Há alguns meses, comecei a usar Code Agents para acelerar meu fluxo de desenvolvimento.
Codex, Claude Code, Gemini CLI, Copilot
De primeiro momento, assim como muitos Devs, eu tinha um pouco de medo. Uma tecnologia nova que me fazia ter medo de ser substituído.
Depois fiquei impressionado com o aumento de produtividade que comecei a ter. Tarefas que talvez levariam semanas, resolvidas em poucos dias.
Também senti um alívio ao perceber que no fim das contas, ainda era eu quem tornava o desenvolvimento possível.
Mesmo com prompts bem estruturados, eu precisava pensar na engenharia, revisar decisões e corrigir erros ou alucinações.
Porém em determinado momento percebi que me acostumei com o uso dessas ferramentas, surgiu um novo medo, o medo de esquecer as bases e ficar dependente.
De perder a capacidade de conseguir fazer sozinho, já que a IA fazia boa parte do trabalho bruto.
Caso eu precisasse fazer algum desafio técnico, e criar um sistema do zero sem uso de code agent nenhum, eu teria mais dificuldades?
Provavelmente sim. Assim como quando voltamos de férias e nos sentimos um pouco enferrujados no desenvolvimento, a prática constante faz diferença.
Foi então que comecei a pensar em formas mais saudáveis de usar essas ferramentas: manter a produtividade sem perder a base técnica — e, melhor ainda, usá-las como aliadas no aprendizado.
O que Code Agents fazem muito bem
- Criar testes automatizados
- Refatorar código repetitivo
- Sugerir melhorias
- Prototipar ideias rapidamente
É absurdo a velocidade que conseguimos criar testes, refatorar e desenvolver.
O problema começa quando ela deixa de ser a ferramenta e tratamos ele como nosso substituto cognitivo, esperando que ele resolva rápido e sozinho, o trabalho que é nosso.
O risco invisível: atrofia técnica e comodismo
A dependência não acontece de forma brusca.
Ela é silenciosa.
Você começa a:
- Pedir soluções prontas antes de ter pensado em como solucionar
- Deixar a IA decidir arquitetura
- Não consultar mais a documentação
- Confiar em abordagens sem entender 100% do que foi feito, só porque funciona
Nosso cérebro economiza energia sempre que pode.
Se a gente parar de exercitar raciocínio técnico, ele enfraquece.
Um ponto importante
É importante lembrar que somos profissionais utilizando uma ferramenta, e não alguém que transfere para a ferramenta a responsabilidade do próprio trabalho
Estratégias práticas para usar sem ficar dependente e ser mais assertivo
1. Analisar sua solução
Antes de pedir solução para a IA, defina:
- Qual é o problema que quer solucionar
- Quais são as abordagens você utilizaria
- Quais as suas dúvidas a respeito dessa implementação, e quais as possíveis respostas pra essas dúvidas
Depois use a IA para comparar, melhorar ou revisar.
Isso mantém o raciocínio ativo.
2. Peça explicações técnicas
Não peça apenas código.
Peça:
- Por que essa abordagem?
- Qual a complexidade?
- Existe alternativa mais performática e porque?
- Quais são os riscos dessa implementação?
Utilize o agente em mentor, não executor. Questione e aproveite para aprender
3. Trabalhe em blocos pequenos
Prompts grandes demais aumentam:
- Alucinação
- Código inconsistente
- Erros arquiteturais
Dividir em partes mantém controle e entendimento.
4. Testes
Além de gerar testes automatizados, podemos pedir sugestões de quais testes adicionar e como testar cada etapa que estamos desenvolvendo
5. Não abandone a documentação
Code Agents são ótimos para resumir docs.
Mas é valido questionar de onde vem aquela informação e consultar a documentação original. Code agents podem ser excelentes professores, mas é sempre importante continuar validando as informações na documentação
Dominar a documentação nos trás mais certeza e confiança
A mentalidade correta
Code Agents não substituem desenvolvedores.
São uma arma poderosa, mas não vão vencer as batalhas por nós.
Eles podem ajudar a aumentar nosso nível técnico.
O segredo está na maturidade de como usamos. Produtividade sem consciência vira dependência.
Top comments (0)