Quando decidi colocar IA generativa dentro do leanpulse, tinha uma lista de possibilidades óbvias — chatbot de dúvidas, resumo automático de frequência, previsão de desempenho. Escolhi nenhuma delas. Integrei o Google Gemini para ajudar professores a criar provas e atividades.
A escolha não foi por ser a ideia mais impressionante tecnicamente. Foi por ser a que resolve a dor que eu mesmo sinto toda semana.
O problema não é falta de conteúdo, é tempo
Montar uma prova boa não é o mesmo que montar uma prova rápida. Escrever questões que realmente avaliam o que foi ensinado, variar o formato, calibrar a dificuldade — isso consome um tempo que, na correria de um semestre com várias turmas, quase nunca sobra do jeito que deveria.
Foi esse o problema que quis atacar: não gerar conteúdo pedagógico do zero sem critério, mas dar ao professor um ponto de partida sólido para revisar, em vez de partir da folha em branco.
Como a funcionalidade funciona, na prática
O professor descreve o que precisa — o tema, o formato desejado, o nível da turma — e o Gemini gera uma sugestão de prova ou atividade a partir disso. A palavra que mais importa aí é sugestão: o conteúdo gerado não vai direto para o aluno. Ele entra em uma tela de revisão, onde o professor ajusta o que quiser antes de efetivamente aplicar.
Essa decisão de design não foi acidental. Escrevi, há pouco tempo, sobre como uso IA para preparar minhas próprias aulas — e o princípio que defendo ali é o mesmo que apliquei aqui como funcionalidade: a IA acelera a produção, mas a responsabilidade pelo que chega ao aluno continua sendo do professor. Não faria sentido construir uma ferramenta que pedisse de mim, como usuário, menos cuidado do que eu mesmo pratico.
O que aprendi integrando IA generativa de verdade
Tecnicamente, a parte mais delicada não foi "chamar a API do Gemini" — isso é relativamente direto. Foi desenhar a interface para que o resultado gerado nunca parecesse definitivo. Cada sugestão vem claramente marcada como rascunho, com espaço de edição em destaque, não escondido atrás de mais um clique.
Se existe uma lição que levo desse recurso para qualquer projeto futuro com IA generativa, é essa: a parte difícil raramente é fazer a IA gerar algo. É desenhar o produto para que ninguém confunda "gerado por IA" com "pronto para usar".
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