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Rosiel Victor
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Você não é especial: Uma IA te superou

Tudo que eu sempre quis era ter tempo para programar. Criar algo útil, que pudesse impactar alguém. Isso por si só já pagaria o tempo investido.

Mas o tempo passou. E percebo que já não enxergo essa área com os mesmo olhos. Eu ainda gosto de programar, ainda gosto do Open Source, ainda gosto de aprender novas tecnologias. Porém, aquele brilho nos olhos que fazia eu passar horas sem perceber... Já não aparece faz tempo.

O mundo mudou e mudou rápido. Hoje, não basta criar algo funcional. É preciso criar algo "perfeito": interfaces deslumbrantes, animações sofisticadas, padrões infinitos. E um simples app em Python usando Tkinter, um CLI em shell, não impressiona mais ninguém.
Programar deixou de ser algo mágico e passou a ser apenas mais um item em pacotes de agência de marketing que vendem "sites gerados por IA" como fossem grandes conquistas porque usou o frame motion desatualizado e fez algumas coisas se mexerem na página.

E no fundo, não é que a programação tenha perdido o valor. É que eu mudei, o mundo mudou e as expectativas mudaram. O simples já não surpreende.
O grandioso já não impressiona. E a corrida por fazer "mais e mais" não tem fim.
Vejo Youtubers de Minecraft que cresci assistindo, precisam criar estruturas enormes usando mods e automações para gerar um conteúdo que será aceito pela maioria, tirando toda a diversão do Mine & Craft.

Lembro de 2015. Eu, um celular de 2GB de RAM e o Termux. Aprendi PHP ali, criei pequenos sistemas, bots do Telegram, coloquei um blog no ar. AS pessoas comentavam, se impressionavam com o "feito impossível". Aquilo me alimentava. Eu era jovem, tinha tempo e o coração cheio de entusiasmo. Hoje, 10 anos depois, não sou mais o mesmo. Nem o mundo é.

Mas será que isso é ruim?

OS estóicos diziam que tudo flui, nada permanece. O entusiasmo juvenil, assim como a novidade de um primeiro projeto, não está destinado a durar para sempre. A vida nos chama a outras responsabilidades, e a tecnologia se transforma. O que ontem era genialidade, hoje é commodity.

Talvez o erro seja esperar que a vida, seja sempre excitante, sempre carregada daquele mesmo brilho inicial. O que antes era paixão, hoje pode ser disciplina. O que antes era descoberta, hoje pode ser legado.

Não reclamo. Aceito.

Porque a vida não me deve a empolgação de 2015, nem o mundo me deve a simplicidade de outrora. Eu apenas continuar fazendo — mesmo sem aplausos, mesmo sem brilho. Porque, no fim, o valor de uma vida não está no entusiasmo constante, mas nas constâncias do fazer. (não lembro onde li essa frase para dar créditos)

Bebam água e tenham um ótimo dia!

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