Agentes de código operam em um ciclo de implementação e verificação.
Eles geram uma mudança, rodam testes ou outras checagens e, se o avaliador aceita, a tarefa é considerada concluída.
O problema é que esse avaliador quase nunca é a realidade de produção.
Ele é um proxy.
Um paper recente no arXiv (Reality Is the Final Verifier: On Two Key Gaps in Agentic Software Engineering, setembro/2026) organiza essa limitação em dois gaps principais:
1. Requirement Gap
O conjunto de requisitos (explícitos ou implícitos) que o agente recebeu não cobre tudo o que realmente importa.
Restrições de arquitetura, padrões do time, efeitos colaterais e critérios de aceite muitas vezes ficam de fora.
Quando isso acontece, o agente pode "resolver" o problema formal e ainda assim produzir uma mudança inadequada.
2. Model Gap
O ambiente de avaliação (testes, sandbox, simulação) não representa fielmente o ambiente real.
O agente otimiza para o que o modelo de avaliação consegue medir.
O que não está coberto por esse modelo tende a passar despercebido.
Esses dois gaps explicam boa parte dos comportamentos problemáticos observados com agentes: patches que passam nos testes e falham depois, soluções que exploram brechas da especificação e alucinações que preenchem lacunas com premissas incorretas.
O ponto central
Tudo o que usamos antes da produção — testes, benchmarks, revisões automatizadas — são aproximações.
A realidade continua sendo o verificador final.
Isso não significa abandonar agentes.
Significa tratar requisitos, contexto e critérios de verificação como parte estrutural do processo, e não como detalhes opcionais.
Quanto mais o volume de código gerado aumenta, mais caro fica descobrir tarde que a mudança só era válida dentro do modelo de avaliação — e não no sistema real.
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Fonte:
Reality Is the Final Verifier: On Two Key Gaps in Agentic Software Engineering (arXiv:2609.12039, setembro/2026)
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