Na vida real, você não faz uma quest e já ganha a recompensa.
Em jogos, você mata o monstro e o loot cai na hora. No TikTok, você scrolla e a dopamina vem em segundos. Mas quando você tenta mudar cultura ou processo numa empresa, o ciclo é outro: meses entre o esforço e o resultado.
O alerta que salvou o dia
Em fevereiro, o time começou a implementar alertas customizados de monitoramento no New Relic. Não foi glamouroso. Foi trabalho chato de configurar thresholds, pensar em cenários de falha, escrever mensagens de alerta que fizessem sentido.
Dois meses depois, em abril, um desses alertas disparou no final da manhã. Nossas recebimento de mensagens tinha ficado fora do ar.
Detectamos na hora. Corrigimos em 15 minutos.
Sem aquele alerta, só descobriríamos horas depois. Milhares de negociações perdidas. Clientes frustrados tentando fazer acordos e não conseguindo.
O trabalho de fevereiro só mostrou valor em abril. E se nada tivesse quebrado, talvez o time nunca percebesse o quanto aquele esforço valeu.
Os números que demoraram pra aparecer
Entre janeiro e fevereiro, implementamos processos de post-mortem, melhoramos code review e introduzimos testes automatizados.
Sabe quando vimos o impacto real? Em agosto.
Tickets de bugs caíram de 20% para 10% do esforço de desenvolvimento. Metade.
Seis meses entre plantar e colher.
O dev que foi entendendo aos poucos
No começo do ano, comecei a insistir com o time sobre a importância de logs bem feitos. Como usar o New Relic direito. Como pensar em observabilidade desde o início.
Tinha um dev que ouvia, fazia o básico, mas não tinha clicado ainda.
Com o tempo, ele foi percebendo que a vida ficava mais fácil quando os logs estavam lá. Que debugar produção virava minutos em vez de horas. Que ele dormia mais tranquilo.
Não teve um momento de virada. Foi aos poucos. Meses até virar natural.
Isso é o oposto de dopamina rápida. É investimento de longo prazo em alguém.
Por que isso é difícil
Esse delay causa ansiedade em todo mundo.
O CEO pergunta "cadê o resultado daquele processo novo?". O time questiona "pra que perder tempo com isso?". E você mesmo fica se perguntando se tá no caminho certo.
A tentação é abandonar o processo antes de validar. Ou mudar tudo porque não viu resultado em duas semanas.
O que funcionou pra mim
Três coisas:
Clareza de propósito. Se você não sabe por que tá fazendo algo, não vai aguentar esperar o resultado. Antes de implementar qualquer mudança, eu preciso conseguir explicar em uma frase por que aquilo importa.
Medir os pequenos ganhos. O resultado final demora, mas sinais aparecem no caminho. Um deploy que não quebrou. Um bug que foi pego antes de ir pra produção. Um dev que fez a pergunta certa. Esses sinais mantêm o time engajado.
Paciência. Não tem atalho. Às vezes você só precisa esperar.
A lição
Mudança de cultura não funciona no ritmo de TikTok. Funciona no ritmo de plantação: você planta, cuida, espera, e torce pra chover na hora certa.
Os frutos chegam. Mas não no tempo que a ansiedade quer.
Esse é o segundo post de uma série sobre lições que aprendi no meu primeiro ano como Head de Tecnologia. Semana que vem tem mais.
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O cliente costuma lembrar muito mais do erro que fez ele perder vendas, do que dos 99% de SLA. Investir na solidez do produto se paga uma hora ou outra.