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Davi Max
Davi Max

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20 anos entre consertar computador e dar aula sobre eles

Comecei a trabalhar com tecnologia em 2003, consertando computadores e dando suporte a sistemas de loja em uma fábrica de calçados. Vinte e dois anos depois, sou professor de Ensino Superior e ainda escrevo código todo fim de semana. Entre um ponto e outro, a trajetória não foi nada linear — e acho que é exatamente por isso que vale contar.

O começo: hardware, não software

Meus primeiros anos em TI foram quase inteiramente técnicos, no sentido mais literal: manutenção de impressoras e micros, instalação de softwares empresariais, suporte por telefone e no balcão. Passei por uma fábrica de calçados, uma revenda de informática e, depois, virei gerente de suporte técnico em uma consultoria.

Nenhum desses trabalhos envolvia "programação" no sentido que ensino hoje em sala. Mas envolvia algo que continua sendo a base de tudo: entender por que um sistema quebrou, com pouca informação e alguém esperando a solução na hora.

A virada: voltar a estudar sem parar de trabalhar

Em paralelo a esses anos de suporte, nunca parei de estudar. Informática Empresarial e Comercial, depois Licenciatura em Informática, depois — já como professor — uma sequência de especializações que não parou mais: Mídias na Educação, Engenharia de Software com Métodos Ágeis, Gestão de Projetos, e por fim um Mestrado, cuja pesquisa resultou em um software protótipo de verdade para auditoria de dados clínicos.

Se tem um padrão nessa lista, é este: nunca escolhi entre "ser professor" e "continuar técnico". Fui empilhando os dois ao mesmo tempo, mesmo quando isso significava estudar depois do expediente por anos seguidos.

Hoje: professor que ainda quebra a cabeça com código

O que acho mais interessante nessa trajetória, olhando para trás, é que ela não terminou quando virei professor. Ainda desenvolvo sistemas — alguns para projetos de extensão da universidade, outros só para resolver problemas meus mesmo, como gerenciar minhas próprias turmas e notas.

Ensinar sem continuar praticando me parece um risco silencioso: o conteúdo pode ficar desatualizado sem que ninguém perceba, nem o professor. Continuar construindo software de verdade é, para mim, a forma mais honesta de saber se o que estou ensinando ainda faz sentido no mundo real.

Vinte anos depois do primeiro chamado de suporte técnico, a pergunta que mais uso em sala ainda é a mesma de quando eu tinha 22 anos consertando computador: "o que exatamente está acontecendo aqui, e por quê?"

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