DEV Community

Cover image for A Treta do Module Federation e Next.js: Uma História de Falta de Colaboração
Rodrigo Albornoz
Rodrigo Albornoz

Posted on Edited on

A Treta do Module Federation e Next.js: Uma História de Falta de Colaboração

Durante meus estudos sobre micro-frontends, especialmente o uso de Module Federation com Next.js, busquei maneiras de integrar essa tecnologia utilizando o novo bundler do framework, o Turbopack.

Encontrei diversas discussões no GitHub e em fóruns da comunidade que revelaram um debate interessante no ecossistema React/Next.js.

Neste texto, compartilho o que descobri: o que ocorreu, os principais pontos de atrito e a importância disso para quem trabalha com React e micro-frontends.

Module Federation — o que é e por que importa

O Module Federation, criado por Zack Jackson (@scriptedalchemy), é um recurso do Webpack 5 que permite dividir aplicações em módulos independentes, carregados em runtime. Isso possibilita uma arquitetura de micro-frontends flexível e escalável, permitindo que diferentes equipes atualizem partes da aplicação isoladamente, sem a necessidade de recompilar tudo, melhorando a agilidade e a performance em projetos grandes.

Next.js e a filosofia da Vercel

O Next.js, mantido pela Vercel, é um dos frameworks React mais populares, conhecido pela simplicidade e performance, além de oferecer recursos como SSG e SSR. No entanto, sua filosofia se baseia no build-time, processando e empacotando grande parte do código antes do deploy, o que, embora melhore a performance, torna mais complexa a adoção de soluções que dependem de carregamento dinâmico em runtime, como o Module Federation.

Build-Time vs Runtime: o conflito filosófico

O conflito entre Next.js e Module Federation é mais conceitual do que técnico. Enquanto a Vercel acredita que todo código deve estar disponível no build, o Module Federation defende o carregamento dinâmico de módulos em runtime, criando uma barreira natural para a integração entre as duas abordagens.

O conflito com a Vercel

Zack tentou colaborar com o time do Next.js por anos para desenvolver uma integração oficial com o Module Federation, mas enfrentou resistência.

A resposta da Vercel foi: “não está nos nossos planos”.

Em julho de 2022, Zack declarou:

“Não haverá suporte oficial para o Module Federation pela Vercel. Eles acreditam que tudo deve estar disponível no build. Ele nunca será suportado pelo Next.js.”

Diante disso, ele criou uma solução comercial (@module-federation/nextjs-mf) para financiar o desenvolvimento e, meses depois, abriu parcialmente o código como open source para pressionar a Vercel.

Em um podcast de novembro de 2024, Zack anunciou o fim do suporte ao Next.js:

“O plugin teve um ciclo de desenvolvimento muito doloroso… requer muitos recursos e não é desejado. O Turbopack está a caminho, e não sabemos se ele suportará o Module Federation; sua morte já estava escrita na parede.”

“Não apoiaremos um framework que não o quer. Se a Vercel decidir apoiar o Module Federation como prioridade, eu dobraria os recursos para ajudá-los, mas não posso fazer isso sozinho sem apoio interno.”

Curiosamente, após esse anúncio, a Vercel começou a demonstrar interesse em reconsiderar o suporte, mas até o momento não há nada oficial.

Caminhos alternativos e o futuro

O Next.js oferece uma solução chamada Multi-Zones, que permite dividir a aplicação em áreas independentes, porém isso ocorre em build-time e exige recarregamento completo entre zonas, reduzindo a fluidez da experiência e limitando o conceito de micro-frontends. Enquanto isso, o Module Federation continua sendo o padrão de mercado para micro-frontends dinâmicos, amplamente adotado por grandes empresas. Outras ferramentas, como Single-SPA e Rspack, também estão ganhando destaque nas discussões sobre o futuro dessa arquitetura.

Open Source ou Open Corporate?

Esse debate levanta a questão: até que ponto vale a pena depender de tecnologias controladas por empresas privadas? A Vercel tem seus méritos, mas o caso do Module Federation mostra como interesses comerciais podem limitar a inovação aberta. Em contraste, frameworks como Nuxt.js, mantidos pela comunidade, destacam o valor de ecossistemas verdadeiramente open source.

Recentemente, a Meta transferiu o React para a Linux Foundation, criando a React Foundation, um passo simbólico para dar mais autonomia à comunidade. No entanto, a maioria dos desenvolvedores principais do React ainda pertence à Meta e à Vercel, mantendo a influência corporativa.

Conclusão

O embate entre Module Federation e Next.js reflete o atrito entre inovação aberta e estratégia empresarial. Zack e a equipe da Vercel possuem visões distintas sobre o futuro do frontend, e a comunidade está no meio desse impasse.

Independentemente de qual lado você possa achar que tem mais razão, entender essas tensões é crucial para fazer escolhas de arquitetura mais conscientes, escaláveis e alinhadas com o futuro do ecossistema React.

Top comments (2)

Collapse
 
alisson_mittaraquis_2303c profile image
Alisson Mittaraquis •

Rodrigo, boa noite.

Ótimo post!

Estava pesquisando sobre exatamente isso esses dias. Estamos no momento de decidir qual stack vamos usar para a nova solução de micro frontends que vamos construir. Já temos aplicações robustas em Next.js e gostaríamos de manter a stack padronizada entre todos os times. Mas, ao perceber que o multi zones é muito limitado e que a compatibilidade com o webpack + module federation está minguando, estamos em dúvida de qual o caminho mais adequado. Estou vendo alguma coisa sobre Modern.js, mas me parece ainda pouco difundido fora da China.

Tem alguma sugestão?

Collapse
 
lukovskij profile image
lukovskij •

Hello!
Currently, we use runtime
for Next.js apps in production for several brands.
You can try using it during the runtime/client-side implementation.