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José Martins
José Martins

Posted on Originally published at iaexplicada.substack.com

O menu do dia em cinco minutos, com IA gratuita

Como um café ou uma tasca pode escrever o quadro de giz, o aviso da porta e a mensagem de WhatsApp de uma só vez, sem deixar a IA inventar pratos nem preços


Todos os dias, alguém num café ou numa tasca escreve o menu do dia três vezes: no quadro de giz, numa folha para a porta e numa mensagem para os clientes que pediram para o receber no WhatsApp. É o mesmo menu, mas cada sítio pede um texto diferente. É exatamente o tipo de tarefa em que um assistente de inteligência artificial (IA) gratuito pode poupar tempo, desde que se lhe peça bem.

Este texto mostra como, em três passos. Não precisa de pagar nada nem de saber de tecnologia: basta um telemóvel e um assistente gratuito, como o ChatGPT (chatgpt.com), o Gemini (gemini.google.com), o Microsoft Copilot (copilot.microsoft.com) ou o Le Chat, da francesa Mistral AI (chat.mistral.ai). Todos têm plano gratuito, com limites que as empresas mudam com frequência. Se atingir o limite num, experimente outro: os pedidos abaixo funcionam em todos.

Passo 1: escreva uma vez a «ficha do restaurante»

A diferença entre uma resposta inútil e uma resposta que se pode usar está quase sempre no pedido, não na ferramenta. Um bom pedido tem cinco ingredientes: o contexto (que casa é, onde fica, quem são os clientes), a tarefa, o tom, o formato (tamanho e para onde é) e os travões, ou seja, o que não quer que a IA faça.

Para não repetir isto todos os dias, escreva uma ficha, guarde-a numa nota do telemóvel e cole-a no início de cada conversa nova:

Ficha do restaurante: Nome: [nome]. Tipo: [café/pastelaria/tasca/snack-bar/restaurante]. Localidade: [localidade]. Horário: [horário]. Dia de descanso: [dia]. Lugares: [número, sala e esplanada]. Especialidades: [lista]. Menu do dia: [sim/não, preço]. Take-away: [sim/não]. Reservas: [como se fazem]. Clientes habituais: [descrição]. Tom que usamos: [ex.: próximo, tratamos os clientes por «você»]. Escreve sempre em português de Portugal. Nunca inventes pratos, ingredientes, preços, horários nem promoções que não estejam nesta ficha ou no meu pedido.

O que está entre parênteses retos é para substituir pelos seus dados. Repare na última frase: é o travão mais importante. E um cuidado: a ficha leva dados do negócio, nunca dados de clientes ou de funcionários.

Passo 2: o mesmo menu, três formatos, um só pedido

Com a ficha colada, escreva o menu de hoje e peça as três versões de uma vez:

O menu do dia de hoje é: sopa [sopa], pratos [prato 1, prato 2], sobremesa [sobremesa], preço [preço] com [o que inclui]. Escreve 3 versões: (1) para o quadro de giz, no máximo 6 linhas curtas; (2) para uma folha A4 na porta, com título; (3) para enviar no WhatsApp a quem pediu para receber, com no máximo 40 palavras. Não acrescentes pratos nem preços.

Se o resultado não ficar bem à primeira, converse com a IA, como faria com um empregado novo: «mais curto», «menos formal», «tira os emojis», «a segunda, mas com o preço no fim». Também ajuda pedir várias opções e misturar o melhor de cada uma, ou colar duas ou três mensagens que já escreveu aos clientes e pedir «escreve no mesmo estilo».

Passo 3: planear duas semanas de pratos do dia

Se o problema não é escrever o menu, mas decidir o que fazer amanhã, a IA também ajuda a organizar:

Faz-me um plano de pratos do dia para 2 semanas, de segunda a sábado, só com os pratos que a minha cozinha faz: [lista de pratos]. Evita repetir o mesmo prato na mesma semana e alterna carne e peixe. Apresenta numa tabela.

Depois, confirme com a cozinha se o plano é possível com os fornecedores e o pessoal que tem. A IA não conhece a sua despensa.

O que rever sempre antes de afixar

A IA tende a acrescentar ingredientes «que costumam ir» num prato. Se o seu bacalhau não leva natas, risque-as. Uma descrição errada é informação enganosa para o cliente.

E há uma linha que a IA não pode atravessar: os alergénios. A IA não sabe o que está no seu prato. A informação sobre os 14 grupos de alergénios do Regulamento (UE) n.º 1169/2011 é obrigatória também na restauração, aplicada em Portugal pelo Decreto-Lei n.º 26/2016 e fiscalizada pela ASAE, e tem de vir das suas fichas técnicas e dos rótulos do que compra. Um molho comprado pronto ou uma mudança de marca podem trazer alergénios que nenhuma IA adivinha. Menções como «sem glúten» também têm regras próprias: não as use só porque a IA as sugeriu.

Para ir mais longe

Estes pedidos vêm da IA ao Balcão — Edição Restaurantes e Cafés, o guia em PDF que escrevi para cafés, pastelarias, tascas e pequenos restaurantes em Portugal. Tem 30 páginas e 93 pedidos prontos a copiar, sobre a carta, turistas e traduções, avaliações, reservas por WhatsApp, escalas da equipa, custos e um capítulo inteiro sobre alergénios. Custa 9 € e há uma amostra grátis na página: https://ia-ao-balcao.vercel.app/restaurantes/

Transparência: o guia foi escrito com a ajuda de ferramentas de IA e revisto e verificado por mim, com as fontes oficiais no fim. Não substitui o aconselhamento da ASAE nem do seu consultor de segurança alimentar.

Se conhece alguém com um café ou um restaurante, partilhe este texto. E se quer receber explicações destas sem pagar nada, subscreva a newsletter gratuita IA explicada em português: https://iaexplicada.substack.com

José Martins, licenciado em jornalismo


Este artigo foi publicado originalmente na newsletter gratuita IA explicada em português. Foi escrito com ajuda de IA e revisto pelo autor, José Martins, licenciado em jornalismo.

Os pedidos acima vêm do guia IA para restaurantes e cafés (PDF, 93 prompts, 9 €). Há também uma ferramenta grátis para responder a avaliações do Google.

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