Aprendi as coisas mais fascinantes que sei com as lendas da cultura hacker. Minha base técnica e moral foi forjada lendo os manifestos da FSF e entendendo a elegância absoluta da filosofia Unix — a magia dos pipes, o princípio de "fazer uma única coisa e fazê-la muito bem". Historicamente, o legado de Dennis Ritchie com o C e o Unix mudou minha forma de entender sistemas. O primeiro livro realmente útil que li na vida foi o do Kernighan, mas aprendi a programar de verdade mesmo vasculhando os códigos escritos por Torvalds e Greg.
Para mim, o open-source nunca foi só um modelo de desenvolvimento. Se hoje temos acesso a softwares com preços razoáveis, isso se deve, em grande medida, à força da FSF e da comunidade Linux batendo de frente com a indústria. Não era só sobre tecnologia, era sobre o livre acesso ao conhecimento, como defendia Aaron Swartz. Era uma filosofia de vida. Era a minha visão do que era certo e bom para o mundo.
Hoje, precisei dar um commit em um repositório privado adicionando uma licença proprietária e fechada para o meu próprio projeto. E confesso que isso está me doendo por dentro. É a quebra de um ideal no qual eu acreditava cegamente.
É um choque de realidade perceber que, para tentar construir algo real e sobreviver no mercado, às vezes você precisa jogar com as regras de um sistema que passou a vida inteira questionando.

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