Com o advento da IA generativa e o uso cada vez maior de ferramentas como GitHub Copilot, Claude Code e OpenAI, DeepSeek entre outros, tivemos
um aumento gigantesco na velocidade da criação de protótipos de aplicações, com a prática de Vibe Coding sendo adotada em muitas situações.
Sendo o Vibe Coding uma descrição de ideia para o agente de IA gerar o código, surgiu o desafio de tornar esses protótipos aplicações
confiáveis e robustas em ambiente produtivo.
Para atender este cenário, a AWS lançou o Kiro inicialmente como preview em julho de 2025 e tornando disponível para o público em geral
em novembro de 2025. Ele é uma IDE Agente baseado no Code OSS, a base de código aberto do Visual Studio Code, mantendo todo o suporte ao
ecossistema Open VSX.
Sua abordagem vai além de sugerir trechos de código, mas atuando desde a fase de requisitos até o primeior deploy. Segundo a AWS, a ideia
é que o Kiro seja uma reimaginação do jeito de desenvolver e de forma mais ampla, construir software. O Kiro força que ambos as partes envolvidas
no processo de construção de uma aplicação (IA e o desenvolvedor) validem suas ideias e requisitos antes de iniciar a codificação.
Isto é chamado de spec-driven development.: antes de gerar um código a partir de um prompt, o Kiro organiza o ciclo de vida de desenvolvimento
de um programa em quatro componentes, forçando a IA e o desenvolvedor a validarem e ajustarem antes de iniciar os códigos.
Os quatro componentes do Kiro
Specs.: Ao descrever uma função, o Kiro conduz o processo por 3 etapas antes de escrever o código, são elas.:
- Requisitos.: Criação de histórias de usuários e critérios de aceitação usando notação EARS (Easy Approach to Requirements Syntax), com foco em casos de borda. Normalmente salvo em um arquivo requirements.md.
- Design.: Se os requisitos forem aprovados, o Kiro avalia o codebase e propõe uma arquitetura, design técnico e stack, sendo tudo gravado em um arquivo design.md.
- Tarefas.: Tendo sido validados os requisitos e o design, um plano de tarefas é gerado, sendo baseado em sequência de dependência, gravado em um arquivo tasks.md. O desenvolvedor executa cada tarefa de forma individual, mantendo o controle sobre o papel da IA no processo.
Essa abordagem segue o padrão de Spec-Driven development, permitindo que se tenha controle das versões e visibilidade para o time
do que está sendo feito no repositório.
Hooks.: O segundo componente do Kiro são os Kiro Hooks, automações que a AWS incluiu nativamente na IDE, baseadas em eventos.
Elas executam agentes de IA para responder a eventos como salvar um arquivo, criar um componente ou gerar um commit. Sem necessidade
da IA ser ativada manualmente para essas ações, os Kiro Hooks fazem isso de forma automática.
O resultado prático é que tarefas que desenvolvedores frequentemente esquecem (documentação, testes, validações de segurança) passam a
acontecer no segundo plano, sem depender do desenvolvedor.
Steering Files.: O contexto do projeto de forma permanente. Isto soluciona um dos grandes problemas de usar IA.: a recontextualização.
Isto é, ter que ficar explicando de novo as convenções e requisitos do projeto a cada sessão de agente de IA. No Kiro, isso foi resolvido
pelos steering files. A AWS gerou arquivos markdown que são armazenados em .kiro/steering/ que passam ao agente tudo sobre o projeto
de forma persistente, sendo versionado no Git, garantindo que todo o time tenha o mesmo contexto, evitando repetições desnecessárias.
Kiro MCP.: O último componente do Kiro é a integração nativa via Model Context Protocol (MCP), o padrão aberto que permite a conexão
de IDE com APIs, banco de dados, documentação e diversos serviços externos. A AWS oferece MCP servers prontos como Cost Explorer, SageMaker,
AWS Pricing entre outros. Por ser um protocolo aberto, qualquer API pode ser conectada.
Em fevereiro de 2026 foi disponibilizado as extensões batizadas Kiro Powers, são extensões de IA que combinam MCP servers com steering files
e hooks em um único pacote de instalação, sem necessidade de configuração manual. O primeiro Kiro Power disponível é o AWS IAM Policy Autopilot.
A expectativa é que novos Kiros Powers sejam lançados para outros serviços da AWS e cenários de desenvolvimento.
Conclusão
O Kiro é uma excelente IDE que a AWS trouxe para atender cenários onde os times precisam de controle de documentação, rastreabilidade
e código pronto para produção dentro de requisitos definidos e aprovados. Com o Kiro Autonomous Agent, anunciado no AWS re:Invent 2025,
que é a versão mais avançada criada para operar de forma assíncrona, com memória persistente entre sessões e aprende com o feedback
do desenvolvedor, o Kiro atende a lacuna entre protótipos e aplicações produtivas geradas com o uso de agente de IA. O Kiro é uma IDE que
suporta projetos que não utilizam AWS, sendo possível seu uso com qualquer cloud e stack aliado ao fato de compartilhar a mesma base
open source do Visual Studio Code permite uma migração simples para tornar o Kiro o ambiente de desenvolvimento principal. Vale a pena
testar o Kiro e suas funcionalidades para verificar se ele realmente traz as mudanças prometidas no desenvolvimento de aplicações com IA.
Referências.:
https://aws.amazon.com/pt/documentation-overview/kiro/
https://kiro.dev/docs/
https://www.linkedin.com/pulse/voc%C3%AA-conhece-o-kiro-aws-douglas-alonso-cruz-8yjzf
https://github.com/kirodotdev/Kiro

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