Durante o desenvolvimento da nossa arquitetura baseada em agentes, percebemos que estávamos descrevendo um tipo de comunicação para o qual ainda não encontrávamos uma definição que representasse exatamente o que acontecia.
Até então, o conceito mais próximo que eu havia encontrado era o C2A2B (Consumer-to-Agent-to-Business). Esse modelo faz bastante sentido para explicar a interação entre um consumidor, agentes inteligentes e uma empresa. Entretanto, conforme nossa arquitetura evoluía, comecei a perceber que ele deixava de representar um aspecto que considero fundamental.
Foi então que resolvi fazer um exercício de futurologia.
Imagine um futuro em que praticamente todas as pessoas possuam um agente pessoal e praticamente todas as empresas operem através de ecossistemas compostos por agentes especializados. Nesse cenário, consumidores, funcionários, empresas e até órgãos públicos passam a delegar boa parte das suas atividades para agentes autônomos.
Nesse momento surgiu uma pergunta simples:
Quem realmente está se comunicando?
A resposta foi interessante.
Embora sejam os agentes que conversem entre si, negociem protocolos, validem permissões, executem processos e tomem decisões operacionais, sempre existe um ser humano em cada extremidade dessa comunicação.
De um lado existe uma pessoa delegando uma intenção ao seu agente.
Do outro lado existe outra pessoa — ou um conjunto de pessoas — legalmente responsável pelo agente que representa uma organização.
Os agentes executam.
Os humanos continuam sendo os responsáveis.
Foi dessa observação que nasceu o conceito H2A2H (Human-to-Agent-to-Human).
Muito mais do que um fluxo de comunicação
O H2A2H não descreve apenas uma sequência de mensagens.
Ele descreve um modelo de responsabilidade.
A intenção sempre nasce em um ser humano.
Essa intenção é delegada ao seu agente.
Os agentes executam toda a comunicação necessária utilizando protocolos próprios, mecanismos de autenticação, autorização, auditoria, negociação e validação.
Ao final, o resultado retorna para outro ser humano.
Em outras palavras, os agentes tornam-se a infraestrutura da comunicação, mas a responsabilidade continua pertencendo às pessoas.
Essa separação nos parece extremamente importante para um futuro onde agentes poderão executar milhões de operações por dia em nome de seus usuários.
Uma necessidade que surgiu naturalmente
Curiosamente, o H2A2H não foi planejado desde o início.
Ele surgiu porque a arquitetura começou a exigir um conceito capaz de explicar o que realmente estava acontecendo.
Como nosso sistema é inteiramente composto por agentes especializados, percebemos que tanto o cliente quanto a empresa interagem com o sistema através de agentes.
Isso trouxe uma preocupação imediata: como garantir segurança, rastreabilidade, delegação correta de intenções e responsabilização em um ambiente onde praticamente toda a execução acontece entre agentes?
O H2A2H surgiu justamente como uma resposta conceitual para esse problema.
Não foi uma ideia criada primeiro para depois procurar uma aplicação.
Foi exatamente o contrário.
A necessidade apareceu primeiro.
O conceito veio depois.
Um possível caminho para o futuro
Talvez estejamos caminhando para um mundo onde grande parte da internet deixe de ser utilizada diretamente por pessoas.
Em vez disso, agentes representarão indivíduos, empresas, governos e organizações durante praticamente toda a comunicação digital.
Nesse cenário, talvez a principal pergunta deixe de ser:
"Como uma IA conversa com outra IA?"
E passe a ser:
"Como garantimos que agentes representem corretamente seus respectivos humanos?"
Talvez essa seja a verdadeira mudança de paradigma.
Um conceito em evolução
O H2A2H não pretende ser um padrão definitivo.
Muito pelo contrário.
Ele é apenas uma proposta que nasceu durante o desenvolvimento da nossa arquitetura e continua evoluindo.
É bastante provável que diversos pontos ainda possam ser aprimorados, refinados ou até substituídos por ideias melhores.
E isso é exatamente o que esperamos.
Convite à comunidade
Gostaria de convidar pesquisadores, arquitetos de software, desenvolvedores, profissionais de segurança, especialistas em identidade digital e qualquer pessoa interessada no futuro da computação para participar dessa discussão.
Algumas perguntas que considero especialmente interessantes são:
- Em um mundo composto por agentes, quem realmente deve ser considerado responsável por uma ação?
- Como preservar a autonomia dos agentes sem perder a responsabilização humana?
- Quais protocolos serão necessários para garantir confiança entre agentes pertencentes a diferentes organizações?
- Será que modelos tradicionais de autenticação continuarão suficientes?
- Como devemos registrar delegações de intenção, auditoria e consentimento?
- Quais princípios deveriam orientar a comunicação entre agentes pessoais, empresariais e governamentais?
Não tenho a pretensão de afirmar que o H2A2H seja a resposta definitiva.
Na verdade, acredito que ele seja apenas o início de uma conversa muito maior.
Se essa ideia fizer sentido para você, ou se identificar limitações, inconsistências ou oportunidades de melhoria, compartilhe suas sugestões.
Talvez estejamos discutindo, juntos, alguns dos conceitos que ajudarão a definir como será a comunicação no mundo digital nas próximas décadas.

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