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gabrielly
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IA, carreira e ansiedade

As coisas estão mudando muito rápido o tempo todo. Tenho a sensação de que quem está se saindo melhor é justamente quem consegue fluir de acordo com essas mudanças. Eu — como engenheira de software júnior — me sinto no meio do furacão. E, provavelmente, você também se sinta assim.

Oie, meu nome é Gabrielly, mas podem me chamar pelo meu vulgo de Gabi. Faço faculdade de Engenharia de Software e trabalho como desenvolvedora frontend há dois anos. Além disso, sou a criadora do Mentoriah, um projeto de incentivo à entrada de pessoas LGBTQIAPN+ no mercado de TI.

Como uma pessoa de mente inquieta e buscando me conectar com gente que seja como eu, quero te perguntar: como é estar no meio do furacão para você?

Porque é onde nós estamos kkkkk. Estamos no meio de uma revolução industrial maluca em que a IA vem ocupando cada vez mais espaço. Precisamos nos ajustar não só no trabalho, mas no ritmo da vida. A real é que a vida nunca mais será a mesma agora que temos IA.

Parece forte dizer isso, né? Mas entre impactos no meio ambiente e mudanças profundas na economia, fica cada vez mais claro que não existe "receita de bolo" para passar por esse momento.

Tem um livro salvo na minha lista da Amazon que me recomendaram e eu gostaria de compartilhar duas frases que me chamaram muito a atenção:

“O que a IA parece estar fazendo é pulverizar minha capacidade de concentração e contemplação. Meu cérebro agora espera receber informações da maneira como a IA as distribui: em um fluxo de partículas que se move rapidamente.”

"A memória é muito mais do que um reservatório de fatos; é o próprio fundamento da inteligência e da sabedoria. Quando começamos a usar a IA como substituta para a memória biológica, corremos o risco de esvaziar nossas mentes de sua riqueza e diversidade."

Você concorda? Faz sentido para você?

Bom... independente da resposta, eu preciso confessar: eu alterei as frases para provar um ponto.

O livro se chama The Shallows (A Geração Superficial), de 2011. Ele fala sobre como a internet mudou nossa forma de pensar. Nas frases originais, basta trocar "IA" por "internet".

O que eu quero dizer com esse exercício é que nós já estivemos aqui antes. Não faz tanto tempo, a internet surgiu e mudou o rumo do mundo. Hoje, pensar que a IA vai sumir ou que é só uma "modinha" beira o negacionismo.

Se a IA agora é protagonista, o nosso desafio é descobrir como trabalhar com ela sem que isso roube nossa capacidade de raciocínio. Eu não sei exatamente como fazer isso, mas estamos tentando.

Tenho tentado abraçar a ideia de que não tenho controle de nada, e isso me deixa mais tranquila em relação à pressão que essa tecnologia causa. É curioso ver o movimento contrário surgindo: esses dias vi um vídeo de Lofi no YouTube com o título: ‘Lofi feito sem IA - Human no AI lofi Music in a Real Poppy Field’. Já estão criando nichos sem IA.

Para entender a dimensão do que estamos enfrentando, olhem esses dois casos no nosso mercado:

O caso positivo (Wikipedia): A Wikipedia percebeu que as IAs bebem da base dela o tempo todo. Em vez de lutar contra, fechou acordos com gigantes (Amazon, Meta, Microsoft) para que esse treinamento seja pago. Isso ajuda a custear a infraestrutura e valoriza o conteúdo dos voluntários. É a adaptação dando certo.

O caso negativo (Tailwind): Se você é dev frontend, deve ter visto. O Tailwind precisou demitir 75% dos funcionários. O tráfego do site caiu porque as pessoas agora pedem o código direto para a IA. O irônico? O Tailwind nunca foi tão usado, mas a empresa não conseguiu capturar esse valor como a Wikipedia fez. Hoje, Google e Vercel patrocinam o projeto para ele não morrer.

Em uma palestra recente que fui na FIAP, vi exemplos que me deixaram pensando. O Itaú está estudando como fazer Pix via IA (ex: "IA, divide a conta do bar com a fulana"). É prático? Muito. Mas o Pix é gratuito e a IA custa caro. Como fecha essa conta?

Outro exemplo foi o atendimento ao cliente via WhatsApp substituindo pessoas por IA 24/7. O que acontece com essas pessoas? Como o mercado se reestrutura?

Minha conclusão (por enquanto): Enquanto as empresas avaliam o ROI (retorno sobre investimento), nós precisamos aprender a usar a IA sem depender dela. Ela deve ser o nosso rascunho, o nosso desenho inicial pra ganharmos tempo, mas não o nosso cérebro substituto.

Isso sem nem entrar no impacto ambiental colossal que o treinamento desses modelos gera...

Enfim, acho que deixei vocês com mais perguntas do que respostas. Foi mal! Pensei alto por aqui.

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