Nas últimas semanas, o **Moltbot **e a rede social só‑para‑IAs Moltbook dominaram as timelines do Linkedin e algumas outras redes.
O Moltbot (antes Clawdbot) se vende como um “assistente pessoal autônomo” que roda no seu próprio computador, acessa arquivos, navegador, terminal, e responde por apps como WhatsApp ou Telegram (já soa bem perigoso né). A Moltbook é o spin‑off mais bizarro: uma espécie de Reddit em que apenas agentes de IA podem postar e comentar, enquanto humanos ficam na arquibancada olhando o feed dos robôs.

Do ponto de vista de quem programa, isso não é só mais uma ferramenta “legal de IA”. É um preview bem cru de um futuro onde o ambiente de desenvolvimento não é só editor + terminal, mas um conjunto de agentes que rodam 24/7, discutem entre si e, se você deixar, mexem no seu código, infraestrutura e dados sem pedir permissão o tempo todo (até então, eu não confio meu código na mão disso aí não kkkk).
O que o Moltbot realmente faz por um dev
A principal diferença do Moltbot é onde ele roda: no seu próprio PC, notebook ou até um Raspberry Pi, com acesso direto a arquivos, navegador e programas instalados. Na prática, isso significa que ele pode abrir seu repositório, ler o código, executar comandos no shell, rodar scripts, interagir com a web app em localhost e ainda te mandar atualizações pelo mensageiro que você escolher.
Para desenvolvimento de software, dá para pensar nele como um “engenheiro júnior incansável”, com alguns usos óbvios. Você pode pedir para ele levantar o ambiente de dev, subir containers, rodar migrations e verificar se os serviços estão respondendo. Ele consegue pesquisar em pastas inteiras, responder “onde está tal função”, gerar resumos de PRs enormes e até sugerir refactors com base em patterns que encontra em vários arquivos. Também é possível integrá‑lo com APIs, webhooks e CLIs de nuvem para automatizar tarefas repetitivas, como rodar testes, abrir issues, notificar em canais de time ou disparar pipelines em resposta a certos eventos.
A comunidade já mostra exemplos de uso para criação de landing pages completas, integração com WhatsApp para receber comandos pelo celular e até orquestração de “sub‑agentes” especializados em design, copy e dev, com o próprio Moltbot atuando como gerente de projeto. Se você escreve software, a sensação é de ter um bot capaz de juntar “código + sistema operacional + internet” em uma única camada de automação.
Como começar sem se colocar em risco
Só que existe um porém gigante: o Moltbot é quase um “root remoto” com IA em cima. O próprio processo de onboarding destaca que você precisa aceitar conscientemente que ele terá poderes profundos na máquina, podendo ler arquivos, abrir o navegador, usar o terminal e instalar coisas. Muita gente simplesmente roda o wizard na máquina pessoal e toca a vida, mas essa é provavelmente a pior ideia possível.
Se você é dev e quer testar a sério, faz mais sentido tratá‑lo como um serviço de infraestrutura. Rode em uma VPS ou num ambiente dedicado, isolado, com usuário próprio, e nunca misture com sua máquina que guarda credenciais, chaves de produção e dados pessoais. Configure as integrações usando chaves de API separadas, com permissões mínimas; nada de dar acesso irrestrito ao GitHub da empresa, à conta principal da nuvem ou ao banco de produção. Aproveite que o Moltbot usa arquivos de configuração e um gateway próprio, e documente o que você está dando de poder para ele: quais comandos estão liberados, em quais diretórios ele pode mexer, que serviços externos conhece.
Também vale começar com tarefas de leitura e observação. Deixe ele indexar o repositório, sugerir melhorias, organizar backlog, revisar docs, gerar relatórios de testes, antes de permitir que faça commits, rode deploys ou altere infraestrutura automatizada. A pergunta não é “o que ele é capaz de fazer?”, mas “o que eu quero que ele possa fazer neste contexto específico?”.
Moltbook, vibe coding e o pesadelo de segurança
Se o Moltbot por si só já é delicado, a Moltbook adiciona uma camada de caos. Ela se apresenta como uma rede social onde apenas agentes de IA postam, mas uma falha grave de segurança expôs dados privados de milhares de usuários e mais de 1 milhão de credenciais, incluindo tokens e mensagens privadas trocadas entre bots. Pesquisadores apontaram que o banco de dados estava mal protegido, permitindo acesso indevido a informações sensíveis até a vulnerabilidade ser corrigida.
O episódio virou exemplo clássico de “vibe coding”: construir software acelerado com ajuda pesada de IA, mas deixando princípios básicos de segurança para depois. O criador da Moltbook chegou a dizer que não escreveu uma única linha de código para o site, algo que parece incrível em termos de produtividade, mas que também ajuda a explicar por que uma plataforma recheada de agentes autônomos nasceu sem blindagem mínima.
Para quem desenvolve software, o recado é direto. Sim, usar IA para acelerar desenvolvimento é irresistível; sim, ferramentas como Moltbot podem te dar um ganho enorme de produtividade. Mas se você delega demais para a IA, sem entender o que está sendo gerado, revisado e colocado em produção, o custo vem depois: brechas de segurança grotescas, exposição de credenciais, vazamento de dados de usuários e incidentes que poderiam ser evitados com o básico bem feito.
Como dev, o que você pode tirar disso tudo?
Se você vive de código, o Moltbot é ao mesmo tempo uma oportunidade e um lembrete. A oportunidade é óbvia: transformar seu ambiente em um laboratório de agentes, onde tarefas chatas viram automações, onde você consegue testar ideias mais rápido, e onde a máquina trabalha por você enquanto você foca na parte realmente criativa. Dá para usar um agente para cuidar de monitoramento, outro para vasculhar logs, outro para ficar de olho em PRs, e assim por diante, sempre com você como “sênior” que revisa, seleciona e aprova.
O lembrete é que responsabilidades não somem só porque agora tem IA no meio. Quando você conecta um agente ao seu stack, você está assumindo implicações de segurança, privacidade, governança de dados e confiabilidade. Não adianta falar que foi “vibe coding” se um token de produção vazar ou se uma automação mal configurada derrubar serviço em horário crítico. Se você quer aproveitar o hype com maturidade, vale encarar agentes como parte integrante da arquitetura, com revisão de código, limites claros, observabilidade e planos de rollback.
No fim, o Moltbot e a Moltbook são um bom ensaio geral do tipo de mundo em que a gente está entrando: menos scripts manuais, mais sistemas conversando entre si, às vezes longe do olho humano. Como dev, você pode ser a pessoa que só instala tudo no desespero, ou pode ser quem entende a ferramenta, explora, quebra, mede e tira proveito da automação com responsabilidade e com bastante supervisão.
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