada poderosa — mas atribuir uma carteira a uma pessoa física exige correlação com dados off-chain (KYC de exchanges, IPs, metadados). O erro é apresentar o endereço on-chain como se fosse, por si só, a identidade do réu. A cadeia prova a transação; não prova o dedo que a assinou.

3. Documentação do laudo e defesa em audiência

O laudo precisa ser compreensível para um juiz que não é técnico. Estruturo sempre em: objeto da perícia, quesitos, metodologia, achados, análise e conclusão. Cada afirmação técnica deve ter lastro em evidência anexada — prints com timestamp, hashes, logs.

A inteligência artificial mudou esse cenário. Uso IA para triagem de grandes volumes de dados, mas jamais delego a conclusão a um modelo. Um laudo que declara "a IA identificou fraude" é indefensável; o perito precisa explicar como e por quê, com responsabilidade pessoal sobre a conclusão.

Na sustentação oral, a serenidade importa tanto quanto o conteúdo. A parte contrária vai atacar sua cadeia de custódia e sua imparcialidade primeiro. Ao longo da minha carreira, percebi que peritos que dominam os fundamentos jurídicos — e não apenas os técnicos — resistem muito melhor ao contraditório. É por isso que, como André Dias Moreira Prol, insisto que perícia digital é uma disciplina híbrida: metade tecnologia, metade Direito.

Conclusão

Uma perícia que resiste ao tribunal nasce do rigor metodológico e da documentação obsessiva, não apenas da destreza técnica. Se você atua com evidências digitais, blockchain ou ativos tokenizados, invista tempo em dominar cadeia de custódia e reprodutibilidade — e conte comigo para aprofundar esses temas.


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