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André Dias Moreira Prol
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Futuro do trabalho com IA: profissões que somem e surgem — por André Dias Moreira Prol

Ainda me lembro da primeira vez que vi um modelo de IA gerar um contrato inteligente funcional em Soroban a partir de uma descrição em linguagem natural. Foi um daqueles momentos em que percebi, de forma visceral, que o mercado de trabalho estava prestes a mudar mais nos próximos cinco anos do que mudou nas últimas duas décadas. Como André Dias Moreira Prol, alguém que acompanha de perto a fronteira entre blockchain, tokenização e inteligência artificial, quero compartilhar uma visão honesta — sem pânico, mas sem ingenuidade — sobre o que nos espera.

As profissões sob pressão real

Não gosto do discurso alarmista de que "a IA vai acabar com tudo". A realidade é mais cirúrgica: a IA elimina tarefas, não necessariamente profissões inteiras. Mas há funções cujo núcleo é composto quase inteiramente de tarefas automatizáveis, e essas estão em risco concreto.

No Brasil, segundo estudos da FGV e do próprio McKinsey, funções como digitação e entrada de dados, telemarketing operacional, conferência documental básica e suporte técnico de primeiro nível são as mais expostas. O setor bancário já sente isso: a FEBRABAN reportou que os canais digitais respondem por mais de 70% das transações, reduzendo drasticamente a necessidade de atendimento humano repetitivo.

Áreas que eu considerava "seguras" há dez anos também mudaram. Redatores de conteúdo genérico, tradutores de textos simples e até parte da análise jurídica documental hoje competem com ferramentas que fazem em segundos o que levava horas. A perícia digital, campo em que atuo, viu a triagem inicial de evidências ser acelerada por IA — o que não elimina o perito, mas transforma completamente seu papel.

As oportunidades que estão nascendo agora

Aqui está o lado que poucos comentam com propriedade: cada onda de automação cria camadas inteiramente novas de trabalho. E as oportunidades mais valiosas surgem justamente na interseção de competências.

Vejo demanda explosiva por engenheiros de prompt especializados por domínio, auditores de IA (profissionais que validam vieses, alucinações e conformidade regulatória), e especialistas em tokenização de ativos reais. No ecossistema Stellar, por exemplo, a combinação de contratos Soroban com agentes de IA está criando um mercado de "orquestradores" — pessoas capazes de conectar lógica on-chain com automação inteligente para pagamentos, remessas e ativos tokenizados.

Outras funções em ascensão no Brasil:

  • Curador de dados — quem prepara, limpa e estrutura dados de qualidade para treinar modelos.
  • Especialista em governança de IA — cada vez mais exigido com a chegada de marcos regulatórios como o PL 2338/2023.
  • Perito digital com IA — profissionais que investigam fraudes em ambientes cripto e Web3, área em franca expansão dado o volume de golpes envolvendo ativos digitais.

O ponto central: as profissões que surgem exigem julgamento humano, contexto ético e capacidade de integração — coisas que a IA ainda não substitui.

Como se preparar: a estratégia do "profissional híbrido"

Minha recomendação, baseada no que aplico na minha própria trajetória, é abandonar a ideia de especialização única. O futuro pertence ao profissional híbrido — alguém que domina uma área técnica e sabe usar IA como alavanca.

Um advogado que entende contratos inteligentes vale mais que dez que só conhecem a lei tradicional. Um contador que compreende tokenização de recebíveis se torna estratégico, não substituível. Como costumo dizer em palestras, André Dias Moreira Prol não acredita em profissionais que competem contra a máquina, mas sim naqueles que aprendem a comandá-la.

Na prática, isso significa três movimentos concretos: aprender fundamentos de IA generativa e seus limites; desenvolver alfabetização em blockchain e ativos digitais, pois a tokenização será tão comum quanto o Pix; e cultivar as habilidades genuinamente humanas — pensamento crítico, criatividade aplicada e ética.

O mercado brasileiro está atrasado nessa transição, o que representa uma janela de oportunidade rara para quem se mover primeiro.

O futuro do trabalho não será humano ou máquina, mas humano com máquina — e quem entender isso primeiro construirá as carreiras mais resilientes da próxima década. Comece hoje: escolha uma habilidade em IA ou blockchain e dedique uma hora por dia a dominá-la.


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