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Do Zero ao Firewall: Guia Completo de Organização e Segurança no Homelab (TP-Link ER605)

Do Zero ao Firewall: Guia Completo de Organização e Segurança no (TP-Link ER605)

Aprender redes do zero exige paciência. Depois de mergulhar em documentações para entender como o meu roteador gerencia o tráfego, aprendi que a organização é o primeiro passo para a segurança. Hoje, vou mostrar como estruturar o teu firewall usando a lógica de Objetos e Regras.


Parte 1: A Fundação (IP Address e IP Group)

No TP-Link ER605, as regras de firewall (ACLs) não conversam diretamente com IPs soltos; elas conversam com Grupos.

Passo 1: Criar os IP Addresses

Vá a Preferences > IP Group > IP Address. Aqui, damos um "nome amigável" aos segmentos da rede:

  • IP_AWS (Ex: 172.20.0.0/16): Representa toda a minha infraestrutura na nuvem.
  • IP_WG (Ex: 10.50.1.0/24): O range dedicado ao túnel WireGuard.
  • IP_Client (Ex: 10.80.1.0/24): Rede isolada para auditorias ou clientes externos.
  • Minha_LAN (Ex: 192.168.00.0/24): Onde reside o coração do meu homelab.

Passo 2: Criar os IP Groups

Em IP Group, criamos as listas que o firewall vai utilizar. Basta criar o grupo e associar o endereço criado no passo anterior.

  • AWS_Group → Associado ao IP_AWS
  • WG_Group → Associado ao IP_WG
  • Client_VPN_Group → Associado ao IP_Client

Por que fazer isto? Se amanhã o IP da tua VPN mudar, alteras apenas o "IP Address". O "Group" e todas as tuas regras de firewall permanecem intactos. É eficiência e menos erro humano.


Parte 2: Configurando as Regras de Firewall (IP ACL)

Com os grupos prontos, vamos em Transmission > Firewall > IP ACL. Aqui é onde definimos quem pode falar com quem.

Detalhando os Campos da Regra:

Para cada regra que criei, preenchi os seguintes parâmetros:

  • Service Type: Usei ALL (para validar todos os protocolos: TCP/UDP/ICMP).
  • Direction: ALL para tráfego interno e WAN IN para o que vem da internet.
  • Source Type/Source: Selecionei o IP Group de origem (quem inicia a conexão).
  • Destination Type/Destination: Selecionei o IP Group de destino (o alvo).
  • Effective Time: Any (proteção ativa 24/7).
  • States: Marquei New, Established, Related. Isto garante que o firewall entenda o "estado" da conexão e permita o tráfego de resposta automaticamente.

Parte 3: A Lógica das Regras Criadas

O segredo de um bom administrador é a ordem das regras. O firewall lê de cima para baixo.

1. ALLOW_LAN_TO_AWS (Acesso à Nuvem)

  • Política: Permit
  • Origem: Minha_LAN | Destino: AWS_Group
  • Objetivo: Permitir que o meu homelab se comunique com os meus servidores na nuvem.

2. DENY_WG_TO_AWS (Isolamento de Segurança)

  • Política: Deny
  • Origem: WG_Group | Destino: AWS_Group
  • Objetivo: Esta é uma camada de proteção extra. Se alguém ganhar acesso à minha VPN, não conseguirá "pular" para a minha nuvem AWS.

3. CLIENT_VPN_TO_LAN (Acesso Controlado)

  • Política: Permit
  • Origem: Client_VPN_Group | Destino: Minha_LAN
  • Objetivo: Garante que o tráfego de auditoria chegue apenas onde deve, sem tocar noutros segmentos sensíveis.

4. DEFAULT_DENY_ALL (A Regra de Ouro)

  • Política: Deny
  • Origem: IPGROUP_ANY | Destino: IPGROUP_ANY
  • Importância: Esta regra deve ser sempre a última. Ela diz: "Se o tráfego não foi expressamente permitido acima, bloqueie". É o princípio do privilégio mínimo.

Conclusão

Documentar este processo foi parte da minha aprendizagem. Ao organizar a rede desta forma, o teu homelab deixa de ser um emaranhado de cabos e IPs e passa a ser uma infraestrutura profissional e segura.


#homelab #networking #security #tplink #aws #wireguard

Top comments (2)

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Madson Almeida Ramos •

Depois de seguir esse passo a passo, vou criar os IP Address e os IP Groups.

Em seguida, na parte de Network > LAN, precisarei criar as LANs, sendo que cada uma ficará em uma VLAN diferente, utilizando os IP Address que foram criados anteriormente.

Está correto esse entendimento?

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Rodrigo •

Sim, seu entendimento está correto. Depois de seguir o passo a passo, você pode criar os IP Address e IP Groups e, em seguida, configurar as LANs em Network > LAN, cada uma associada à sua VLAN e ao IP correspondente.

No meu caso, como utilizo apenas dois clientes WireGuard, optei por usar apenas um IP virtual (definindo o IP diretamente na configuração do túnel), sem criar uma VLAN separada — funciona normalmente. Mas, como boa prática, especialmente em ambientes maiores ou com mais clientes, criar uma VLAN dedicada para a VPN é uma abordagem válida.

Se você já testou nesses últimos dias, me avisa se ficou tudo funcionando como esperado, para ajustarmos algo caso precise.