Eu tenho um padrão de publicação estranho. Cinco artigos em quatro meses. Depois sete meses de silêncio total. Três artigos em cinco semanas. Depois quase três meses de silêncio de novo. Um artigo. E aqui estou eu, tentando entender o que esse padrão realmente significa antes de simplesmente prometer "vou postar toda semana" e repetir o ciclo.
Entre abril e julho de 2025, escrevi sobre os fundamentos: um plano de estudos de engenharia de plataforma, os sinais de que uma infraestrutura precisa de modernização, o papel estratégico de quem atua além da execução técnica, a ponte entre engenharia e negócio. No meio disso, escrevi também sobre esgotamento no trabalho — não porque planejei um artigo "diferente", mas porque era o que eu tinha para dizer naquele momento. Esse artigo, aliás, ainda é o que mais me representa dessa primeira fase: mostra que constância em produzir conteúdo técnico não é incompatível com admitir que às vezes falta energia para produzir qualquer coisa.
Depois, silêncio. Sete meses.
Não foi falta de assunto. Foi o tipo de período em que a operação consome toda a energia que sobraria para refletir sobre ela — e refletir por escrito exige uma energia diferente da que resolve incidente.
Quando voltei, em março de 2026, o tom tinha mudado. "Arquitetura de Software é, na Verdade, Gestão de Decisões" não é mais sobre ferramentas ou sinais de alerta — é sobre como as decisões técnicas carregam consequências que sobrevivem muito além de quem as tomou. Duas semanas depois, "Sistemas Escalam da Mesma Forma que a Organização" continua esse raciocínio: arquitetura não é só código, é estrutura de decisão. E três semanas depois disso, "Você não escala sistemas enquanto continuar sendo o ponto central deles" chega no ponto mais desconfortável dos três — que às vezes o gargalo sou eu.
Três artigos densos em cinco semanas. E de novo, silêncio — dessa vez quase três meses, até "Rollback Isn't a Backup Plan. It's a Culture." em julho, escrito em inglês, mirando um público mais amplo do que os anteriores.
Isso não é um padrão de preguiça. É um padrão de pico: escrevo quando o pensamento amadureceu o suficiente para virar texto, não num ritmo artificial de calendário editorial. O problema é que picos são imprevisíveis — e imprevisibilidade, para quem está tentando construir presença técnica consistente, é o oposto do que funciona.
Então a mudança que estou testando agora não é "escrever mais". É reduzir o tamanho do passo: em vez de esperar um artigo inteiro amadurecer, registrar um parágrafo, uma ideia solta, uma pergunta sem resposta ainda — toda semana, não só quando o pico chega. Se render um artigo, ótimo. Se não render, pelo menos existe um rastro de que o pensamento não parou nos meses de silêncio, só não estava pronto para publicação.
Se você também escreve em picos, ou já tentou uma cadência que não se sustentou — comenta aqui o que funcionou (ou não) pra você.
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