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Alexandre Fernandes dos Santos
Alexandre Fernandes dos Santos

Posted on AI-assisted

Metas, Calvície e IACentrismo

Sabe quando chega o final do ano, você faz aquela retrospectiva na cabeça e pensa: "Agora vai ser diferente! Vou pra academia, aprender um instrumento novo, não vou dar mais moral pra aquela gótica franjudinha que gosta de Thirty Seconds to Mars, etc.".

Eu evito um pouco, porque não gosto do sentimento de não ter avançado com essas metas. Às vezes, o olho é mesmo maior que a barriga, mas não acho que esse tenha sido o problema, pois acredito ter sido bem honesto com minhas metas fictícias de um futuro perfeito. Sinceramente, motivos não faltam para o jovem que toma dutasterida para evitar a calvície sentir que as coisas não estão andando:

  • Instabilidade no mercado, vistos os layoffs constantes;
  • Uma corrida para se atualizar com as novas tecnologias;
  • IA, IA e IA de novo (isso mudou as coisas, e vou falar mais sobre);
  • Medo da calvície (já mencionei isso?).

De todos esses pontos, o que mais tomou tempo na minha cabeça foi, com certeza, a Inteligência Artificial. Todo esse hype (com razão, em alguns casos) não só mudou o mercado de trabalho, mas alterou a forma como lidamos com diversas áreas. Sinto que tudo o que vemos nas redes sociais textos, artigos, desenhos, arte, música, passa pelo filtro do "Usou IA ou não?". E sempre fiquei conflitado, pensando: "E, se usou, é ruim?".

Colocando as coisas no lugar

Pensando um pouco nisso (9 meses e contando...), acredito que há muitos casos onde não cabe IA (música e jogos são alguns deles). Porém, sinto que ela funciona muito mais como uma alavanca; por isso, não acho que seja ruim. Veja bem, é uma ferramenta a pessoa que faz um trabalho porco com IA faria um trabalho porco também sem ela, e às vezes, até pior.

Se alguém quisesse criar um app de celular, por exemplo, teria que estudar vários conceitos para construir algo minimamente utilizável. Não me entenda mal com a IA, ainda é necessário algum estudo, mas alguns passos podem ser facilitados ou até pulados graças aos LLMs.

E peço truco com outro exemplo, uma pessoa que já entende os conceitos conseguiria avançar nas pesquisas de mercado, escolha de tecnologias, refatoração de código e até criação de features de forma muito mais rápida e ágil, trabalhando com a ferramenta.

O que sempre me incomodou foi esse extremismo: um grupo acha que, se algo utiliza IA, é necessariamente ruim; já o outro pensa que usá-la é sempre a melhor opção.

Apesar disso, devemos ter um olhar crítico. É um avanço a custos altíssimos: cidades estão sofrendo com o abastecimento de água e energia, economias locais que abrigam data centers estão sendo impactadas e nem vou comentar sobre o poder político de quem monopoliza esses recursos.

Nessa onda de "IAcentrismo" (tô inventando palavra igual ao Maurílio do Choque de Cultura -- Mas segue referência: https://www.matiasbarreto.com/eti/conceptos/ia-centrismo/), somos bombardeados pelo "novo modelo revolucionário que supera todos os outros..." que só dura por uma semana. Sem falar na onda de layoffs "por causa da IA" (com certeza não é pra agradar executivos, confia...).No fim das contas, a tecnologia serve para facilitar a vida humana.

Quando começamos a orbitar em torno dela, e não o contrário, há algo errado.

Acredito que, no futuro, teremos mais maturidade para utilizar de forma responsável, democratizada e controlada esse recurso que, hoje, às vezes usamos contra nós mesmos.

Voltando a falar de metas

Puxando esse último gancho, neste fim de semana participei de um workshop muito interessante do TechLeadClub sobre Desenvolvimento Assistido por IA. Ver um conteúdo mais pé no chão de como ela está realmente sendo utilizada no mercado abriu um pouco os meus olhos. Fica aqui a indicação do trabalho do pessoal.

Saindo da toca do coelho depois de tantas voltas 😂, gostaria de mencionar que este ano não foi de todo mal:

  • Bati 30 mil visualizações no dev.to;
  • Comecei a fazer lives com a meta de chegar a 100 transmissões até o fim do ano (neste momento, estou na número 47 🙏);
  • Consegui ler alguns livros (agora estou no System Design Workbook, do Matheus Fidelis, e recomendo D++).

Porém, não dei andamento a alguns outros projetos 😔.

Sobre esse último ponto, sempre tive um pouco de resistência a usar IA nesses projetos, pois era um espaço de estudo e eu "não queria pegar atalhos". Esses momentos em que ficamos quebrando a cabeça para solucionar um problema são muito importantes para mim (nível puzzle do piano de Silent Hill 1).

Com a cabeça que tenho agora, acho que não perderia nada se a utilizasse um pouco mais. Tirar essas ideias do papel de forma rápida aliviaria o peso nos meus ombros. Além disso, seria interessante levá-las para o live coding que faço na Twitch, renderia um baita aprendizado, tanto para mim quanto para o chat.

Em contrapartida, em alguns projetos que codo ao vivo (como o zig-s3), não vou usar, porque é muito mais divertido sem 🙂. Ainda gosto de passar raiva lendo a documentação de Zig, e tem sido um momento de grande aprendizado (e resiliência 😅).

Encerrando porque preciso ver o final do anime

Gostaria de encerrar essa reflexão dizendo, não fique bravo ou brava quando vir uma imagem do Luciano Huck com o topete do Ronaldo Cascão. É só o mundo tentando encontrar seu eixo, e esse desconforto é apenas o nosso cérebro tentando se adaptar (ou se recuperar desse trauma). Até mais! 👋

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