Com o advento da inteligência artificial, vemos cada vez mais o seu uso dentro de empresas focadas em software, com diretrizes claras e dashboards de uso para verificar se o desenvolvedor está utilizando a IA. Em qualquer "big tech", de bancos a empresas de logística, onde o produto é software, há grandes chances de o CEO, CTO ou gestores estarem "obrigando" o desenvolvedor a utilizar alguma IA generativa com o objetivo de aumentar a produtividade.
Está cada vez mais claro que vivemos uma revolução na forma de escrever código. Isso é irreversível: veio para ficar e o processo não voltará a ser como era antes. Porém, surge um questionamento sobre como o ato de desenvolver software deixará de ser gratuito. Com isso, quero dizer que vamos nos apoiar cada vez mais em ferramentas pagas, com assinaturas mensais, e não apenas por meio de uma compra única.
Ferramentas pagas já existiam, como as IDEs, mas também havia alternativas gratuitas tão completas que não era necessário pagar por uma. As linguagens sempre foram gratuitas, como por exemplo Java, Go, Rust, Swift e Cobol. Praticamente 100% das linguagens são gratuitas para uso, assim como as IDEs populares. Portanto, na teoria, o gasto ao realizar um projeto por hobby ou estudo resumia-se ao hardware. Assim, era possível estudar uma tecnologia nova do Java sem se preocupar com mensalidades.
Contudo, caminhamos para uma sociedade em que o usuário não é dono daquilo que compra. Você já deve ter ouvido a frase: "Você não terá nada e será feliz". Isso está acontecendo: vemos planos de subscrição em programas como o Adobe Creative Cloud, sites que utilizam o modelo Software as a Service (SaaS) e, o que é mais absurdo, computadores como serviço.
A pergunta que fica é: o que a IA muda nesse sentido, já que a linguagem e a IDE continuam gratuitas?. A resposta é que, como a IA se tornará parte fundamental do trabalho e não é de graça, o desenvolvedor terá dificuldade em testar e se aprimorar em diferentes modelos sem comprometer uma parcela da sua renda. Atualmente, há uma corrida para dominar esse mercado e, durante essa competição, os preços são muitas vezes subsidiados pelas próprias empresas de IA para criar dependência e, no futuro, subirem os valores.
Isso não é um grande problema para as grandes corporações que compram essas licenças. Mas e os desenvolvedores, principalmente quem quer entrar no mercado? Como essa pessoa pagará caro em uma licença para ter as últimas atualizações e se inserir de forma competitiva?. Estamos caminhando para um cenário onde estudar software será caro, já que somente as empresas terão capacidade de adquirir as melhores ferramentas.
Diante disso, vejo um futuro em que não bastará o conhecimento em arquitetura, o domínio da linguagem ou um diploma. Estar a par de como utilizar LLMs, criar agentes e acompanhar a evolução de modelos como Claude, Gemini e ChatGPT será um diferencial imenso. Entretanto, você talvez não tenha condições de manter o mesmo modelo que a empresa utiliza. Uma barreira financeira está sendo criada, e não estamos percebendo.
Computador por serviço
Um futuro sem propriedade individual não é um futuro feliz: a teoria da propriedade explica porquê.
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