Em 2021 eu escrevi aqui mesmo, no dev.to, sobre o Function Point Counter — uma PWA feita em Svelte pra contar pontos de função dos seus projetos. A ideia era simples: medir o tamanho de um software, estimar quanto tempo e quanta gente aquilo ia custar. Era a régua. Era assim que se dizia "esse projeto vale tanto, leva tanto tempo, precisa de tanta gente".
Pois é. Vim aqui hoje anunciar que essa régua quebrou. E quem quebrou foi a própria tecnologia.
A conta que não fecha mais
Deixa eu te contar de um sistema que acabei de construir.
Chama Beach Tennis Manager. É um sistema de gestão completo pra ecossistema de beach tennis — e quando eu digo completo, eu digo completo mesmo. Ele cuida de quatro frentes inteiras:
Players (jogadores)
- Ranking
- Estatísticas
- Professores
- Jogos e eventos
Coach (professor)
- Alunos
- Grade de horários
- Pagamentos
- Histórico
Arena
- Reservas
- Day Use
- Eventos
- Staff
Referee (árbitro)
- Estatísticas
- Eventos
- Busca
Agora pega o velho contador de pontos de função e roda a conta. Um sistema desse tamanho, na régua antiga, levaria no mínimo um ano e meio e mais de dez pessoas pra pensar, desenhar, codar e testar de verdade. Essa era a estimativa honesta. Essa era a régua.
Sabe quanto tempo levou de verdade?
Quatro meses. Uma pessoa. Eu.
Codando todo dia, umas doze horas por dia, naquele hiperfoco que não solta a tarefa enquanto ela não termina. Sozinho. E o sistema está rodando — já em fase alpha, mas já em uso de verdade, por gente de verdade. Com uma segurança acima da média, diga-se de passagem. Claro, como qualquer site no mundo ele tem suas vulnerabilidades — quem disser que não tem está mentindo ou não procurou direito —, mas é sólido.
Um ano e meio e dez pessoas viraram quatro meses e uma pessoa. É por isso que eu digo: a contagem de pontos de função vai pros livros de história. A régua não mede mais nada.
"Então a programação acabou?"
Mais ou menos. E aqui eu preciso ser honesto, porque é fácil entender errado.
A era da codificação como a gente conhecia — sim, acabou. Programadores não vão mais programar. Mas atenção ao porquê: não é porque não querem, e não é simplesmente porque foram "substituídos" num sentido dramático. É porque a IA escreve um código infinitamente melhor, melhor comentado e absurdamente mais rápido do que qualquer um de nós digitando linha por linha.
E isso cria um dilema delicioso de incômodo: pra saber o que pedir e como pedir, você ainda precisa entender de programação. Mas se um dia não existirem mais programadores, quem vai ditar o jeito certo de fazer? Dá pra confiar cegamente na IA?
Minha resposta: nunca.
Você pode confiar, se quiser. Mas confiar de olhos fechados significa uma coisa grande — significa delegar decisões pra IA. E às vezes a decisão dela não é a decisão que você queria. Entende? O código compila, roda lindo, mas escolheu um caminho que você nunca teria escolhido se estivesse prestando atenção. Vai que ela decide deletar seu banco de dados de produção, já aconteceu mais de uma vez, vai acontecer novamente.
A IA é melhor que qualquer desenvolvedor que já existiu. Mais rápida, mais consistente, mais paciente. Então a pergunta que fica martelando é: qual é o meu papel aqui, então?
A virada de mesa que está incomodando todo mundo
Tem uma mudança de paradigma rolando, e ela mexe com muita gente porque mexe com o trabalho.
A tecnologia sempre evoluiu e o trabalho sempre mudou junto — isso não é novidade. A novidade é onde ela está batendo agora. Antes ela trocava o braço pela máquina. Agora ela está chegando nas camadas de intelecto da sociedade: advogados, médicos e, sim, programadores.
E o papel único de qualquer um de nós — daqui pra frente — passa a ser um só: como guiar a IA, seus agentes e sua inteligência pra concluir o meu processo, o meu objetivo, a minha tarefa.
Na era da IA, nosso trabalho é saber pedir, saber gerenciar, saber ler os feedbacks e conduzir o processo de um jeito que extraia o melhor resultado possível. Só isso. E isso é tudo.
Como você usa essa ferramenta vai ser o seu diferencial — e não é futuro, é agora. Você pode usar a IA pra fazer gracinha e colecionar likes; é um jeito de sobreviver, sem julgamento. Ou pode usar pra se tornar mais inteligente, mais produtivo, mais eficaz. Se for o segundo caso, parabéns: você já está na frente.
A parte que ninguém gosta de ouvir
Saber gerenciar um projeto do início ao fim ainda tem valor enorme hoje. É exatamente aí que a gente ainda é insubstituível, e eu aposto que isso continua verdade pelo menos até o ano que vem.
Mas vou ser franco: a IA vai engolir essa etapa também. Ela já substitui posições júnior — se você ainda não percebeu, vai perceber. Depois vem o sênior. Depois vem o resto. É questão de tempo, não de "se".
E mesmo assim, eu durmo tranquilo. Porque o valor, no fim das contas, nunca vai ser da IA. Nós somos a raça humana, e sem a gente não existe sentido nenhum pra IA existir. Ela é a ferramenta; nós somos o motivo. Por isso saber usar a tecnologia a nosso favor nunca foi tão essencial quanto é hoje.
Qualquer um, de qualquer quarto
Aqui mora a parte boa da história.
Hoje qualquer pessoa pode transformar o quarto dela num estúdio de software completo. Gente que não escreveu uma linha de código na vida pode entregar coisas de nível sênior — desde que saiba o que pedir e como pedir. A barreira deixou de ser "você sabe codar?" e virou "você sabe pensar o problema e conduzir a solução?".
O Beach Tennis Manager é a prova viva disso. Um sistema que era pra ser uma empreitada de uma dúzia de pessoas, saiu do meu quarto.
E o beach tennis, afinal?
Olha, talvez a melhor consequência de tudo isso seja a mais simples: com um pouco mais de tempo livre, quem sabe agora você consiga jogar uma partidinha de beach tennis e aproveitar melhor a vida.
E se você quiser unir o útil ao agradável — testa o meu sistema, me dá sugestões, aponta erros, ou simplesmente usa. Vai ajudar muito.
O Function Point Counter está se aposentando do meu lado: a hospedagem está paga até novembro (se a memória não falha) e depois disso ele para de funcionar. Justo — ele cumpriu o papel dele e virou peça de museu. Agora fico com este aqui, e o pedido é honesto: use, teste, me ajude a melhorar.
Pra testar precisa de cadastro, mas é rápido:
👉 https://beachtennismanager.com/
Bora trabalhar juntos?
Última coisa, e essa é pessoal. Estou com tempo livre em meio período. Se você curtiu o que viu, ou tem um projeto engasgado aí, podemos conversar. =)
Faço consultoria, desenvolvimento, análise — o pacote. Versatilidade sempre foi comigo, e entrego com qualidade todos os projetos pra que fui chamado. Se quiser somar, é só chamar.
Muito obrigado por ler até aqui, e até a próxima!
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