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Wivson Machado
Wivson Machado

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Nem tudo que reluz, é ouro...

Mantendo a coerência temporal de meus textos, escrevo esse texto 1 ano e 17 dias após a minha promoção para líder técnico do meu time e após 17 dias do meu pedido de demissão, sim eu pedi demissão.

Hoje é domingo, 17 de maio de 2026.

25 dias atrás tomei a decisão mais importante da minha vida e não foi pedir demissão, foi eu não deixar ser desrespeitado como profissional.

A cerca de um mês atrás, mais precisamente no dia 08 de Abril, presenciei o que posso classificar como o maior show de horrores dentro de um ambiente corporativo.

7 pessoas em posição de liderança sendo esculhambadas por um C-Level, muitos podem estar lendo isso e achar que sou sensível demais a reuniões criticas, mas já participei de reuniões muito mais criticas na área de Petróleo e Gás, reuniões que envolviam milhões de dólares, reuniões que envolviam multas milionárias e até mesmo risco de prisão por crime ambiental.

Não vou entrar em detalhes mas quando digo aqui que foi um show de horrores, imaginem uma pessoa que faz valer ao extremo o ditado O cliente tem sempre razão e que não mede esforços para diminuir a atendente da lanchonete que colocou na mesa açúcar porém a pessoa tinha pedido adoçante, ou seja, humilhar alguém por algo fútil.

Eu posso tolerar pressões, cenários de crise, dificuldades, feedbacks negativos mas o que eu não posso tolerar é falta de respeito, quando chega nesse ponto tudo acaba e foi aí que culminou o meu pedido de demissão, mas não só por isso e explico.

Talvez o titulo que coloquei não reflita o que de fato quero expressar, mas como tenho a premissa de escrever os meus sentimentos no momento que escrevo o titulo irá seguir deste forma.

Quando fui alçado a líder técnico eu achava que poderia contribuir e melhorar o ambiente como um todo, pois na ponta da linha eu identificava problemas que em uma posição de liderança eu poderia resolver, problemas como:

  • Falta de Processos
  • Falta de Procedimentos
  • Falta de Fluxos
  • Falta de Manuais

Mas a realidade é totalmente diferente da suposição, eu poderia agrupar todos os problemas relatados acima como cultura organizacional, sim faz parte da cultura ter esses problemas e de forma consciente e totalmente proposital.

O dia 1, melhor, a semana 1 depois que fui promovido à líder técnico foi um mar de rosas, mapeamento de problemas, soluções sendo propostas, fluxos e processos sendo desenhados, além da atribuição técnica de apoiar o time de desenvolvimento. Foi um sentimento bom de promover mudanças e fazer a diferença.

A partir da semana 2 em diante após começar a participar de diversas reuniões estratégicas, percebi que o buraco era mais embaixo, o problema não era no nosso nível de atuação, o problema era cultural.

Decisões atravessadas de cima pra baixo, a grande maioria das demandas classificadas como urgente, demandas simultâneas, áreas que não se conversam e demandavam a mesma coisa ou até mesmo decisões divergentes para um mesmo assunto, carteiradas, decisões técnicas apoiadas em "Eu entendi seu ponto mas é assim que o C-Level quer, então faça assim".

A partir daí entendi que autonomia não era uma premissa, ou melhor, a autonomia nem existia qualquer decisão tinha que passar pelas bençãos dos Deuses do Olimpo e qualquer pessoas mais técnica ou menos técnica poderia ocupar o cargo de liderança, afinal era só fazer o que pediam, um mero executor.

E eu não sou um simples executor.

O que me custou muito, meu nível de irritabilidade subiu, minha frustração aumentou, minha ansiedade chegou em níveis que eu nunca tinha experimentado, insônia ou sono excessivo.

A posição que eu vislumbrei poder trazer inovações, melhorias, contribuir com minha experiencia pregressa era nada mais que um fantoche sendo manipulado por níveis maiores que o meu.

Eu persisti e fui resiliente por 1 ano, até o fatídico dia da reunião mencionada no inicio desse texto, ali ficou decretado que era cultural e que nada iria mudar.

Então que decidiu mudar, novamente, fui eu.

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