Montando um Home Lab de Cibersegurança: Fedora Server, Docker e Wazuh
Sou estagiário de segurança da informação no primeiro semestre de Ciência da Computação. Trabalho no dia a dia com CrowdStrike, Defender e outras ferramentas enterprise — mas acesso limitado, escopo definido e incidentes reais que não esperam você aprender no ritmo que queria.
Isso me incomodava.
Estudo teórico é necessário mas não suficiente. CTFs são ótimos mas falta o controle de um ambiente real. E no trabalho, às vezes você está fazendo ping pong entre CrowdStrike e Defender atrás de um insumo de análise que nenhum dos dois mostra completo — e esse tempo perdido é tempo que poderia estar indo pra investigar mais incidentes.
Tenho uma analogia que resume bem: sou apaixonado por carros. E pra entender como um carro funciona de verdade, não basta ler o manual. Você precisa desmontar, sujar a mão, errar a montagem e tentar de novo. Só aí você realmente entende — e só depois disso consegue melhorar alguma coisa.
Home lab é isso. É o carro desmontado na garagem.
O Hardware
Não precisa de servidor enterprise pra começar. O meu é um Dell Inspiron com processador Intel Core i5 de 7ª geração, 8GB de RAM e HD de 1TB. Hardware modesto, com planos de expansão conforme a necessidade crescer.
Por que Fedora Server?
Ubuntu Server é a escolha mais comum e por isso não foi a minha. Fedora já é o meu sistema no notebook — estou dentro do ecossistema, conheço o DNF e gosto de como ele resolve dependências. Sem Snap, sem overhead desnecessário, sem performance roubada.
Fedora Server traz inovação antes dos outros. Pra um ambiente de aprendizado, isso é exatamente o que eu quero.
Por que Docker e não VMs?
Hardware modesto não comporta múltiplas VMs rodando simultaneamente. Mas a razão principal não é só performance.
Containers Docker compartilham o kernel do host. Isso significa que pra estudar como um sistema Linux funciona de dentro pra fora — processos, namespaces, cgroups, filesystem — Docker é uma janela direta pra isso. Você não está abstraindo o sistema operacional, está trabalhando em cima dele.
Windows é a exceção. Container Windows não existe de forma viável porque o kernel não é compartilhado. Pra isso, VirtualBox com uma VM dedicada.
O que foi montado
- Fedora Server com acesso remoto via Tailscale — o servidor fica com a tampa fechada em qualquer canto, gerenciado 100% remotamente
- Wazuh 4.14.6 via Docker Compose — manager, indexer e dashboard
- Tudo sobe automaticamente no boot via systemd — reboot não quebra o lab
O que nenhum tutorial vai te contar
No meio da configuração, o disco encheu. 5GB de arquivos temporários acumulados pelo Wazuh em /var/ossec/tmp sem nenhuma limpeza automática. Sistema travado, dnf update falhando, 104MB livres em 15GB.
Diagnóstico, limpeza cirúrgica e automação de limpeza periódica via systemd timer. Isso não está no README oficial do Wazuh.
É exatamente esse tipo de coisa que home lab ensina e CTF não ensina.
Top comments (1)
Some comments may only be visible to logged-in visitors. Sign in to view all comments.