1 Introdução
A arquitetura em camadas, também conhecida como layered architecture ou arquitetura
multicamadas, é um método de organização de sistemas que consiste na divisão da aplicação
em diferentes camadas, cada uma com uma responsabilidade específica. Essa separação
permite estruturar melhor o sistema, atribuindo funções distintas a cada parte, o que contribui
para maior clareza e organização do desenvolvimento. Um dos primeiros softwares a utilizar
essa estrutura foi o software The - Technische Hogeschool Eindhoven;
Essa abordagem tem como principal objetivo isolar responsabilidades, facilitando a
manutenção, a reutilização de código e a escalabilidade da aplicação. Além disso, a arquitetura
em camadas promove a modularidade, tornando o sistema mais flexível e adaptável a
mudanças. Por essas características, é amplamente utilizada no desenvolvimento de sistemas
corporativos e aplicações web.
2 Fundamentação Teórica
A arquitetura em camadas surgiu como uma evolução da arquitetura de software, à medida
que os sistemas se tornavam mais complexos. Com o aumento dessa complexidade, tornou-se
necessário adotar uma abordagem mais organizada, capaz de facilitar a manutenção e o
desenvolvimento das aplicações.
Essa abordagem foi consolidada com o surgimento dos sistemas distribuídos e das aplicações
web, que passaram a exigir uma separação clara entre a interface do usuário, a lógica de
negócios e o acesso aos dados. Dessa forma, a arquitetura em camadas contribui para uma
melhor organização do sistema, permitindo maior controle sobre cada uma de suas partes.
As camadas mais comuns incluem a camada de apresentação, responsável pela interface com
o usuário; a camada de lógica de negócios, que contém as regras do sistema; a camada de
persistência, responsável pelo acesso e manipulação dos dados; e a camada de banco de dados,
onde as informações são armazenadas. Essa separação permite que cada camada seja
desenvolvida, testada e mantida de forma independente, promovendo a modularidade, a
reutilização de código e a escalabilidade do sistema.
2.1 Comunicação entre Camadas
A comunicação entre as camadas ocorre de forma sequencial, em que cada camada interage
apenas com as camadas adjacentes. Por exemplo, a camada de apresentação se comunica com
a camada de lógica de negócios, que, por sua vez, interage com a camada de persistência.
Esse modelo contribui para a organização e o controle das responsabilidades do sistema.
Essa comunicação pode seguir dois padrões: aberta e fechada. No padrão aberto, uma camada
pode acessar diretamente outra mais inferior, ignorando camadas intermediárias, o que pode
melhorar o desempenho, mas aumenta o acoplamento e dificulta a manutenção.
No padrão fechado, cada camada se comunica apenas com a camada imediatamente inferior,
garantindo maior organização e desacoplamento. Em contrapartida, pode haver leve impacto
no desempenho devido à passagem obrigatória por todas as camadas.
2.2 Principais Camadas
Na arquitetura em camadas, podem existir diferentes abordagens para sua aplicação em um
software, como modelos de duas camadas, quatro camadas ou até mesmo n camadas. No
entanto, um dos modelos mais utilizados é o de três camadas, no qual a aplicação é dividida
em três partes principais: a camada de apresentação, a camada de lógica de negócios e a camada
de dados. Essa divisão facilita a manutenção, a escalabilidade e o desenvolvimento modular do
sistema, permitindo uma melhor organização das responsabilidades e maior flexibilidade na
evolução da aplicação.
2.2.1 Camada de Apresentação
A camada de apresentação, ou camada de interface do usuário, é responsável pela interação
direta com o usuário, exibindo conteúdo, gerenciando eventos e coletando dados para as
camadas posteriores. Geralmente, essa camada é executada no cliente, embora em arquiteturas
modernas parte do processamento visual possa ocorrer no servidor, visando melhor
desempenho e segurança, especialmente em aplicações web.
A interface da aplicação não precisa ser necessariamente visual. Existe a distinção entre GUI
(Graphical User Interface), que corresponde à interface gráfica com a qual o usuário interage,
e API (Application Programming Interface), responsável por definir a estrutura de dados e os
recursos utilizados na comunicação entre sistemas ou componentes da aplicação, como ocorre,
por exemplo, em aplicações REST.
2.2.2 Camada de Negócios
Também conhecida como camada de aplicação, a camada de lógica de negócios é uma das
mais cruciais para o funcionamento da aplicação. Ela é responsável por implementar as regras
de negócio, processando as entradas do usuário recebidas da camada de apresentação,
aplicando as regras definidas e gerando resultados que podem ser enviados tanto para as
camadas inferiores quanto de volta para a interface do usuário. As linguagens comumente
utilizadas para implementar essa camada incluem C#, Java, JavaScript e Python.
2.2.3 Camada de Dados
Dependendo do ponto de vista, a camada de banco de dados pode ser considerada uma das
mais importantes de uma aplicação, pois é nela que ficam armazenados os dados manipulados
pelo sistema. Por exemplo, em um sistema acadêmico, após o lançamento e a validação das
notas, essas informações são armazenadas em um banco de dados.
Essa camada inclui sistemas de gerenciamento de banco de dados (SGBDs), como MySQL,
PostgreSQL, Oracle e SQL Server. Além disso, ela é acessada pela camada de persistência,
responsável por realizar operações de leitura e escrita nos dados armazenados. A eficiência e a
segurança da camada de banco de dados são fundamentais para garantir o bom desempenho e
a integridade das informações da aplicação.
2.2.4 Camada de Persistência
Responsável por gerenciar o acesso aos dados e interage com a camada de dados para
recuperar, manipular, e alterar os dados. Essa camada é responsável por abstrair as operações
CRUD efetuadas pela camada de serviço, utilizando query languages, mapeamento, ou até DSL
do framework específico, que se faz bastante presentes em contextos em que ORM (object
relational mapping) são utilizados, além de gerenciar transações ACID para garantir a
integridade e consistência dos dados.
3 Conclusão
Por fim, após a análise da arquitetura em camadas, é possível identificar diversos pontos
positivos que justificam sua ampla utilização no desenvolvimento de software. Entre suas
principais vantagens, destacam-se a modularidade, a facilidade de manutenção, a
escalabilidade e a reutilização de código. A separação clara de responsabilidades permite que
cada camada seja desenvolvida, testada e atualizada de forma independente, contribuindo
para uma melhor organização e evolução do sistema ao longo do tempo.
Entretanto, essa abordagem também apresenta desafios. Um dos principais é a sobrecarga na
comunicação entre as camadas, que pode impactar negativamente o desempenho da
aplicação, especialmente em sistemas mais complexos. Além disso, o excesso de camadas
pode aumentar a complexidade da implementação e dificultar a compreensão geral do
sistema, caso não seja bem planejado.
Dessa forma, conclui-se que a arquitetura em camadas é uma solução eficiente e amplamente
adotada, desde que utilizada de maneira adequada, considerando as necessidades e
características específicas de cada aplicação.
4 Referências Bibliográficas
https://dev.to/yuripeixinho/arquitetura-em-camadas-layered-architecture-a68
https://blog.grancursosonline.com.br/arquitetura-em-camadas/
https://uds.com.br/blog/desenvolvimento-software-camadas/
https://engsoftmoderna.info/cap7.html
https://medium.com/@ericandrade_24404/parte-01-criando-arquitetura-em-camadas-com
ddd-injeção-de-dep-ef-60b851c88461
https://www.youtube.com/watch?v=doAQjr0mwdg&t=10s
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