Migrar de carreira para tecnologia não é glamouroso como vendem por aí (e nem vai ser mané).
Não é sobre aprender uma stack em 6 meses e sair ganhando em dólar.
É sobre insistir quando tudo indica que você deveria desistir.
Eu comecei minha migração de carreira em fevereiro de 2022, estudando HTML, CSS e JavaScript, sem nenhuma garantia de que aquilo daria em algo.
Na verdade, sendo bem honesta: sem nenhuma esperança real de conseguir meu primeiro emprego como dev.
O começo: empolgação que vira frustração
No início, tudo é empolgante, algo novo né.
Você aprende a centralizar uma div, cria sua primeira página, entende como funciona um for, um if, faz um botão funcionar… e pensa:
“Talvez eu consiga.”
Mas logo vem a realidade.
- Vagas pedindo 2, 3, 5 anos de experiência
- Testes técnicos irreais para quem está começando
- Comparação constante com quem “aprendeu mais rápido”
- A sensação de estar sempre atrasado
Lembro como se fosse ontem:
no meu primeiro teste para estágio, me pediram para fazer modelagem de banco de dados.
Eu só tinha estudado o básico de Laravel, mesmo assim apliquei para a vaga.
Coincidentemente, eu estava cursando a disciplina de Banco de Dados naquele semestre.
Quando vi o teste, sentei ao lado de um colega, que também era amigo de turma... e simplesmente chorei de frustração.
Disse em voz alta, com a maior convicção do mundo:
“Isso não é pra mim.”
Naquele momento, tudo parecia confirmar esse pensamento.
Spoiler: eu fui contratada para a vaga.
Teve momentos em que eu estudava e pensava:
“Pra quê? Ninguém vai me contratar mesmo.”
Estudar mesmo sem acreditar
O que me manteve foi quase teimosia.
Eu continuei estudando mesmo sem acreditar totalmente que daria certo.
Nem sempre motivado. Muitas vezes cansado. Às vezes só no automático.
Aprendi o básico de front-end:
- HTML
- CSS
- JavaScript
Não virei especialista.
Não criei projetos incríveis.
Mas entendi uma coisa importante: não era o front-end que me empolgava de verdade.
A virada: descobrindo o backend
Quando tive contato com backend, tudo começou a fazer mais sentido.
Lógica, regras de negócio, APIs, dados, validações…
Era ali que eu me sentia confortável.
Foi quando comecei a estudar PHP e entender como as coisas realmente funcionavam por trás das telas:
- Requisições
- Controllers
- Services
- DTOs
- Banco de dados
- Regras que ninguém vê, mas todo mundo usa
Ainda assim, a insegurança continuava:
“Quem vai contratar um júnior backend PHP?”
O primeiro “sim” muda tudo
A verdade é que só precisa de um “sim”.
Um projeto.
Uma chance.
Uma pessoa que olhe além do que falta e veja o que você pode construir.
Quando essa oportunidade veio, eu não sabia tudo.
Mas eu sabia aprender, perguntar, errar e corrigir rápido.
E isso vale mais do que decorar framework.
O que aprendi nessa jornada
Se você está migrando para tecnologia agora, aqui vão algumas verdades que ninguém gosta de falar:
- Você vai se sentir insuficiente quase todos os dias
- Comparação vai te fazer pensar em desistir
- Estudar sem resultado visível dói
- O primeiro emprego demora mais do que prometem
Mas também aprendi que:
- Constância vence talento isolado
- Não entender tudo faz parte
- Backend não é menos “cool” que front-end
- PHP não está morto (muito longe disso)
Para quem está começando hoje
Se você está lendo isso pensando:
“Essa pessoa sou eu”
Então deixa eu te dizer algo que eu gostaria de ter ouvido:
👉 Não desista só porque hoje parece impossível
👉 Você não precisa saber tudo para começar
👉 Seu tempo não é o tempo do outro
Continue. Mesmo sem esperança.
Principalmente nos dias em que parece não fazer sentido.
Às vezes, a única diferença entre quem conseguiu e quem desistiu foi ficar mais um pouco.






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